Artigo

O pêndulo ideológico

Eduardo Vaz
Edição 128 - 23/05/2014

Não tenho filiação partidária e nem pretendo ter. Procuro votar em ideias e pessoas, pensando, dentro do meu ponto de vista, no que seria melhor para o Brasil. Observando o atual cenário político brasileiro, vejo a maior parte dos partidos sem ideologia alguma, ou melhor, com apenas uma: levar alguma vantagem, algo em troca de apoio. Os poucos partidos organizados são, aparentemente, voltados a um socialismo democrático, ditos de esquerda, e ganharam força e prestígio após o término dos governos militares. Esse período, conhecido como ditadura, é hoje associado a uma ideologia conservadora, de direita, e que carrega uma pecha pesada, impopular, de radicalismo, autoritarismo e até mesmo, na opinião dos comunistas radicais, de fascismo. Por essas mesmas razões não temos partidos de peso aí posicionados.

Cinquenta anos depois do 31 de março de 1964, o pêndulo ideológico percorreu quase 180 graus. Nesse percurso, o país progrediu, cresceu economicamente. Inegáveis os imensos ganhos sociais que tivemos, principalmente a partir de 1994, início do Plano Real, até os últimos quase 12 anos do governo do PT.

As conquistas anteriores a 1994, do período militar e dos primeiros governos eleitos democraticamente, existiram, mas diluíram-se no tempo, corroídas pelas longas experiências de hiperinflação, desprezadas pelas recentes versões da nossa história.

Nessa polarizada jornada ideológica, é preciso ter uma visão clara das duas posições, não só no Brasil, mas no mundo. Sintetizo-as como: à direita, a necessidade, a ênfase, na responsabilidade individual do cidadão e, à esquerda, o assistencialismo público, o estado provedor.

A história das sociedades bem-sucedidas, com poucas exceções de países com população pequena e extremamente bem educada e estruturada, como a Noruega, parece apontar que a melhor direção é o equilíbrio, a combinação harmoniosa, sensata dos opostos. O centro. Uma nação precisa garantir que a população tenha direitos, mas não pode se omitir em exigir que ela cumpra com os seus deveres. Nenhum governo, em cada um de seus 3 poderes, deveria temer ser chamado de autoritário por fiscalizar, punir, fazer cumprir as leis. Não há progresso econômico, social ou ambiental, sem a contrapartida da ordem. Essa deveria ser a nossa bandeira, independentemente da ideologia de quem exerce o poder.

O país anseia por mais responsabilidade e eficiência do setor público, do setor privado, do cidadão. Se desejamos uma sociedade com mais justiça e harmonia, com padrões de qualidade de vida de Primeiro Mundo, não basta arrecadar impostos equivalentes a quase 40% do PIB e criar programas sociais, por meio das mais diversas bolsas assistenciais. É preciso reduzir o tamanho dos governos, evitar desperdícios e corrupções, promovendo, ao mesmo tempo, a cultura da meritocracia, onde há a premiação do esforço, dos bons resultados, e também onde exista a punição aos crimes, aos delitos, às omissões, à incompetência, ao desvio de ética e de responsabilidade no serviço público, e à desordem que tanto afligem o Brasil de hoje. O estado eficiente, ético, mais focado, indutor de um capitalismo responsável, sem distorções monopolistas, e com estabilidade das regras do jogo para que seja consolidado um ambiente atraente aos investimentos internos e externos, é comprovadamente o melhor modelo de governo para um desenvolvimento sustentável.

O Brasil não pode esperar a longa oscilação de décadas entre os polos ideológicos para alcançar o equilíbrio que nos levará mais rapidamente ao Primeiro Mundo.

No centro está a resposta. Que a classe política, seja lá qual for o partido ou coligação que se sagrar vencedora nas eleições, chegue a essa conclusão ainda em 2014.

Para, sem exceção e sem demagogia, o bem de todos nós brasileiros.

Eduardo Vaz, presidente-executivo da Lider Aviação




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