Cultura

A mesma BH, porém, diferente

Sylvio Coutinho mostra um olhar singular sobre a cidade em exposição até julho na Casa Fiat de Cultura
Lucas Rocha
199 - 16/06/2017

divulgaçãoQuando deu seu primeiro passo rumo à carreira que lhe daria notoriedade, Sylvio Coutinho era apenas um estudante ajudando a organizar um festival de música no colégio. Anos depois, tendo participado de grandes projetos, a exemplo das fotografias da reforma do Mineirão, o artista vive mais um momento emblemático da carreira com a abertura da exposição Sylvio Coutinho mostra Belo Horizonte, na Casa Fiat de Cultura.


Inaugurada em 6 de junho e em cartaz até 30 de julho, a mostra reúne 27 fotografias, 65 gravuras, além de vídeos e réplicas em 3D de monumentos históricos de Belo Horizonte. As fotos, principalmente, foram produzidas em um momento delicado, quando Sylvio se recuperava de um acidente e sua principal estratégia de reabilitação era pedalar pela cidade com a câmera a tiracolo. “Eu andava em torno de 25 quilômetros por dia e registrava entre 200 a 500 fotos”, recorda ele.


O resultado desse trabalho foi um retrato de Belo Horizonte na sua forma mais pura e crua, como seus moradores estão acostumados a ver. Desde os cartões-postais, as belezas escondidas no cotidiano e até mesmo o que desperta o incômodo, como a sujeira das ruas, a aglomeração de cartazes publicitários em muros e edificações em ruínas. “Traduzir essa cidade, que não para pra posar, em linguagem artística da fotografia, não é fácil. Sylvio Coutinho o fez e a retrata de dentro pra fora, clicando sua alma. Esta é a Belo Horizonte que Sylvio Coutinho preparou, cuidadosamente”, diz o curador Marcelo Xavier.

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Toda essa vivência e experiência ressaltaram aos olhos do artista as necessidades cada vez mais gritantes da capital mineira, que agora ele coloca em pauta no seu trabalho como forma de serem discutidas e cobradas das autoridades. Exemplo disso é o debate sobre soluções de mobilidade para o trânsito, que atendam a ciclistas, cadeirantes e deficientes visuais. “Precisamos que todos os moradores e visitantes se locomovam plenamente na cidade e compartilhem os espaços com harmonia”, reflete o fotógrafo.


Outro ponto que tem ganhado atenção já dos primeiros visitantes são as réplicas dos pontos turísticos, desenvolvidos em laboratórios cedidos pela fábrica da Fiat. “Tem sido emocionante ver isso acontecer, pois todos os detalhes das réplicas foram construídos a partir das fotos que produzi, seja por drones ou no chão. Vai muito além de mostrar o que são esses pontos, principalmente quando vemos os deficientes visuais tatearem as réplicas e conseguirem ver esses lugares de outra maneira”, afirma Sylvio.


A ocasião também marca o início das comemorações da Casa Fiat para os 120 anos de Belo Horizonte e o lançamento do livro de Coutinho, BH 120, um registro de uma cidade ampla, cheia de vida, dinâmica, caótica e ocupada por pessoas. “Minha intenção, neste momento, é mostrar uma cidade pulsante, colorida. Quero que as pessoas descubram que Belo Horizonte é feita para ser ocupada, desfrutada e percorrida”, diz o fotógrafo.


A Casa Fiat ainda inclui na lista de projetos paralelos uma série de ações educativas. “Não se trata de uma exposição de fotografias, mas da fotografia de uma cidade. De uma cidade que continua a mesma, mas, ainda assim, muda sempre dia após dia. Não temos expectativas em números, mas, com certeza, será uma exposição que atrairá um público enorme”, avalia José Eduardo de Lima Pereira, presidente da instituição.




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