Artigo

O que será, que será?

Wagner Gomes
206 - 05/02/2018

Quando Collor sucedeu ao trapalhão José Sarney e caiu em desgraça depois de tantas mazelas éticas e econômicas, ainda assim conseguiu montar um ministério de notáveis, a exemplo de Célio Borja, Adib Jatene, Marcílio Marques Moreira, Celso Lafer, Eliezer Batista, José Lutzenberger e Ozires Silva, nomes que, num certo sentido, compensavam nulidades como Bernardo Cabral e Zélia Cardoso. Constato com tristeza a ausência de pessoas acima de suspeita nesse atual ministério chinfrim, para não dizer outra coisa. A equipe econômica, única exceção, já demonstra sinais de cansaço em razão do imenso balcão de negócios que Temer montou, em busca da reforma da Previdência.
A nação assiste, sobressaltada, a cada troca de ministro, a substituição do roto pelo duvidoso. Nesse processo cabuloso, o povo sabe o que é deixado para trás, mas nem imagina o que encontrará no sucessor. O cenário, além de medíocre, vexaminoso e patético, produz uma dispersão típica de desesperados. A Lava Jato explodiu como um tiro no galinheiro, fazendo com que as penas voassem em todas as direções, deixando nuas muitas de nossas vestes políticas. Se antes representavam a esperança, agora encarnam o pesadelo.
Justa ou injustamente, o cidadão coloca partidos e políticos no mesmo balaio de gatos, destinando-lhes, com escárnio, uma hostilidade crescente. Os candidatos até então ventilados para concorrerem à presidência – aí incluído Lula, que se julga o homem mais honesto do país – são objetos do descrédito coletivo e não se mostram imbuídos dos valores necessários para empolgar uma eleição. Esse fenômeno reduz nosso estoque de homens e ideias confiáveis, dispostas a enfrentar esse desafio.
E o que pode resultar de tudo isso, após o desembargador João Pedro Gebran Neto, desmascarar todo esse esquema de governo viciado e corrupto? A não ser que surja um outsider que consiga aglutinar valores ao seu redor, corremos o risco de eleger alguém que possa – aliás, vai! - encontrar um ambiente turbulento ao assumir o poder, tornando-se refém dessa verdadeira herança maldita. 




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