Viver Fashion

Fiéis ao próprio DNA

lucas rocha
203 - 01/11/2017

divulgaçãoFoi-se a época que falar de moda significava diretamente ditar tendências. Graças à revolução digital, as mudanças e crises do mercado e, principalmente, ao novo momento social com o empoderamento da individualidade de cada um tem resultado em uma moda que quer ser mais autêntica, criativa e com uma necessidade latente de sempre se renovar e expressar mais do que apenas vestir. E parece que essa nova fase finalmente começa a dar o ar da graça no Minas Trend, que no último mês chegou a sua 21ª edição, apresentando coleções para o outono/inverno 2018.
O próprio line-up de desfiles já adiantava que o evento, que comemora 10 anos em 2017, teria uma cara já renovada com a inclusão de marcas jovens e proposta bem diferente à moda festa já consolidada em solo mineiro. Grande exemplo disso foram as estreantes Molett e LED, sendo que esta última fez sua estreia em passarelas na última edição do SPFW, mostrando que a moda tem andado cada vez mais perto das discussões sociais. Logo, o que se viu na passarela foram peças que podem transitar facilmente pelo armário masculino e feminino. São peças que priorizam o conforto em modelagens amplas e oversized. O toque chic fica na forma preciosa de trabalhar os tecidos como o moletom e o brilho envernizado.
Vivendo um novo momento da carreira, após deixar o grupo Nohda, Lucas Magalhães mostrou que sua criatividade realmente não deve ser podada. Inspirado pela forma despretensiosa de olhar para a arte de rua e o que ela quer expressar, o mineiro apresentou peças que brincam com a alfaiataria e mistura de peças despretensiosas como t-shirts. Destaque para os conjuntos de parkas e calças estampados. 

Sabendo que no Brasil dificilmente o inverno traz consigo baixas temperaturas, a grande aposta é investir em peças atemporais e bem pensadas, caso do inverno da Anne Est Folle com produções fluidas e amplas e uma estamparia mais abstrata, fora do convencional. A alfaiataria moderna e assimétrica da Bobstore é uma boa pedida também, principalmente para quem gosta de flertar com o estilo minimal e neutro.
No outono/inverno 2018 a cartela de cores vai dos 8 aos 80 com muita facilidade, tendo o branco e suas variações de tons mais claros como um toque de frescor e o vermelho e laranja para esquentar a temporada. Quanto o assunto é acessórios, a máxima de misturar e quanto maior melhor é um bom caminho na hora de montar os looks do dia, como visto no desfile do Sindijoias.

Barbara DutraNos corredores do salão de negócios, mesmo que nos mínimos detalhes as marcas buscam se renovar. A moda festa investe em novas formas de bordado, como o 3D, que valoriza o trabalho artesanal, os decotes frontais tendem a ficar menos sinuosos dando destaque para os ombros, assim como as peças separadas em top e saia que possibilitam uma gama maior de looks. Para as produções românticas, mais leveza e fluidez, com babados e muitas formas de usar o plissado.
O veludo molhado continua sendo usado como tecido queridinho que, por vezes, acaba sendo utilizado para compor produções que fazem mix de até três texturas em um look só. A jaqueta bomber que já chegou para ficar ganha a companhia das parkas, ambas ganhando status mais chic com muitos bordados e aplicações de patches. Ensaiando voltar para os closets há algum tempo, as plumas, penas e pelúcias tentam emplacar de vez nessa temporada em versões mais minimalistas e de bom gosto.
Sempre cíclica ao buscar suas inspirações, a moda volta no tempo (mas não tanto tempo assim) e traz o estilo despretensioso dos anos 1990 e o início dos anos 2000, com peças cheias de referências da cultura pop da época, o jeans largadão skatista destroyed, as peças com aplicações de pequenas correntes e saias-shorts.




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