Gastronomia

Com alma de boteco

Bar Zé Trindade tem clima despojado e cozinha elaborada
Renata Rocha
207 - 05/03/2018

DivulgaçãoSe Frederico Trindade fosse daqueles que se contenta com o que já realizou, poderia viver apenas mantendo os trilhos do restaurante de sua família, o Trindade, que vai muito bem, obrigado. Mas o chef é daquelas pessoas realizadoras que, mais do que um alquimista na cozinha e personagem importante do movimento de valorização da culinária mineira, é um visionário do mundo gastronômico.
Como empreendedor nato e criador de sabores que se mantêm na memória – por exemplo, o inigualável arroz de pato e polvo do Trindade –, Fred rearranjou seu modelo de negócios para expandir num formato que é a cara do mineiro: ambiente para quem gosta de gastronomia na versão que o belo-horizontino curte, o boteco, com seu ambiente mais informal e despojado. O resultado? O bar Zé Trindade, que funciona, desde janeiro, no Santa Lúcia, além do quiosque Fred Trindade, inaugurado neste mês no novo Mercado da Boca, no Jardim Canadá, um dos primeiros food halls do Brasil.
“O Zé Trindade foi o primeiro estabelecimento que abri, em 2008, mas tive que fechar para me dedicar ao negócio de minha família. Agora, estou retomando o sonho de abrir os botecos, que sempre foram meu xodó”, conta Fred. Tanta positividade está atrelada ao sucesso dos dois meses de funcionamento da unidade no Santa Lúcia. “O ambiente funciona como a praia do mineiro, com mesas na calçada e comida boa, porque é o que um verdadeiro boteco tem que ter”, descreve ele.
Em ambas as unidades, Fred usa produtos locais na hora de fazer os pratos com inspiração nas tascas portuguesas, sempre respeitando a sazonalidade dos alimentos. Lá, o arroz de pato é rei e é preparado à moda Solar dos Presuntos, tradicional restaurante de Lisboa. Tem, ainda, o “torresmin” de orelha com maionese de pimenta caipira, a carne de sereno da dona Azely Trindade, as pataniscas de bacalhau com requeijão de rapa, a coxinha de rabada, o clássico pão com linguiça e outras delícias que integram a culinária portuguesa e brasileira à moda de boteco.
Especificamente no Mercado da Boca, as expectativas do chef são altas. O espaço tem inspiração no design de grandes mercados da Europa, como o de San Miguel, em Madri, e o da Ribeira, em Lisboa. “É sempre divertido e desafiador criar um novo cardápio, principalmente quando se trata de um dos maiores empreendimentos gastronômicos do estado”, finaliza Fred. 




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