Empresa

Casa pré-fabricada

Em uma história marcada por apostas certeiras e estratégias criteriosamente calculadas, Clube Chalezinho completa 15 anos e se reinventa mais uma vez
Fernando Torres
202 - 11/10/2017

Pedro VilelaEra uma vez, em um chalé nas montanhas... A semelhança com os contos de fadas para por aí. Aberto em 1979, na Savassi, o restaurante Era uma Vez um Chalezinho evoluiu para uma holding com 12 empreendimentos, saga sublinhada por business e jogadas criteriosas. Braço principal do grupo, o Clube Chalezinho, detém hoje 30% do faturamento e completa 15 anos em meio a uma onda de inaugurações.
O abre-alas é a drinqueria Jabu, ao redor de uma jabuticabeira a céu aberto, que apresenta uma carta de coquetéis engenhosos – como o The Laboratory, servido em tubos de ensaio. Já o Quintal do Chalé abriga eventos de gastronomia e música no estacionamento, decorado com objetos antigos e um grafite de 600 m². “As mudanças deixaram a casa mais eclética, de eventos para a família a festas madrugada adentro”, descreve o novo gestor, Elzio Pereira.


Essa é a terceira metamorfose do Chalé. A primeira foi em 2006, quando a casa, ainda no Seis Pistas, ganhou o conceito de lounge. Na sequência, em 2012, o Clube surpreendeu ao inaugurar o bangalô de 4 mil m² no Estoril. Os novos ares fizeram bem. “Construímos a infraestrutura do zero. O cabeamento do palco, por exemplo, é todo subterrâneo, e a circulação do staff fica 100% nos bastidores”, exemplifica Ralph Marcellini, sócio-gestor do Grupo e filho do fundador, Antonio Marcellini.


O alto investimento, na cifra de R$ 5 milhões, só não contava com a derrocada das casas noturnas – nomes de longa data, como a Baronetti, no Rio, e a Pink Elephant, em São Paulo, fecharam as portas em efeito dominó. “Sentimos a crise bater em 2016. A margem de lucro apertou muito”, recorda Ralph. Foi aí que os oito gestores se trancafiaram por duas semanas em um hotel fazenda com a missão de desenhar novas estratégias. “Percebemos que o antigo conceito de boate havia ficado ultrapassado. As pessoas queriam se divertir em lugares mais coloquiais e abertos”, observa.


Nessa linha, o Chalezinho saiu na frente, pois o projeto da arquiteta Irma Lara já contava com áreas descobertas, com direito a terraço, árvore e lago. Faltava ampliar o público. Um processo judicial, em 2016, por uma jovem que alegou ter sido impedida de entrar por “não se enquadrar no perfil”, acendeu a luz vermelha. Mas a equipe aprendeu com o imbróglio. “Nossa slogan explicita que queremos atender todas as tribos. Somos uma casa democrática”, garante Ralph.


O grupo ainda investe em qualificação: todos os anos, leva parte dos funcionários – só no Chalezinho, são 250 – para imersões em cases como o Walt Disney World e Las Vegas. E os negócios só crescem. Em 2018, o Vila da Serra deve receber de volta o Era uma Vez um Chalezinho, na torre que está sendo erguida onde o Clube se estabelecia. Ciclo fechado? “Nada disso. Nosso olhar é para o futuro”, afirma Ralph.




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