Artigo

Economia e Política dissociadas?

Wagner Gomes
203 - 01/11/2017

Henrique Meirelles se porta como um nome para a disputa presidencial de 2018, por lhe atribuírem grande sucesso na condução de nossa economia. No entanto, não consigo enxergar um crescimento sustentável, em um horizonte de médio prazo. Persiste, latente, o velho conflito entre os ajustes econômicos e a estabilidade política. Temer foi engolido por um vendaval de denúncias que o obrigou às concessões em todo o seu credo econômico. Em seu governo a política desmoralizou a verdade e, através de um grande balcão de negócios, retroalimentou uma velha estrutura viciada, também conhecida pelo sutil codinome de “toma lá, dá cá”, para se manter no poder.
A recente aprovação do novo Refis deixou-nos temerosos de que a correta postura de honrar obrigações tributárias se transforme em nódoa ardilosa representada pelo axioma do caloteiro. A estabilização econômica está longe de ser atingida, apesar da queda consistente da inflação. A tímida elevação do PIB se assenta, de forma artificial, no aumento temporário do consumo, fruto da generosa liberação e saque de R$ 44 bilhões do FGTS. Além do valor dedicado ao consumo de boa parte dessa parcela, outra fatia importante foi utilizada no pagamento de dívidas, permitindo que o trabalhador possa voltar a endividar-se. Nesse enfoque, outro ciclo fugaz de crescimento nos mesmos moldes poderia se estender até o próximo ano, hipótese robustecida pela liberação de mais R$ 16 bilhões do PIS/Pasep, já em plena época de saque.
Findo esse efeito, teremos um encontro com a realidade nua e crua, na qual permanecerão as condições que atrelam o crescimento da dívida pública ao déficit crescente e desordenado. Como é difícil defender o indefensável, e após Meirelles andar pedindo orações para a nossa economia, rendo-me às evidências, para adotar “a teoria do exame das provas acima de dúvida razoável”, do desembargador João Pedro Gebran Neto. Caso não seja aprofundado o ajuste fiscal e deslanchada a reforma tributária, como diria o presidiário e novo guardião de nosso vernáculo, Wesley Batista, “Nóis vai pagá prá vê quando chegá 2019”. E Cármen Lúcia, hein, quem diria?




Comentários