Memória

Nome forte

Aos 87 anos, Lúcio Assumpção continua na ativa e relembra criação dos bairros Cidade Nova e Castelo, além de atuação no governo
Fernando Torres
197 - 19/05/2017

Pedro Vilela/Agência i7Dois de alguns dos bairros mais novos de Belo Horizonte têm a assinatura do engenheiro Lúcio Assumpção. Do alto de seus 87 anos, e ainda na ativa, ele liderou o loteamento do Cidade Nova, na região Nordeste, e do Castelo, na Pampulha, entre as décadas de 1960 e 1970. Personalidade de nome forte em Minas, ele também foi presidente do BDMG e secretário da Fazenda no governo Rondon Pacheco, diretor de obras da Usiminas e engenheiro da Cemig, além de ser o inventariante do lendário caso da herança do médico e empresário Antônio Luciano Pereira Filho.


Lúcido e cheio de lembranças, Assumpção conta que as origens do Cidade Nova remetem à fazenda Retiro Sagrado Coração de Jesus, antiga propriedade de José Cândido da Silveira, que dá nome à via arterial do bairro. O loteamento, feito pela construtora Cinova, aconteceu entre 1966 e 1967, pouco depois da fundação do Banco Nacional de Habitação (BNH). “A proposta era construir casas por meio de financiamento, com lotes de pelo menos 360 m2. Só nos anos 1970, o bairro passou pelo processo de verticalização”, recorda. Com o sucesso do Cidade Nova, a Cinova fez uma proposta de compra para os proprietários das fazendas Serra e São José, área que hoje pertence ao Castelo. Efetivado o negócio, a construtora loteou 1,3 mil lotes, além de construir a avenida que, mais tarde, se chamaria Tancredo Neves. “Também foi um bairro projetado para casas, com sucesso enorme. Mas, tempos depois, a prefeitura mudou a lei de zoneamento, permitindo a construção de prédios”, conta.


Foi no entremeio entre os dois loteamentos que Lúcio Assumpção foi convidado por Rondon Pacheco para presidir o BDMG. Sua gestão, entre 1971 e 1974, ficou marcada pelo financiamento de muitas empresas agrícolas na produção de cana-de- açúcar, café e algodão. “Mas nossa menina dos olhos é a Fiat, que, embora tenha chegado a Betim em 1976, teve boa parte das negociações para a instalação durante o período em que fui presidente.” O relacionamento de amizade com o governador – “era uma pessoa de extrema seriedade e grande capacidade de ouvir” – levou ao convite para ser secretário estadual da Fazenda em 1976, cargo que ocupou por um ano. A parceria se repetiu quando Pacheco assumiu a presidência da Usiminas, em 1976, e nomeou Assumpção como diretor de obras.


Depois de três anos na siderúrgica, o engenheiro decidiu abrir a LSA Empreendimentos, em funcionamento até hoje. Nesse meio tempo, Assumpção ainda encontrou tempo para presidir a Associação Comercial e Empresarial de Minas entre os anos de 1988 e 1990.
Por fim, episódio pitoresco, já na década de 1990: a divisão de patrimônio de Antônio Luciano para seus 30 filhos, de 26 mulheres diferentes. Estimada em mais de 3 bilhões de dólares à época, a fortuna abrangia imóveis urbanos, fazendas, usinas de cana- de-açúcar, hotéis, cinemas e loteamentos. “Fui convidado para fazer o inventário por um genro do empresário. Trabalhamos por três anos com uma equipe de sete pessoas para fazer a partilha. Foi um processo juridicamente complexo, que até hoje está em disputa judicial”, conta.




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