Economia

NOVO HORIZONTE

Com serviços diferenciados e estrutura da melhor qualidade, redes de hotéis apostam em BH como mercado promissor
MIRIAM GOMES CHALFIN
200 - 04/08/2017

 FOTOS  DIVULGAÇÃOSe, antes da Copa, faltavam hotéis para a demanda de Belo Horizonte, agora, a história é diferente. Atualmente, a capital recebe 234 mil turistas por mês, segundo a Belotur, e conta com redes internacionais e mais de 160 hotéis apart-hotéis, pousadas e albergues, um total de 31 mil leitos. Alguns deles são recentes, a exemplo do Intercity BH Expo. Inaugurada em julho do ano passado, a unidade está instaladana avenida Amazonas, próximo ao Expominas e a cidades da Região Metropolitana. Segundo o gerente-geral André Bekerman, o público principal é o corporativo, com 40% da ocupação, mas a palavra de ordem é diversificação.


Com marketing agressivo, o hotel tem conseguido atingir as metas. “Temos feito campanhas de divulgação em estados como Rio Grande do Sul e Paraná, aproveitando a força da marca. Isso tem dado resultado interessante, principalmente no segmento de lazer”, destaca. A estratégia inclui parcerias com o Inhotim e restaurantes. “Essa ação permitiu aumento de 150% no número de hóspedes vindos do sul do país”, garante Bekerman.


Além dos segmentos corporativo e de lazer, o Intercity BH Expo aposta no nicho de casamentos intimistas. Bekerman comenta que, nos últimos três meses, foram realizados quatro minicasamentos e mais cinco estão agendados até o fim do ano. O gerente ainda destaca que a infraestrutura conta com 286 apartamentos, como piscina aquecida coberta, Jacuzzi, bar na cobertura, espaço fitness, serviço de quarto 24 horas e transfer para o aeroporto. A diária custa a partir de R$ 179 (individual) e R$ 199 (casal), com café da manhã incluso.


Outra rede que aposta em BH é a Atlantica Hotels, que trouxe as bandeiras Radisson Blu, uma das preferidas do público estrangeiro, e Hilton Garden Inn. “A primeira marca de ambas no Brasil foi lançada aqui devido à renovação da infraestrutura. O balanço dos primeiros 18 meses do Radisson Blu, no São Pedro, é positivo: já chegou ao período de consolidação”, afirma o gerente regional de vendas sênior da Atlantica Hotels, Erilton Junior Pereira. Já o Hilton Garden Inn, inaugurado no Cidade Jardim em fevereiro de 2016 e voltado para o público corporativo (80% da ocupação), ainda tem desafios. “Já conseguimos consolidar a marca, mas precisamos atrair mais hóspedes.”
Enquanto o Radisson Blu tem diárias a partir de R$ 270 para casal, o Hilton Garden Inn custa a partir de R$ 220, ambos com desjejum. O primeiro se destaca pela arquitetura icônica em cada um dos 160 quartos. “É uma bandeira diferenciada, na categoria supraluxo. Por exemplo, o café da manhã é personalizado. O cliente não precisa nem se levantar”, frisa Erilton Jr. Nessa unidade, a taxa de ocupação varia, mas a média mensal fica em torno de 70%. Devido à proximidade com o espaço de shows Km de Vantagens Hall, os fins de semanatêm demanda alta. O gestor afirma que não há previsão de novos investimentos em BH, mas a empresa está de olho no interior de Minas, onde já tem unidade em Uberlândia. “Juiz de Fora, Montes Claros, Governador Valadares e Ipatinga estão no nosso radar”, avisa. 

divulgaçãoJá André Bekerman afirma que a cidade sofreu bastante com a superoferta de hotéis após a Copa, somado ao mau momento econômico. “A performance dos hotéis Intercity BH Expo e BH Raja está abaixo à de outras capitais, como São Paulo e Porto Alegre. A cidade precisa de investimento na captação de eventos e na otimização dos espaços, tem que se tornar mais competitiva nesse segmento. Temos um belo aeroporto, ótima estrutura de hotelaria, atrativos turísticos, mas falta divulgação.”


O presidente da Belotur, Aluizer Malab, reconhece que o crescimento da rede hoteleira.não está em sintonia com a real demanda. "Estamos atentos à realidade de toda a cadeia produtiva e, por isso, trabalhamos intensamente com o que temos. Esta é a chave do equilíbrio: construir algo duradouro”, diz. Ele cita o exemplo do Carnaval 2017, considerado o maior da história, com 3 milhões de foliões nas ruas e que movimentou toda a rede produtiva.


Malab lembra, ainda, que BH tem uma das culturas gastronômicas mais ricas do mundo, forte calendário de eventos culturais e de entretenimento, além do entorno com riquezas históricas e naturais. “Isso nos dá ferramentas para potencializar ações e trabalhar as atrações. Estamos fortalecendo BH no cenário nacional e mundial, firmando parcerias com Rio e São Paulo para também reforçar o turismo no Sudeste”, afirma.


Já a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG) preferiu não se pronunciar. Segundo a assessoria de imprensa, “como a ABIH-MG está passando, por reformulações e replanejamento estratégico, a diretoria prefere não conceder entrevistas até ter ações mais concretas para divulgação”.




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