Conexão empresarial

Inclusão cidadã

Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência, diz que o Brasil perdeu a chance de debater crescimento consistente
Terezinha Moreira
Edição 128 - 23/05/2014

Conexão empresarial - Foto Tião MourãoO pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, foi o segundo palestrante do Conexão Empresarial Especial Presidenciáveis. O evento, promovido pela VB Comunicação no Espaço V, em Nova Lima, tem o apoio da Usiminas, Valspe, Anglo American, Embratel e MBR, com almoço a cargo do Club do Chef. Na avaliação de Campos, para falar sobre a impressão que tem do Brasil, é preciso voltar nos últimos 30 anos da história do país, que avançou em 3 ciclos consistentes, frutos de pactos sociais que se transformaram em políticos.  

O primeiro deles, a redemocratização, com a liderança do mineiro Tancredo Neves, que foi além, com outras propostas para o Brasil. O segundo, a instabilidade econômica, que contou com a participação do também mineiro Itamar Franco para começar a colocar o país nos trilhos, solidificando seu sistema financeiro. E, por último, o ciclo de expansão da economia, em 2008, apesar de 2009 ter sido ano muito duro, com bases clássicas Keynesianas e crescimento de grandes proporções. “Enquanto o mundo começava a passar por uma crise, o Brasil não viveu o debate para a fundamentação de um novo ciclo, que pressupunha a inclusão cidadã com a melhoria dos serviços públicos, o que não aconteceu”, lamentou Campos.

Em sua opinião, todos queriam que o Brasil desse certo, mesmo os que não votaram em Dilma Rousseff. “Mas, não deu. Até que em junho de 2013 a sociedade revelou uma crise de estagnação sob todos os aspectos. Houve sensação de crise de representação política e o resultado foi que o Brasil passou a crescer abaixo do mundo.” Ele criticou o fato de a indústria da transformação ter voltado ao mesmo patamar da era JK, com apenas 13% de participação na formação do PIB, ante os 27% registrados. “A balança comercial não responde como antes. Vários setores passaram por transformações, como a Petrobras, que é palco de situação que constrange todos os brasileiros e perdeu seu valor pela metade.”

Eduardo Campos disse que uma série de fatos gerou a chamada crise de expectativa e de insegurança, que é muito ruim para o futuro da economia. Para ele, o pacto social tem de ser interpretado constantemente pelos políticos. “O novo pacto social se revelou a despeito de suas representações políticas e aí é que está o desafio de se construir um pacto político diante desse social, com pessoas querendo participar cada vez mais da vida política do país.” Reconheceu que a vida dos brasileiros melhorou bastante da porta de casa para dentro, mas que a qualidade não foi alterada. Ele propôs a alavancagem da economia para que o país tenha mais competitividade externa e que o investimento em ciência, tecnologia e inovação é uma das saídas para isso. Campos defendeu a reforma política como a primeira a ser feita no Brasil, o fim da reeleição, com mandatos de 5 anos e unificação das eleições.




Comentários