Carnaval

Cada vez maior

Belo Horizonte promete programação intensa de blocos e shows. Foliões já ficam na expectativa para os dias de festa
Lucas Rocha
205 - 05/01/2018

Quem ainda tinha esperanças de descansar e encontrar um pouco de tranquilidade em BH durante o Carnaval 2018 já pode mudar de ideia e fazer as malas. A festa, que se consolidou nos últimos anos, atraindo turistas de todos os cantos de Minas e de outros estados, promete crescer ainda mais na próxima temporada.
Os valores investidos adiantam infraestrutura e programação superiores ao ano passado. Para se ter uma ideia, BH receberá um aporte financeiro de R$ 3,59 milhões, patrocinados pela Do Brasil, empresa de projetos e eventos, incluindo ainda o custeio de um conjunto de serviços e estruturas necessárias para o funcionamento da festa. Para efeito de comparação, em 2017, o aporte financeiro do patrocinador foi de R$ 1,5 milhão.
Pedro VilelaEntre as novidades, estão inclusos mais quatro novos palcos, nas regionais Barreiro, Leste (Vera Cruz), Norte/Nordeste e Venda Nova, e melhorias na estrutura dos desfiles das escolas de samba e dos blocos caricatos. “Com o patrocínio, conseguimos gerar mais segurança e conforto. Assim como também percebemos o reconhecimento do potencial econômico do Carnaval, que vem gerando cada vez mais negócios, receitas para o município e movimentando toda a cadeia do turismo”, comenta o presidente da Belotur, Aluizer Malab.
No quesito programação, além dos mais de 350 blocos de rua que arrastam milhares de belo-horizontinos, a exemplo do Garotas Solteiras, Juventude Bronzeada, Então, Brilha e Baianas Ozadas (que neste ano homenageia o cantor Carlinhos Brown), as festas privadas não pouparam esforços para movimentar as noites com os maiores nomes da música na atualidade. No Mirante BH, no bairro Olhos D’Água, o lineup de shows inclui apresentações de Wesley Safadão; Dennis DJ, com participação dos MCs Livinho, Delano e Don Juan; os cantores Durval Lelys e Tiago Abravanel; o DJ holandês Armin van Buuren; Banda Eva; Buchecha e a maior diva brasileira da atualidade, a cantora Anitta, que desembarca na cidade na terça-feira de Carnaval. A expectativa do evento é grande, uma vez que, em 2017, 30% dos foliões vieram de São Paulo, Rio de Janeiro e do Distrito Federal.
Na outra ponta da cidade, outras duas cantoras prometem causar no Carnaval mineiro. O Bloco da Pan, realizado na Esplanada do Mineirão, apresenta os shows de Pabllo Vittar e Ludmilla no sábado de Carnaval, ainda com a presença especial de Mateus Carrilho, ex-vocalista da Banda Uó.

Esquentando os tamborins
Histórias e expectativas de quem já conta os dias para o começo da folia em 2018

Pedro VilelaRicardo Domingos (63) e Carla Dulceti (53)
“Começamos a frequentar o Carnaval há uns três anos, quando a avó da minha esposa estava internada. Do hospital, ouvimos a música de um bloco que passava por perto e fomos conferir de perto. Quando começamos a sair como foliões, tomamos gosto pela coisa e começamos a tocar nas baterias dos blocos. Inclusive, já aprendemos diversos instrumentos, ampliando muito nosso círculo de amizades. Quando vendi meu primeiro surdo, a pessoa que comprou tirou a ‘pele’ dele, que tinha os adesivos de todos os blocos em que eu havia tocado, fez um quadro e, depois, me presenteou, tudo sem eu saber de nada. Embora já tenha passado dos 60 anos, me sinto muito jovem espiritualmente. Na primeira vez em que acompanhamos um bloco, um grupo de jovens veio até mim. Todos me beijaram na bochecha falando que, quando fossem velhos, queriam ser iguais a mim, uma coisa que vou guardar pra sempre”, conta Ricardo que tocará em oito blocos em 2018, enquanto a esposa, Carla, tocará em 12.

Marcela Pieri (28)
“Quando o Carnaval de BH começou a crescer, lá em 2011, eu fazia intercâmbio em Portugal e conversava muito na internet com um dos fundadores da banda e do bloco Juventude Bronzeada, que acabou se tornando meu marido. O primeiro cortejo do Juventude aconteceu em 2014 e eu entrei de cabeça, participando não só da organização, mas também de todas as discussões que surgem por causa e a partir do Carnaval. Em 2017, me marcou muito um dos voluntários que ficou no cordão da nossa bateria, no cortejo, cantando todas as músicas, inclusive as que são autorais do Juventude. No dia seguinte, ele se identificou em nossa página do Facebook, contando que havia sofrido um ataque homofóbico no domingo e quase desistiu do Carnaval, só voltando por insistência dos amigos, no dia do nosso bloco. Ele disse que havia sido incrível e que a troca de energia com as pessoas ali trouxe de volta a esperança de que o Carnaval ainda pode ser legal e uma festa para todos”, relembra Marcela Pieri, produtora do bloco Juventude Bronzeada. 




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