Coluna

Entre Aspas

Sueli Cotta
195 - 21/04/2017

DivulgaçãoDistorções que incomodam

As diferenças nos valores pagos aos aposentados da iniciativa privada e do setor público levantam a discussão do peso de cada um no rombo da Previdência. A média da aposentadoria de um trabalhador da iniciativa privada é de 1.600 reais, no executivo é de 9 mil reais, no Judiciário, de 25 mil reais, no Legislativo de 28 mil reais e no Ministério Público a média das aposentadorias é de 30 mil reais. Mudar as regrar parece uma missão impossível. Os números foram apresentados pelo professor e especialista da USP, José Roberto Savoia, especialista em Previdência. Com esse levantamento Savoia inicia o debate sobre os dois brasis: o público e o privado e dos motivos que levam a alimentar essas distorções. O certo é que ninguém quer abrir mão dos altos valores pagos nas aposentadorias do setor público, com a alegação de que trata-se de direito adquirido.  No momento em que se tenta passar o Brasil a limpo, o que se percebe é que falta coragem para tratar todos os brasileiros como iguais.

Falta de quorum

Se toda vez que for divulgada uma lista de investigados na Operação Lava Jato os parlamentares sumirem do Congresso Nacional, como vem acontecendo, não vai ter quorum para votar mais nada até o final das investigações. E pelo andar da carruagem, é só puxar uma ponta e vem outra e outra. As denúncias de corrupção envolvendo políticos parece não ter fim. A dúvida é se vai salvar alguém para as eleições de 2018.

Lentamente

A lenta recuperação da economia brasileira é constatada não apenas pelos 13 milhões de brasileiros que estão desempregados. A Instituição Fiscal Independente do Senado fez um estudo que mostra que a queda da inflação e da taxa de juros abriu espaço para a volta do crescimento econômico. Mas essa retomada deve ocorrer de maneira lenta e gradual, devido à dificuldade do governo em promover estímulo para a retomada dos investimentos, do desemprego elevado e da baixa ocupação da capacidade instalada das indústrias.

Divulgação/Governo de Minas Gerais

O filho do vice

Desde o rompimento do governador Fernando Pimentel (PT) e seu vice, Antônio Andrade (PMDB), todos os nomes ligados ao vice foram afastados do governo. Todos, menos um: o seu  filho, o presidente da Gasmig, Eduardo Andrade.  Ele continua firme no cargo, apesar das várias tentativas dos petistas em tirá-lo da presidência da estatal. Recentemente, o líder do governador na Assembleia Legislativa, Durval Ângelo (PT), considerava o assunto como praticamente encerrado, mas o filho do peemedebista continua resistindo às ofensivas dos adversários.

Previdência nos estados

Os problemas com a Previdência não se limitam ao governo federal. Nos estados a situação também é dramática, segundo levantamento do Ipea. Em Minas, as aposentadorias e pensões representam quase 50% da folha de pessoal. O déficit cresceu de 6,65 bilhões de reais para 12,5 bilhões de reais entre 2006 e 2015. As defesas com o pagamento dos benefícios aumentaram 81,9%, enquanto a arrecadação com as contribuições previdenciárias cresceu 69%. Não é preciso ser um matemático para entender porque essa conta não fecha.

 

ReproduçãoFRASE

“Os artistas brasileiros são socialistas nos dedos ou na voz, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos”

- Roberto Campos




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