Artigo

Voto, a arma da cidadania

Sérgio Murilo Braga
207 - 05/03/2018

Parece que caminhamos por uma interminável trilha de escândalos, de generalizada corrupção, de desmandos e de condutas desprezíveis. Os poderes constituídos se confrontam em uma sucessão de recíprocas e infindáveis acusações, muitas delas, com sólidos fundamentos.
Mas há limites, e devemos atentar para eles. Para se ter uma idéia, a necessária intervenção civil no Rio – frise-se, trata-se de uma intervenção civil, não militar –, chegou a ter seu foco desferido contra o Congresso, que, prontamente, respondeu por meio do vice-presidente da Câmara, o deputado mineiro Fábio Ramalho (MDB).
As investigações, os inquéritos e as operações policiais se sucedem, atropelando os noticiários, tamanho o número de “atores”, “coadjuvantes” e “figurantes”. Não bastassem os germânicos 7 a 1, em pleno palco mineiro, os sonhos da Copa do Mundo, assim como das Olimpíadas, se transformaram em pesadelos de corrupção, superfaturamentos e mais investigações e operações policiais espalhadas pelo território nacional.
As lutas pelo poder parecem não ter limites.
É como se o país, a República, a sociedade, a economia, enfim, as pessoas, pouco importassem aos olhos daqueles que almejam o poder pelo poder. Pior: no momento em que o Brasil mais necessita de entidades sólidas e comprometidas, assistimos com tristeza um precipitado e inusitado debate eleitoral no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, entidade que tem o fundamental papel de ser porta-voz da cidadania.
A advocacia brasileira tem a responsabilidade constitucional, legal, institucional e histórica de não se curvar ao proselitismo da política baixa de conchavos e do coronelismo conduzido por supostos “caciques”. A sociedade clama por uma atuação independente e sóbria da advocacia, que não pode adotar os rumos da falida política partidária, nem tampouco nela se espelhar.
Não é possível que pessoas absolutamente descomprometidas com os interesses da sociedade que dizem pretender representar se arvorem ungidos a tal representação. A sociedade brasileira deve se “armar” e estar atenta a esse momento de transformação. E a única efetiva arma da democracia e da cidadania é o voto, elemento condutor de uma sociedade ou de uma classe ao seu destino. 




Comentários