Artigo

Mazelas Políticas

Wagner Gomes
202 - 11/10/2017

Nessa casa de mãe Joana em que se transformou nossa seara política, o filósofo e jornalista Hélio Schwartsman definiu bem o ex-presidente Lula: “Minha impressão é que ele vai se transformando numa espécie de Maluf da esquerda”. Matou a pau. Fico imaginando Carlos Lacerda nos tempos atuais. Em seu tempo, e na falta de um piromaníaco de plantão, ele botava fogo no país, com sua língua ferina e assertiva. Sem meias palavras, detonava os malfeitos, canalizando a indignação coletiva e verbalizando-a na consciência da nação.
Diante da pasmaceira e da indiferença das ruas que ainda ontem explodiam em protestos, os políticos deitam e rolam em novas artimanhas, para que possam encobrir ou minimizar o estado surreal das coisas. Um exemplo típico de malandragem é a criação da fajuta CPMI na qual mais de um terço dos integrantes foram financiados pelos investigados e que será relatada, de encomenda, pelo indefectível deputado Carlos Marun (PDMB-MS), para apurar os empréstimos do BNDES ao grupo JBS. Ela visa, essencialmente, constranger o processo de apuração das denúncias contra o governo Temer. Pretende comandar um circo de horrores, mambembe e capenga para confundir a opinião pública. A pasmaceira é tamanha que nem o PT consegue mobilizar sua tropa de choque para pressionar por qualquer tipo de política, agora que não mais conta com o financiamento promovido pelas aves de rapina que surrupiavam as estatais para promoverem a baderna em grandes manifestações.
Os partidos e a política não mais atraem nem mesmo militantes fiéis. Acuados, os profetas do apocalipse promovem um tiroteio e, ao mesmo tempo, lançam balões de ensaio por meio de uma falsa reforma política, recheada de janelas de traições, para que todos possam agarrar os coletes salva-vidas e singrar em novas direções, sem dor na consciência. Ninguém está interessado em mudar o estado de coisas. Podem ensaiar e fingir que acreditam no velho e surrado discurso indignado, clamando pelo fim da impunidade. No entanto, o que pretendem é disseminar a falsa ideia da vitimização do bandido.




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