Conexão empresarial

É preciso acertar

Sueli Cotta
202 - 11/10/2017

TIÃO MOURÃOCombater o estado patrimonialista, com economia dependente, não é fácil. E esse é apenas um dos muitos problemas a serem enfrentados no país. O mais urgente deles é a reforma da Previdência, segundo defendeu a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, em palestra no Conexão Empresarial, evento promovido pela VB Comunicação, em Nova Lima.


Zeina disse que o Brasil está retomando seu curso após os erros cometidos no governo Dilma Rousseff, que, segundo ela, teria tomado medidas equivocadas, temerárias e irresponsáveis com o objetivo de se reeleger. Até o seu governo, o Brasil vinha acompanhando o crescimento mundial, inclusive, superando crises globais. Agora, para avançar, o governo precisa reconhecer os erros, acabar com os ruídos na questão econômica e evoluir na agenda das reformas. O dinheiro acabou, diz ela, e a classe política mesmo em baixa, age de forma pragmática.


Zeina observa que as mudanças econômicas precisam ser feitas e é necessário acertar, depois de tantos equívocos. Para ela, é o que vem acontecendo. A queda na inflação seria um sinal importante. Ela lembra que o país caminhava para um quadro de estagflação, com todos os indicativos de que havia o risco de uma espiral inflacionária, na casa dos 10%, com o dólar chegando a R$ 6 em 2018 e 2019. Com as mudanças na economia, a febre do paciente cedeu. O governo entendeu, segundo Zeina, que a questão fiscal era a causa da crise e estabeleceu uma estratégia com medidas estruturais e revisão das políticas públicas.

Otimista, acredita que o pior já passou. Todos os setores, de acordo com ela, têm apresentado indicadores melhores. A expectativa de se fechar com a taxa Selic próxima de 7% e a interrupção do percentual demissões, há quatro meses, bem antes do previsto, são evidências disso. No ano que vem, Zeina acredita que o país vai colher os frutos dessas ações, mas alerta que tudo vai depender do processo eleitoral. Para ela, o declínio da taxa de desemprego vai ajudar a sociedade a ter mais confiança ao votar e dará menos espaço para candidatos oportunistas e para uma agenda econômica de ruptura.




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