Artigo

Insistência contra a violência

Hermógenes Ladeira
206 - 05/02/2018

Sobre a questão da segurança pública no Brasil, continuarei a clamar por medidas concretas em favor de toda a sociedade, mas, devo reconhecer, o clima é de desalento. Um médico é esfaqueado e morto dentro de um ônibus urbano no Rio de Janeiro (sempre o Rio). Mais um carro forte é explodido em São Paulo. Dezenas de caixas eletrônicos também. Uma jovem é estuprada em Belo Horizonte. O famigerado MST põe fogo em plantações no interior do Brasil e assim, sucessivamente, no país inteiro, a violência se repete a cada dia sem que nenhuma reação seja esboçada. Enquanto isso uma verba destinada à segurança pública nacional, não é utilizada nem pelo governo federal e tampouco pelos estados.
O descompromisso com a segurança pública é de fato uma unanimidade nacional. A única que parece subsistir em todos os níveis da administração pública. A Polícia Militar não se entende com a Polícia Civil e o estado não se entende com as duas. Policiais fazem greve, a justiça determina seu retorno às ruas, e nada acontece. Os estados pedem a presença das Forças Armadas, elas comparecem, mas nada podem fazer, pois não estão preparadas para a função de combater o crime. E nada acontece.
Penso que a população vem acumulando frustrações de toda ordem, e os políticos estão acomodados diante do quadro atual. Instâncias administrativas colidem em desentendimentos sobre a competência de cada uma. E assim, como se vivêssemos um quadro de incompetência generalizado, vemos as forças policiais colidindo entre si e a segurança pública abandonada ou quase isso.
As quadrilhas que operam o narcotráfico, são mais organizadas e já incluem armas pesadas em suas atividades de contrabando. As armas apreendidas demonstram de modo inequívoco essa nova atividade. Não posso entender que tais atividades criminosas não estejam entre aquelas que as forças federais não possam intervir. Cuidado, não sabemos o momento em que se vai romper o dique da insatisfação, mas o risco existe.




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