Saúde

Mitos x verdades

Informação segura é indispensável para o diagnóstico precoce do câncer de mama, a principal arma contra a doença
Miriam Gomes Chalfin
202 - 11/10/2017

Fábio Dias e Pedro Vilela

Alguma vez na vida você já deve ter ouvido que o uso de desodorante ou determinado tipo de sutiã causa câncer de mama. Ou que prótese de silicone aumenta o risco da doença. Afirmações absurdas como essas não passam de lendas! A grande verdade nessa história é que informação segura é essencial para o diagnóstico precoce, a principal arma contra a neoplasia mamária – o tipo mais comum de câncer entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por 28% dos casos novos a cada ano. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), são esperados, para 2017, 57.960 casos novos de câncer de mama feminina no país, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. Além de possuir a maior incidência, a doença também é responsável pela maior mortalidade na população feminina: 15.403 mortes em 2015 (Datasus).
“O número tem aumentado, mas isso não tem causa definida. A grande questão do câncer de mama hoje é que o rastreamento tem sido feito de forma mais eficaz, o que leva à detecção mais precoce”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais (SBM-MG), Waldeir José de Almeida Júnior, mastologista do Hospital Mater Dei e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. E é nesta tecla, do diagnóstico precoce, que a SBM vem batendo todo ano no Outubro Rosa. Nesta edição, a campanha vem com o mote Contra o câncer, pela vida!. “Queremos que a mulher tente afastar os fatores de risco modificáveis, com ênfase na prevenção da obesidade e na prática de atividades físicas regulares. Além disso, chamar a atenção para o rastreamento adequado do câncer de mama, com mamografia feita anualmente após os 40 anos e, em alguns casos, com a realização de exames complementares, como ultrassonografia e ressonância magnética de mama”, destaca o médico.
Segundo ele, a mulher deve procurar o mastologista quando notar algo errado na mama, como, por exemplo, um nódulo de crescimento rápido e que não regride. Entretanto, o aparecimento de um caroço não significa que seja câncer. “Isso é mito. A maioria dos nódulos é benigna”, diz. Outra inverdade é que dor na mama seja um sinal da doença. “Na maioria das vezes, o câncer só dói quando o tumor está muito desenvolvido. Normalmente, a dor nas mamas ocorre por alterações hormonais (como no período pré-menstrual)”, explica o médico. Ele também lembra que estresse e depressão não provocam câncer. 

DivulgaçãoOutro mito é com relação à idade: a neoplasia mamária pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo que 23% dos casos são em mulheres com menos de 50 anos. A vendedora Cristiane Lopes de Oliveira, 28 anos, teve câncer de mama aos 25. O diagnóstico precoce foi essencial. “Quando recebi a confirmação da doença, fiquei sem chão. Mas conversei com minha médica e fiquei mais tranquila porque ela me disse que, por eu ser jovem e ter boa saúde, tinha grande chance de cura”, conta. Para manter a imunidade em alta, Cristiane começou a participar de grupos de Facebook, nos quais pôde conhecer histórias e compartilhar dúvidas e medos. “Hoje, continuo nos grupos e ajudo outras pessoas. Explico muitas coisas e conto minha história, como forma de dar força e esperança”, comenta.
A professora e engenheira civil Elaine de Oliveira Mascarenhas, 62 anos, teve câncer de mama em 2002, aos 47, e em 2012. Ambos os casos foram detectados precocemente. Agora, ela faz mamografia semestralmente e tem acompanhamento com mastologista e oncologista. “A gente faz uma reflexão muito grande. Passei a valorizar coisas mais importantes. Gosto de prestar atenção no céu, nas flores, nas crianças. Fiquei mais atenta a isso tudo, curto muito mais”, ensina.
O médico Waldeir José frisa que somente a biopsia é capaz de confirmar o câncer de mama e que, com o diagnóstico em estágio inicial, a chance de cura chega a 100%. Ele lembra, ainda, que somente 5% a 10% dos casos de neoplasia mamária são hereditários. “Fatores comportamentais, como ingestão de bebidas alcoólicas, consumo de alimentos gordurosos e sedentarismo, aumentam o risco relativo de câncer de mama” alerta. Obesidade e sobrepeso, menarca antes dos 12 anos, menopausa após os 54 e gestação tardia, depois dos 35, também são fatores de risco. Já a amamentação e exercícios físicos regulares são fatores de proteção. “A realização de 150 minutos de atividade aeróbica por semana reduz em 20% o risco da doença”, exemplifica o mastologista.




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