Cultura

Sensibilidade Visível

Galeria Errol Flynn recebe até 14 de outubro 83 pinturas  sete cerâmicas do pintor e escultor Antônio Poteiro
Maíra Leni
202 - 11/10/2017

divulgaçãoSensível, intuitivo e quase mineiro, Antônio Poteiro chegou ao estado com somente 1 ano de idade. Natural de Portugal, Poteiro foi um grande pintor e escultor, com reconhecimento internacional.


Na capital, a galeria de arte Errol Flynn, na Savassi, recebe a exposição Poteiro, o colorista do Brasil até 14 de outubro. A galeria que leva o nome de um dos negociadores de arte mais conhecidos de Minas, o já falecido Errol Flynn, começou sua coleção em 1976. Hoje, possui grandes títulos, entre eles, obras do próprio Flynn, que também se arriscou em fazer pinturas em tela.


Segundo Errol Flynn Jr., curador da galeria, o artista, desde novo, atiçado pelo pai, já se aventurava a fazer esculturas e pinturas em tela. “Tive a oportunidade de conhecê-lo em vida. Fiquei muito próximo dele. Apesar da morte, ele continua muito vivo em todas as peças que fez. E o Instituto Antônio Poteiro, em Goiás, mantém isso muito vivo também. Essa exposição é a maior que ele já teve. Nem em vida aconteceu uma exposição maior que essa”, conta.


divulgaçãoO artista começou fazendo trabalhos em barro e teve obras expostas em países como Alemanha e Japão. Com o passar dos anos, migrou para pinturas em tela e em cerâmica. Suas referências religiosas e diversidade temática trazem sensibilidade para quadros como O cavaleiro, Brasil e Os músicos. A galeria está aberta para visitantes e compradores de segunda a sexta, das 9h às 19h, para apreciarem ao todo
90 peças, sendo 83 pinturas e sete cerâmicas. Para Errol Flynn Jr., o trabalho do artista é inigualável. “Acredito no sucesso absoluto dessa exposição devido à rica qualidade do trabalho e ao nome forte do artista. Ele tinha uma sabedoria ímpar, sonhava em ser poeta e acabou trazendo suas poesias para as telas e esculturas projetadas. Nesses 17 anos de trabalho, nós fizemos mais de 20 exposições individuais, 20 coletivas e mais de 80 leilões de arte. Mas essa mostra é diferente. Envolve muito carinho pelas telas e pelas cerâmicas”, descreve.

O Instituto Antônio Poteiro foi o responsável por entregar todas as obras à galeria. Fundado em 2011, para preservar a história e as obras do artista plástico, que se destacou no campo das artes visuais, a entidade vendeu as obras à galeria. O presidente do instituto, Américo Poteiro, é filho do artista e seguiu os mesmos passos do pai, como pintor e escultor. “Estou muito animado com a exposição em BH. As obras integram várias décadas. Meu pai nunca usou mecanismos artificiais. Ele sempre trabalhou ressaltando a pureza e a delicadeza da vida humana”, recorda.


As nuances das obras que imprimem uma arte viva e de movimento são o que chamam a atenção de quem conhece a trajetória do artista. Para a curadora e crítica de arte Guiomar Lobato, Poteiro dispensou a sabedoria técnica e atingiu o objetivo da arte, que é sensibilizar o observador. “Ele atingiu isso sem recursos técnicos. As obras dele tinham uma pureza. Apesar de serem obras naïf (estilo a que pertence à pintura de artistas sem formação acadêmica sistemática), tem espiritualismo. Era a forma como ele via o mundo”, esclarece a crítica.




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