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Sobre trilhos

Governo abre consulta para definir opção de transporte para Confins, e monotrilho tem vantagens sobre concorrentes
Redação
Edição 132 - 04/07/2014

Foto: Divulgação

A implantação do monotrilho para ligar o hipercentro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, é, veementemente, defendida pelo consultor em assuntos urbanos e mobilidade José Aparecido Ribeiro. “Este é o modal mais recomendado pela comunidade de engenharia. Um dos motivos é que o monotrilho não disputa espaço com os carros em vias limitadas e estreitas.” O tipo de veículo a ser usado no trajeto ainda não foi definido, mas a determinação do governo é que seja ligado por um modal sobre trilhos.

O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), publicado em 18 de junho, pelo governo do estado, é uma consulta geral, da qual podem participar, com sugestões, pessoas físicas e jurídicas, e objetiva definir a melhor alternativa, levando em conta o mais apropriado custo-benefício para a sociedade. O PMI exige que o modal seja integrado às linhas de ônibus convencionais e ao BRT e também ao metrô, considerando a ampliação.

José Aparecido diz que o monotrilho é a opção mais vantajosa, pois utiliza pouco espaço no chão para que sejam erguidas as pilastras, que vão de 12 a 15 metros de altura. “O monotrilho não polui, é silencioso e tem a grande vantagem de poder ser construído à noite para não paralisar o trânsito”, destaca o consultor, que aponta, ainda, o design futurista dos veículos como mais um ponto favorável ao monotrilho que, por si só, é economicamente viável. “Ele se autorregula do ponto de vista econômico. São Paulo entendeu isso e está fazendo duas linhas”, garante.

De acordo o consultor, por todas as vantagens que apresenta, o monotrilho seria uma das alternativas de transporte público que atrairia usuários para o sistema. “O carro para o brasileiro não é apenas para transporte, é a realização de um sonho, por isso o interesse pelo transporte público não aumentará, com alternativas como o BRT. Temos de ter transporte coletivo e obras estruturais porque são mais de 150 gargalos nas vias públicas de BH que precisam de intervenções, vias expressas, viadutos, trincheiras”, defende José Aparecido.

O governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), diz que uma série de estudos sobre a construção do monotrilho ou do veículo leve sobre trilhos (VLT) foi elaborada pelo governo e também por entidades, e irá colaborar para a realização dos projetos. “O estudo sobre o impacto e a construção de um monotrilho deverá ser feito durante o próprio PMI, pelas empresas ou entidades que entenderem que essa poderá ser a melhor tecnologia. Mas é importante destacar que o monotrilho é apenas uma das alternativas que podem ser apresentadas”, destacou o governador, salientando que o VLT é a outra possibilidade de modal para o percurso.

Outro ponto que já está definido pelo governo é com relação à forma de implantação do sistema de transporte ligando BH a Confins. O projeto será executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), mas seus parâmetros somente serão definidos após os resultados do PMI, que serão conhecidos em um prazo de 120 dias, sendo que os interessados em apresentar projetos deverão fazê-lo em até 45 dias após a publicação do edital. Embora ainda indefinido o modal, o PMI já vem recebendo elogios por priorizar um meio que ganha cada vez mais espaço na Europa e Estados Unidos.

“Há, no PMI, ideia de se utilizarem sistemas que diminuam a quantidade de desapropriações, caso em que o monotrilho pode ser uma opção vantajosa porque poderia se valer dos canteiros principais da pista. O VLT precisaria de uma faixa. Nessa variável, o monotrilho seria desenvolvido com menos dificuldade”, destaca o cientista político do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), Oswaldo Dehon. Segundo ele, o monotrilho tem maior capacidade de transporte de passageiros, levando de 20 mil a 40 mil/hora, e o VLT, de 5 mil a 8 mil/hora. “Mas é preciso também considerar os valores de implantação, que somente aparecerão quando forem oferecidos os projetos dos dois modais.”

Na avaliação de Dehon, a melhor alternativa para ligar BH a Confins é, realmente, o transporte sobre trilhos. “Esse modal é o melhor também para outros trajetos para desafogar o trânsito na capital. Inclusive, o Crea-MG está fazendo estudo para toda a RMBH sobre mobilidade urbana, apresentando alternativas para melhorá-la”, antecipa. Para o mestre em engenharia de transportes Paulo Rogério Monteiro, a escolha de um modal tem vertentes política, urbanística, institucional e técnica, que deve ser a principal delas e passa pela demanda e custo de sistema. “A fase do PMI é importante porque várias consultorias trabalham sobre os números, permite algumas idealizações, a presunção de aspectos, embora sem a garantia de acontecer”, destaca.

O engenheiro especialista em transportes e trânsito e professor da Universidade Fumec Márcio Aguiar defende o monotrilho. “Enquanto este é um metrô leve, que fica acima das vias, o VLT opera junto ao tráfego e vai precisar de, no mínimo, 8 metros de largura. O VLT faz barulho e necessita da eletrificação das vias”, compara o engenheiro. Aguiar diz, ainda, que o custo de implantação do VLT e do monotrilho pode acabar o mesmo em função da quantidade de desapropriações que são necessárias para se fazer o VLT. No monotrilho, ocorrerão somente nas áreas das estações de passageiros. “O monotrilho é um pneumático com trilho de concreto. Tem grande vantagem ecológica, pois não faz barulho”, finaliza Aguiar.




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