Artigo

Imprevisão do tempo

Hermógenes Ladeira
199 - 16/06/2017

A cada dia que se passa, o tempo se torna mais curto para o presidente Michel Temer. Seus aliados aguardam ansiosos o noticiário político-judicial, se assim podemos chamar, com os nomes citados nas últimas delações. Avaliam as últimas pesquisas de opinião. E ambas, noticiário e pesquisa, foram desastrosas para o governo, tendo a aprovação caído a apenas 5%.


Quanto às demais notícias na imprensa, as referências aos ministros mais fortes não foram nada animadoras. Nada mais que referências, mas, em alguns casos, é o quanto basta. O afastamento do ministro Geddel Ferreira Lima começou assim. Provavelmente, o presidente imagina que vai ser diferente com os ministros Padilha e Moreira Franco. Espero que esteja certo, ainda que remando contra a maré.


E para aumentar as preocupações do presidente, tivemos o PSB negando-lhe apoio na votação dos projetos de interesse do governo. São 35 votos a menos. Que dificuldade estará ocorrendo com esses propostas que não conseguem ir avante, sendo elas do maior interesse da sociedade? Ou se convencem os ilustríssimos deputados e senadores da fundamental importância da mudança nas regras da Previdência, das leis trabalhistas e também de nosso sistema tributário ou o Brasil será afastado de seu futuro, impondo um atraso que somente será recuperado em décadas. Parece mesmo inverossímil que o Legislativo, tão consciente de seus poderes, não tenha a grandeza de melhor avaliar e aprovar medidas que interessam à sociedade brasileira, contrariadas tão somente por setores que visam retardar qualquer medida que signifique prejuízo às suas mordomias de toda ordem. Esperar por unanimidade é sonho quixotesco.


O afastamento do Ministro da Justiça é outro fato a demonstrar que as nomeações feitas de afogadilho não são duradouras. E a negativa do deputado peemedebista Osmar Serraglio em assumir o Ministério da Transparência foi outro desgaste a ser assumido por Michel Temer. A decisão a ser tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral pode desencadear em seu afastamento. Mas pode ocorrer também um pedido de vista por um dos ministros, o que provocará um novo adiamento da sentença terminal.


Não bastassem tantas preocupações a atormentar Temer, o ministro Edson Fachin acrescentou mais uma: na última semana, o presidente teve de responder a um questionário elaborado pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato. Vai assim se estreitando mais e mais o caminho percorrido. Os danos causados pelas delações dos irmãos Batista, da JBS, são incomensuráveis e certamente ainda não se encerraram, tal a grandeza de suas peripécias financeiras e econômicas. Tem-se agora como muito provável a revisão de sua sentença, que poucos entenderam e ninguém aceitou. Afinal, os crimes cometidos por ambos foram da mesma gravidade – ou maiores – que aqueles cometidos por Marcelo Odebrecht, que está preso e terá de pagar muitos bilhões por seus malfeitos. Enquanto isso, os irmãos Joesley e Wesley, livres e soltos, mudaram-se para os Estados Unidos, transferindo também para lá e outras partes do mundo os seus negócios. O deputado Rocha Loures (PMDB), apanhado com uma mala contendo 500 mil reais, é pessoa da máxima confiança de Michel Temer e foi por ele recomendado aos quadrilheiros da JBS.


Nesse meio tempo, vão os brasileiros assistindo a esse verdadeiro tsunami de bilhões de reais e a um lamaçal de crimes, seguindo uma rota sem direção e destino. Superando crise atrás de crise, cujo desfecho certamente não será bom para o país e menos ainda para seus cidadãos, vamos todos preparando o lombo para as duras consequências de todo esse desacerto político, moral e econômico.




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