Artigo

UM BASTA À VIOLÊNCIA

Paulo Cesar de Oliveira
202 - 11/10/2017

Em uma semana de setembro foram 1.195 mortes violentas – homicídios, latrocínios, feminicídios, suicídios e por ações policias - em todo o país. Uma morte a cada minuto, segundo levantamento feito por 230 jornalistas. Se contabilizarmos também as mortes por acidente, teremos, com certeza, números de mortes por violência superiores à maioria dos registrados nas guerras mundo afora.
Não é possível ficarmos impassíveis diante de números assim. Inaceitável que não haja uma reação de indignação da população. A violência é, sim, controlável. Impossível acabar com ela, mas colocá-la dentro de limites mínimos – quais seriam estes limites não me perguntem, pois não sei – é possível e uma obrigação dos governos em todos os níveis. O estado surgiu da necessidade do homem se proteger do homem e quando não faz isso está deixando de cumprir sua principal finalidade. E olhem que não estamos cobrando esta proteção em todas as suas formas. Não estamos falando aqui dos que morrem sem assistência nas portas de hospitais. Dos que morrem por não terem acesso a medicamentos. Dos que morrem de frio ou que ficam sequelados por desnutrição ou doenças que poderiam ser evitadas.
As mortes por violência são a materialização de um estado assassinado pela incompetência dos governantes. Mas não adianta ficarmos procurando culpados. Culpados somos todos nós, por ação ou omissão. É urgente que se busquem soluções sérias. Sem discursos românticos. É preciso encarar o problema como ele é, com o tamanho que ele tem.
Para estancar a violência é preciso a mão forte do estado que, não confundam, corresponde ao emprego da violência. Não se combate violência com truculência, como não se combate a violência com flores nas mãos. A segurança precisa ser prioridade máxima de todos os governos, de todos os Poderes. O país precisa sufocar a criminalidade, acabar com a impunidade, usando a força da lei que, se preciso, deve ser mudada. Não podemos deixar que as pessoas continuem entregues à própria sorte. É hora de conter a violência enquanto, paralelamente, se cuida de suas causas.




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