Artigo

Quem tem medo do licantropo?

Wagner Gomes
205 - 05/01/2018

Lula usa e abusa de sua “característica falta de leitura” para se nivelar com a linguagem do povão, apresentando-se como vítima de uma conspiração. Andou falando, até, em escrever uma nova Carta ao Povo Brasileiro – puro oportunismo eleitoral – assumindo compromissos com a classe média, que nele não confia mais. Pudera. Assim como seus sucessores, Lula compartilhou o poder com a escória política, montando uma fábrica de novos ricos, escudada no caixa dois, para abastecer campanhas eleitorais. Ancorados na impunidade, formaram um cafofo, fazendo-o florescer como uma indústria do crime organizado.
Bolsonaro vai explorar tudo isso na campanha de 2018, de forma tão ardilosa e agressiva quanto aquela praticada por seu oponente. Enquanto Lula tem fiéis seguidores entre aqueles que o consideram pai dos pobres, o ultradireitista Bolsonaro vê crescer o apoio entre eleitores que têm medo de voltar ao passado recente, ignorando os tempos sombrios mais remotos. Esses dois, que tentam colocar fogo no mundo e desestabilizar a economia, verão o mercado se insurgir contra eles. Ao partilharem um confronto belicoso cheirando a enxofre, estimulam a esperança do nascimento de uma candidatura vitoriosa, ao centro.
Ainda que boa parte do STF se oponha, sem cessar, a que se aja com justiça, tempestivamente, quem sabe, consigamos quebrar essa triste sina de ficarmos com poucas opções de mudarmos o país. Quanto ao Congresso, os eleitores deverão se unir ao movimento Vem Pra Rua para defenestrarem os fichas-sujas, por meio de campanha vinculada ao projeto Tchau, Queridos, que promete muito estardalhaço.
É nesse vácuo que pode emergir uma alternativa concreta – um outsider do tipo Joaquim Barbosa. Nesse caso, poderíamos escolher alguém confiável, dotado de coerência e de firmeza, que consiga navegar entre os extremos, que faça a polarização ocorrer entre limpeza ética e corrupção, desviando-a do foco entre esquerda e direita. Assim prevaleceria a máxima de que, até anatomicamente, a virtude sempre converge para o meio. vb




Comentários