Artigo

Eleitores omissos

Paulo Cesar de Oliveira
206 - 05/02/2018

Quem espera ver o fim da corrupção no país, como resultado da Lava Jato, a maior delas, e outras operações em curso ou já concluídas, pode ir contendo seu entusiasmo. Corrupção não tem fim com processos e prisões. É muito mais uma questão de mudança de atitude da população. A advertência não é de nenhum teórico.Ela é do ex- procurador italiano, conhecido como o czar anticorrupção do país, Rafaelle Cantoni, que atuou em vários processos envolvendo a máfia de seu país. Para Cantoni, “enquanto os eleitores considerarem que corrupção não é problema deles” as investigações não terão efeitos transformadores na sociedade. Pegam-se os pequenos, permanecem os grandes.
O Brasil é um vasto campo de comprovação da tese do italiano. Em todos os níveis de poder, o que se vê é corrupto carimbado exercendo mandato ou cargo público.É bem verdade que não são corruptos condenados pois, afinal, nosso Judiciário não tem o dinamismo que se espera dos que têm a responsabilidade de punir quem não tem respeito pela coisa pública e pelo mandato que recebeu nas urnas. Se nosso Judiciário é lento, confuso em suas decisões, nossos eleitores são omissos, irresponsáveis mesmo. E que não venham com o discurso de que o eleitor se afastou da política, enojado com as ações dos políticos. Não é verdade. Somos historicamente omissos.
Foi deste tipo de comportamento que surgiu a figura do rouba, mas faz, lá pelos anos 1950, eleito. Como o paulista Adhemar de Barros, o também paulista Paulo Maluf sempre se elegeu pela compreensão que o eleitor tem sobre a corrupção, que a aceita, desde que receba vantagens, diretas ou não. Somos nós que alimentamos a corrupção mantendo o poder de corruptos e elegendo novos bandidos, que já não podem nem mesmo usar o slogan rouba, mas faz pois apenas roubam. Mas, apesar da verdade que apenas prender os responsáveis pelos malfeitos não elimina a corrupção, é preciso que a perseguição a eles seja implacável. Assim pelo menos conseguimos manter o equilíbrio na relação corruptos/omissos. Já é alguma coisa. 




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