Artigo

Desilusão de um brasileiro

Paulo Paiva
203 - 01/11/2017

No ano que vem, o brasileiro comum vai celebrar o trigésimo aniversário da Constituição cidadã, que guia o estado democrático de direito no mais longo período de liberdade já registrado neste país. Grande conquista que trouxe esperanças de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Sonho do brasileiro comum.
No ano que vem, o brasileiro comum vai também escolher o presidente da República, o governador de seu estado, senadores, deputados federais e estaduais. Rito que se faz a cada quatro anos. Rotina da democracia conquistada e prezada. Esperança de que, desta vez, sua voz há de ser ouvida. Sonho renovado.
Estará lá ele, brasileiro comum, sempre esperando por essa oportunidade para ver as coisas mudarem. Oportunidade que brota do seu sonho de ver a prosperidade e a equidade chegarem. Sonho tão grande como o da esperança de tirar a sorte grande. Desta vez há de ser diferente, pensa o brasileiro comum.
Qual o quê! Sempre a mesma coisa. Promessas, promessas e o brasileiro comum vendo o tempo passar, sua esperança, “aflita, bendita”, como cantou Chico Buarque, se esvaindo até, quem sabe, um dia, uma nova eleição.
Até lá, o emprego não chegou, o salário não aumentou, a consulta de sua mulher no médico do SUS não foi marcada, nem vaga na escola pública para seu filho foi conseguida. Até lá a violência aumentou, o sonho da casa própria acabou.
Até lá, de paletó e gravata, carro oficial preto, motorista particular e secretária, os que foram eleitos estão se arranjando com propinas, coisas e tal, esperando o seu voto.
Ah! As eleições estão chegando. Em menos de um ano será a hora de novas escolhas. A hora de sonhar com o futuro. E está lá ele, brasileiro comum, esperando por nova eleição, para renovar suas esperanças. Quem sabe agora?
Nessa hora, não se esqueça, brasileiro comum, dos versos de Paulinho da Viola “Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado/Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado”.




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