Agronegócio

A vez do açúcar

Usinas recobram ânimo e investem para aumentar produção, renovando áreas e incorporando tecnologia
Fernando Torres
196 - 05/05/2017

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Graças ao avanço da produção de açúcar, as usinas sucroalcooleiras em Minas conseguiram recobrar os ânimos na safra 2016/2017. Embora o mix percentual tenha ficado equiparado com o etanol (veja quadro), o último balanço do setor revela que a commodity atingiu resultados recordes, com 3,9 milhões de toneladas entre abril e novembro, uma variação positiva de 22,58% em relação ao ano anterior. E a estimativa para os próximos meses é continuar avançando, com previsão de evolução de 3% para a safra, o equivalente a 127 mil toneladas.

Os bons resultados se devem à alta dos preços no mercado externo em 2016, com média de 1,2 a 1,3 mil reais por tonelada, ainda mais facilitada pelas condições de câmbio. “A lucratividade de 2016 está resultando na reorganização do setor, como a renovação de áreas e a incorporação da tecnologia, o que irá gerar resultado muito importante nos próximos anos”, avalia Mário Campos, presidente da Associação das Indústrias


Sucroenergéticas de Minas (Siamig), na abertura da safra mineira 2017/2018, na fazenda Santa Vitória, em Uberaba. O governador de Minas, Fernando Pimentel, marcou presença no evento. “É um setor importantíssimo para Minas, com referência nacional”, declarou em pronunciamento na solenidade, que também contou com a presença do ex-governador Alberto Pinto Coelho.


Em contrapartida, o balanço divulgado revela a queda de 14,12% na produção de álcool. Foram 434,3 bilhões de litros a menos em 2016, diminuição puxada pelo etanol hidratado. Mas a retração está sendo encarada pelo viés positivo. “Hoje, produzimos conforme o consumo de Minas, nem mais, nem menos. Há três anos, produzíamos o dobro do que consumíamos e isso gerava muito prejuízo”, contorna Campos. Para 2017, a estimativa é que o etanol decline ainda mais, em torno de 12%. “Mas a estabilidade deve ser retomada nos anos seguintes, já que o etanol hidratado tem alíquota de ICSM de 14%, ante 29% da gasolina”, salienta.

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Atualmente, Minas é o segundo estado brasileiro em produção de cana-de-açúcar, com 970 mil hectares plantados, distribuídos em 130 municípios. A maior parte das usinas – 21, para ser exato – se concentra no Triângulo Mineiro. Em 2016, a macrorregião ainda instalou duas novas fábricas de açúcar, em usinas já existentes: a Aroeira, em Tupaciguara, e a Vale do Portal, em Limeira do Oeste, pertencente à Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), também detentora da usina Vale do Tijuco.


“Vamos produzir este ano 100 mil toneladas de açúcar tipo exportação, que atualmente tem preço melhor e dá mais flexibilidade para os negócios da empresa”, adianta o diretor financeiro da Bioenergética Aroeira, Gabriel Feres Junqueira. Para adaptar a usina à produção de açúcar, a empresa investiu em torno de 50 milhões de reais. O incremento deve gerar aumento de 15% no faturamento para 2017, que deve fechar em torno de 240 milhões de reais.


A expectativa do grupo CMAA para a safra também é positiva. “Devemos moer 4 milhões de toneladas na usina Vale do Tijuco e 1,5 milhão na Vale do Pontal”, projeta o presidente Carlos Eduardo Turchetto Santos. Com aproximadamente 70 mil hectares de canavial entre as duas áreas, a empresa planeja que a nova fábrica gere mais de 3 milhões de toneladas nos próximos três anos. “Geramos aproximadamente 2 mil empregos diretos”, relata.




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