Aviação

Confins decola

Modernização do aeroporto internacional se reverte em novos voos, retorno de companhias aéreas e maior satisfação dos passageiros
Fernando Torres
201 - 11/09/2017

agencia i 7É impossível passar pelo Aeroporto Internacional de BH sem notar a transformação. As mudanças vinham acontecendo aos poucos, mas a revolução veio mesmo com o novo terminal, inaugurado em dezembro. Orçada em R$ 1 bilhão e realizada em 14 meses, a obra não só modernizou a infraestrutura, como ampliou a área construída de 80 mil m² para 132 mil m², elevando a capacidade de 11 milhões para 22 milhões de passageiros.


A nova cara de Confins trouxe consigo mais voos e companhias aéreas. Mesmo com o recuo de viajantes, devido à crise econômica, a oferta de destinos aumentou de 35 para 43 em três anos. A aterrissagem mais recente é a da colombiana Avianca, que, em agosto, reassumiu o espaço deixado em 2014, com oito voos diários (ida e volta) entre Guarulhos. Buenos Aires também está de volta, representada pela Azul e pela Gol. A Azul, aliás, estabeleceu seu segundo hub em BH e só espera autorização da Anac para retomar a rota para Orlando.
Com 26 pontos de embarque e capacidade para 44 aeronaves, Confins se classificou como o terminal mais pontual do país e o oitavo do mundo, conforme a consultoria britânica OAG, com 88,49% das decolagens no horário. Para otimizar o tempo, o novo terminal integra as áreas de embarque e desembarque doméstico e internacional – apenas um andar as separa. “Nossas conexões são feitas em meia-hora, com facilidades operacionais e sem transtorno de movimentação”, relata Adriano Pinho, novo diretor presidente da concessionária BH Airport.


agencia i 7arteA joint-venture, que reúne o Grupo CCR, a Zurich Airport e a estatal Infraero, administra Confins desde 2014, em um processo de concorrência pública previsto para 30 anos. De lá para cá, a satisfação dos passageiros só cresceu: a nota de 1 a 5 passou de 3,31, em 2014, para os atuais 4,47, segundo pesquisa do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. “Subimos para o quinto lugar entre os aeroportos brasileiros, nosso melhor desempenho histórico”, comemora. A percepção de que BH tem um novo aeroporto começa no estacionamento, que elevou a capacidade de 2,7 mil para 4,6 mil carros – o valor da diária também acompanhou o crescimento, de R$ 30, em 2015, para R$ 40 – e implantou mais vagas especiais, criando, inclusive, a categoria para mulheres. No interior, o investimento incluiu a remodernização das salas de embarque e desembarque, ampliação dos canais de raio X e upgrade do Wi-Fi. “Reformamos os banheiros e criamos unidades familiares”, cita Pinho. O saguão conta ainda com o espaço Kids Jet, um miniplayground com três aviões de brinquedo. “Queríamos disponibilizar um espaço onde as crianças pudessem se divertir, posar para fotos e brincar de piloto ou comissário”, diz o gestor comercial Bruno Coelho.

FOTOS  LUCAS BOIS  AGÊNCIA I 7

Outra mudança é a Praça Mineira. Em 3 mil m² do térreo, a área é bem servida de lojas que traduzem o espírito da terrinha. Por exemplo: a DrinkIT, com 600 rótulos de cachaça; a Leve Minas, com degustações de queijos e quitutes; a Ehven Pedras, com joias e bijuterias feitas de pedras mineiras; e a Arte Minas, com artesanato das cidades coloniais e do Vale do Jequitinhonha. O espaço ainda abriga a cafeteria Expresso Mineiro, com grãos do Sul e do Cerrado, o restaurante Vila Francisca e o Pub Backer, com chopes e cervejas artesanais, entre outras.

Ponto também para o projeto Aeroporto Silencioso que reconfigurou os painéis de voo, tornando-os mais visíveis e informativos, além de indicar o portão de embarque com 90 minutos de antecedência. A medida reduziu em 60% o número de chamadas sonoras, uma experiência inédita no Brasil. “Queremos assegurar que as informações possam ser percebidas de forma cada vez mais intuitiva, eficiente e tranquila”, diz o diretor de operações da BH Airport, Daniel Bircher.
O único porém continua a ser a distância – são 40 km a partir do centro e 60 km do Belvedere, no Vetor Sul. Para facilitar o trajeto, o poder público liberou táxis e ônibus executivos nas pistas do Move das avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos e Pedro I, mas mantém a construção do VLT apenas no papel. Isto é: a turbulência ainda deve persistir por muitos voos.




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