Especial Nova Lima

Refúgio nas montanhas

Que tal dar uma escapada da rotina estressante da capital e aproveitar os atrativos de Macacos?
Marcelo Moreira
206 - 05/02/2018

Pedro VilelaRodeada de cachoeiras, riachos e montanhas, esse charmoso vilarejo, localizado a 25 km do centro de Belo Horizonte, tem encantado e atraído cada vez mais turistas, que chegam de dentro e fora da capital. Além das belezas naturais e do clima sempre agradável, o lugar é rodeado de pousadas, bares, restaurantes, além de feiras livres e pequenos eventos, que sempre são um convite para uma tarde com amigos, ou mesmo um fim de semana especial.
Na verdade, o arraial de Macacos se chama São Sebastião das Águas Claras e começou a ser ocupado ainda no século 18, com a descoberta de ouro na região. E veio justamente daí a origem do apelido. Os portugueses chamavam de “macacos” os contrabandistas de ouro que usavam as trilhas da região para realizar o contrabando, com o tempo, essa região ficou conhecida como a “região dos Macacos” e o nome perdura até hoje.
Um dos pontos mais famosos do arraial é a igreja de São Sebastião, localizada no centro de Macacos e tombada pelo Conselho Consultivo Municipal do Patrimônio Histórico de Nova Lima. Sua construção data de 1718 e seu interior abriga um acervo com destaque para algumas imagens sacras em madeira, além do altar-mor, bem como o cruzeiro, localizado na fachada. A capela passou por uma restauração, no fim da década de 1980, mais especificamente em 1988, que manteve suas características originais.
Todos os anos o arraial faz uma grande festa para comemorar o dia de seu padroeiro, são Sebastião. Uma curiosidade com relação a essa festa é que o dia de são Sebastião é 20 de janeiro, mas, em Macacos, a data foi transferida para o último fim de semana de agosto. Tudo porque janeiro é um mês muito chuvoso na região, o que poderia atrapalhar os festejos.
Para quem gosta de aventura e é um pouco mais radical, a melhor pedida é fazer o passeio de quadriciclo, que percorre a maior parte do arraia. Em 1h30 de passeio, os turistas percorrem um trajeto em meio à mata nativa e, em alguns trechos, passam no meio dos riachos. Quem oferece esse serviço no distrito é a Quadri Adventure e o agendamento deve ser feito com antecedência. Os passeios acontecem aos sábados, domingos e feriados.
Fomentar mais eventos na região tem sido a política da Secretaria de Turismo de Nova Lima para atrair mais turistas para o arraial. Segundo a gestora de Turismo Fabiana Giorgini, o objetivo maior é aproveitar todo o potencial que Macacos tem para fazer o derrame de turistas pelos outros polos do município, como Seis Pistas, Alphaville, dentre outros. “Estamos tentando que as pousadas ofereçam pacotes que integrem essas regiões. O hóspede fica em Macacos, mas pode ir para a lagoa dos Ingleses e praticar esportes náuticos, por exemplo, ou mesmo conhecer o centro histórico da cidade, com arquitetura de influência inglesa”, explica Fabiana.

Pedro VilelaComo a região é cercada por montanhas e mata, o arraial também é conhecido por abrigar uma infinidade de trilhas, inclusive a Trilha das Perdidas, considerada uma das melhores do país. Por isso mesmo, o distrito é “invadido” todos os fins de semana por centenas de trilheiros, que buscam fugir do estresse da cidade grande, ter um pouco de descanso e muita adrenalina.
Outra atração, mais tranquila, desta vez, é conhecer a feira livre, que acontece todos os sábados, a partir das 10h. Também vale a pena conhecer e adquirir alguns artigos de artesanato e gêneros alimentícios no Clube Cultura Café do Instituto Kairós. O espaço, reaberto em 2016, democratiza o acesso da população a produtos de qualidade, com ingredientes selecionados na região, que causam baixo impacto ambiental e com preços acessíveis, sem intermediação do preço para o consumidor final.
Quem não abre mão da tranquilidade que é o publicitário Rodrigo Simões, que mora em um condomínio ao lado de Macacos há 18 anos. Segundo ele, o melhor da região é justamente essa cara de interior, principalmente ao longo da semana. “É um passado gostoso e muito aconchegante. Minha dica para quem está de passagem é caminhar pelas ruas, ou mesmo as trilhas na mata e visitar as cachoeiras. Eu brinco que Macacos é uma aventura gastronômica em meia à natureza, é imperdível”.
Pela curta distância até a capital, muitos belo-horizontinos optam por ir a Macacos e voltar no mesmo dia, mas para quem pretende passar a noite, opções de pousadas e alojamentos não faltam. Caso esteja de ônibus, uma dica é buscar pousadas que ficam mais próximas ao centro, mas, se estiver de carro, existem outras opções um pouco mais distantes e com vista para as montanhas de tirar o fôlego.
Algumas das pousadas preferidas pelos visitantes são Entre Serras, Seu João, La Dolce Vita, Vilarejo, Recanto do Chalé, Arco-Íris, Vila Solaris, Cheia de Graça e uma infinidade de outras, para todos os gostos e bolsos. Para Luís Carlos Rodrigues, proprietário da pousada Planeta Macacos, a crise financeira que assola o país há alguns anos tem reduzido o número de turistas no vilarejo, principalmente nos dias de semana. O estabelecimento, que possui 5 anos de funcionamento, tem uma grande estrutura, combinando pousada e restaurante, numa área de 8 mil m². “O arraial de Macacos tem um potencial muito grande, estamos muitos próximos da região Centro-Sul de Belo Horizonte, com uma clima super agradável, é uma bela opção para fugir do estresse da cidade. O vilarejo possui cerca de 300 suítes, o que é um convite para o pernoite, aproveitando todos os encantos que temos aqui.” 

Antes de ir
1 – Como o arraial tem atraído cada vez mais turistas, reserve sua pousada com antecedência para evitar sobressaltos.
2 – A maioria do comércio e pousadas funciona apenas aos finais de semana, portanto, vale a pena conferir, antes de ir.
3 – Ainda não há caixas eletrônicos no arraial e, embora uma boa parte dos bares e restaurantes já esteja aderindo ao cartão de crédito e débito, é bom reservar uma quantia em dinheiro para levar.
4 – O arraial também não conta com postos de combustível. É bom abastecer antes para evitar contratempos.
5 – As ruas do arraial são bem estreitas, então vai ser difícil arranjar lugar para estacionar. O ideal é deixar o carro em algum dos estacionamentos espalhados pelo centro.
6 – O clima no arraial sofre algumas variações ao longo do dia, então, mesmo que esteja quente durante o dia, à noite pode esfriar.




Comentários