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Positividade e crescimento

Regional do Vale do Aço mantém visão mais favorável ao desenvolvimento e incentiva criação de novas empresas
Lucas Rocha
199 - 16/06/2017

DivulgaçãoPara muitos setores, os indicadores econômicos e políticos já apontam um momento mais favorável e uma possível retomada no desenvolvimento dos negócios. Apesar de ter abalado as estruturas e ainda trazer muita insegurança, o escândalo da JBS não afetou em quase nada o trabalho na regional do Vale do Aço da Fiemg. Sob o comando do presidente Luciano Araújo, a regional está mantendo o foco nos seus projetos que visam a criação de novas empresas, a exemplo do programa Garimpando oportunidades e das obras da BR-381, que ganham fôlego maior neste ano com a inauguração do viaduto na região de Caeté.

Como as mudanças políticas ocorridas no último ano afetaram a região do Vale do Aço?
Existe uma resposta em relação ao antes e depois do escândalo da JBS. Estávamos caminhando para um clima muito positivo de recuperação. A Usiminas, por exemplo, deu prejuízo em todos os últimos trimestres, mas, neste último, verificado em janeiro, fevereiro e março, teve resultados positivos. Além disso, ela anunciou, para 2018, a ligação do alto-forno 1 que estava desativado. É um cenário com muita coisa boa para acontecer, como o projeto da BR-381, que está andando. O índice de confiança do empresariado estava melhorando progressivamente, mas, agora, com mais esse escândalo político, a gente fica um pouco preocupado em como será esse desfecho. Até então, era a sensação que o pior havia passado.

No ano passado, o setor automotivo foi um dos mais afetados pela crise. Houve melhorias e um plano de ação para a retomada no desenvolvimento?
Na verdade, a queda no consumo está ligada diretamente na queda da renda das
pessoas e no desemprego. Com este cenário, também em nível de governo, a ideia era começar a gerar novamente empregos. Recentemente, tivemos um saldo positivo com a geração de uma média de 60 mil empregos novos, o que, consequentemente, provocaria reaquecimento na economia e no consumo e, então, uma melhoria no setor. Só que, para esse desenvolvimento acontecer, também estávamos contando com a reforma da Previdência e trabalhista, o que nos ajudaria. Agora, não sabemos.

Qual a situação atual do projeto Nova 381? A expectativa ainda é positiva?
O projeto da BR-381 não pode ser considerado como um todo, mas sim em trechos. Hoje, temos o lote 7, do trevo de Barão de Cocais até Caeté, onde a Construtora Brasil está desenvolvendo o projeto. A ideia é conseguir este ano 340 milhões de reais de orçamento para aplicar na rodovia e entregar, ainda este ano, aquele viaduto de
600 metros na região. Uma pista já está pronta, estão fazendo a segunda pista agora. Também queremos entregar em torno de 20 a 23 quilômetros já pavimentados e duplicados em 2017. Além disso, também conseguimos, há duas semanas, iniciar as obras de conectar os túneis. No geral, é um cenário muito positivo, mas não temos previsão para entregar a obra inteira e sim por etapas. Até porque tivemos um problema: a construtora espanhola Isolux Corsán, que tinha ganhado seis trechos da obra, entrou em recuperação judicial em fevereiro deste ano. Com essa recuperação, precisamos fazer novamente as licitações. Porém, como não há orçamento no país, estamos concentrando o valor que temos nestes trechos em obras da Construtora Brasil.

Quais os projetos em destaque na Fiemg do Vale do Aço atualmente?
Primeiro, nossa agenda de convergência do Vale do Aço. Montamos um fórum de lideranças com todos os presidentes das principais entidades da região e aí criamos uma agenda de convergência em seis eixos: infraestrutura, saúde, educação, segurança, competitividade e sustentabilidade. Dentro destes eixos, temos vários temas, como a BR-381, a estrada regional da MG-760, readequação do aeroporto e uma série de questões. Essa agenda criou um ambiente muito positivo na região, porque as lideranças se uniram para buscar juntas um objetivo com muito mais foco. Outro ponto a ser ressaltado foi o programa chamado Garimpando oportunidades. A ideia é que empresas-âncora abram as portas para empresas menores da região. Essas empresas menores vão entender sua necessidade e desenvolver uma solução de tecnologia regional para atender essa demanda. Estamos chamando de adensamento da cadeia produtiva, que é gerar novos negócios e empresas na região. O empresário vai ter apoio do Sebrae para ajudá-lo na gestão. Também estamos lançando um centro de engenharia para ajudar na questão de desenvolvimento tecnológico dessas empresas. Após o lançamento do piloto na Usiminas, já acertamos com a Aperam, Cenibra e ArcellorMittal de João Monlevade para ser implementado. Acreditamos que vai dar uma movimentada boa na região.

Como tem sido o apoio dos governos, seja no que diz respeito ao incentivo e aos investimentos financeiros nos projetos propostos pela Fiemg Vale do Aço?
Nessa agenda de convergência, todos falamos a mesma língua. Conseguimos integrar todas essas lideranças políticas e também as entidades da sociedade civil com um único propósito, e isso é muito importante e positivo para o desenvolvimento.

Qual a situação atual do aeroporto de Ipatinga? Ele já se mantém unicamente com a iniciativa privada?
Isso ainda é um problema. A Usiminas, primeiro, devolveu para o governo. O governo fez a licitação, uma empresa ganhou. Mas houve um problema e foi preciso refazer essa licitação. Tivemos duas empresas participando, só que a que ganhou foi impugnada. Ela entrou com recurso, e criou-se mais um problema. Conclusão: a licitação foi novamente cancelada e estamos aguardando outra para resolver a questão do aeroporto.

Quais as expectativas para o segundo semestre na região?
Existe um cenário positivo se desenvolvendo, uma boa expectativa.Estamos apostando tudo no projeto Garimpando oportunidades e no início das obras no trecho 3.1 da BR-381, que vai gerar muitos negócios para a região. Esperamos que, melhorando esse cenário político e principalmente com a reforma trabalhista, as empresas voltem a acreditar e a investir no país. Por estar muito concentrado nesta questão da indústria de base, espera-se que o Vale do Aço tenha investimento em infraestrutura, uma forma que acreditamos ser importante na retomada do crescimento. O Vale do Aço, com certeza, será contemplado neste desenvolvimento, justamente pelas características das indústrias na região.




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