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Elas viajam sozinhas

<p style="text-align: justify;">Nada melhor do que ter uma ótima companhia para viajar: você. Esta tem sido a preferência de 1 entre 4 brasileiras, que não se fazem de rogadas quando o destino são outras cidades ou países. Vão sozinhas porque querem, pela liberdade de fazerem o que desejam, porque não aguentam esperar que familiares ou amigos moldem suas férias ou tempo livre para que todos viagem juntos. O mais interessante é que aquele velho medo pela insegurança e pelo desconhecido, antes motivo tão comum para riscar do mapa o destino solitário, está totalmente sob controle. Isso porque a brasileira, principalmente a que vive num grande centro urbano, já tem uma série de hábitos para enfrentar a violência cotidiana. A modificação que faz questão de incorporar é quanto à cultura local – por isso, a cartilha é fazer um estudo sobre esses hábitos antes da viagem. E que ninguém venha falar sobre solidão – há momentos ruins, sim, mas os ótimos sempre estão em maior quantidade. Sem a dependência do outro, a viajante desacompanhada diz que a chance de explorar um lugar se torna muito mais interessante.</p> <p style="text-align: justify;"><img style="margin: 10px; float: right;" title="Pedro Vilela/Agência i7" src="http://assets.izap.com.br/revistaviverbrasil.com.br/uploads/img55bfe65926166.jpg" alt="Pedro Vilela/Agência i7" width="150" />A blogueira Denise Araujo, do Good to Go, viaja sozinha desde os 19 anos. Agora, aos 34, com bebê de 6 meses, o hábito está momentaneamente de lado. Quando viaja sem ninguém, Denise gosta da autonomia. Não depender de qualquer pessoa para ir aos lugares que gosta, poder seguir o roteiro já previamente burilado e não ter de negociar nada. Do primeiro minuto do dia até o que se segue antes do sono, tudo é decidido pela viajante. “É você e o mundo para explorar. Isso não tem preço”, conta a blogueira.</p> <p style="text-align: justify;">Nas inúmeras viagens que fez, ela foi aprendendo algumas regras de ouro para evitar qualquer problema. Aliás, as regras devem ser aproveitadas por todos os viajantes. Joias ou semijoias são acessórios desnecessários, assim como é preciso ficar atenta a lugares desertos tanto de dia, mas principalmente à noite. Outra proibição é beber com estranhos ou descuidar da bebida. Denise lembra de algo primordial quando se está só em lugares estranhos, não é possível dividir responsabilidades. “Acredito que ao tomar todos esses cuidados e pesquisar a cultura local, a mulher fica protegida onde quer que esteja”.</p> <p style="text-align: justify;">Pesquisa Mulheres Viajantes, realizada pela TripAdvisor, confirma esses cuidados destacados por Denise. A maioria, 61% das mulheres entrevistadas – quase 10 mil de diferentes países, evitam lugares desertos. E a atenção é outro quesito essencial. Além de ficarem atentas aos lugares e terem completa consciência do que está ocorrendo, 45% fazem questão de não se comportarem como um turista típico. Discrição é a palavra-chave para essas mulheres que acreditam ganhar mais independência e também confiança quando conhecem um lugar desacompanhadas.</p> <p style="text-align: justify;"><img style="float: left; margin: 10px;" title="Arquivo pessoal" src="http://assets.izap.com.br/revistaviverbrasil.com.br/uploads/img55bfe5d59223c.jpg" alt="Arquivo pessoal" width="200" />A jornalista Gisele Nogueira se tornou uma viajante neste estilo por 2 motivos – em primeiro lugar cansou de procurar companhia e, quando encontrava, diz que não foram poucas as vezes que a viagem beirou ao desagradável. “Quase perdi a amizade por causa de uma viagem”, conta. Gisele já viajou para diferentes partes do mundo e resolveu compartilhar no blog Mulher que Viaja Sozinha. Mais do que falar dos lugares, a jornalista gosta de partilhar suas experiências. “Há muita mulher que se sente insegura, com medo e, ao partilhar, elas percebem que podem viajar. Recebo várias mensagens com agradecimentos.”</p> <p style="text-align: justify;">Gisele diz que em várias viagens que fez, inclusive para a Europa, encontrou diversas mulheres que fizeram a opção por viajar desacompanhadas. É a possibilidade, segundo ela, de não só conhecer várias pessoas como também fazer contatos. “E olha, não senti qualquer preconceito. Acho que existe o preconceito com mulheres mais jovens, não na minha faixa etária, já que tenho mais de 60. Ninguém não está nem aí.” Logicamente, ela não ignora a cultura local e se tiver que colocar véu, afirma que com certeza irá fazê-lo, além de não desafiar quaisquer tipos de costumes. Porém há alguns imbróglios impossíveis de se prever.</p> <p style="text-align: justify;">“Fui à Portugal e comecei a conversar com o motorista de táxi. Tive um problema sério. Chamei ele de moço, que na cultura local é completamente diferente do conceito brasileiro. Lá é o amador, quem está começando na profissão. Ele ficou chateadíssimo”, conta.</p> <p style="text-align: justify;">A simpatia não é quesito fundamental, mas a educação é primordial. Gisele diz que é preciso esquecer a arrogância em casa e tratar bem todas as pessoas. Outra dica, quase religiosa para ela, é procurar informações sobre os lugares. Da comida aos museus e outros espaços. Todos merecem uma pesquisada através da internet. Quer ir mais longe? Gisele ensina a ler romances falando do destino escolhido. “Procuro livros literários que descrevem os países. É uma fonte de informação preciosa. Quando fui à Portugal, por exemplo, li muito Eça de Queirós. É ótimo porque vou me ambientando com o país e sua cultura.”</p> <p style="text-align: justify;">Outra viajante desacompanhada é a fotógrafa Jéssica Adriane Souza, 21, que adquiriu o hábito há 3 anos. Foi nessa época que disse ao namorado que queria conhecer o mundo, viajar sozinha. “Não parei mais.” Recentemente, ficou 15 dias na Argentina, Uruguai e Chile, sendo que o único passeio que, de fato, estava certo era subir a Cordilheira dos Andes. “Cresci ouvindo o que podia e o que não podia fazer. Achava que viajar sozinha para qualquer lugar estava longe da realidade porque precisava de muito dinheiro. Estou aprendendo que é possível fazer ótimas viagens.”</p> <p style="text-align: justify;"><img style="float: right; margin: 10px;" title="Pedro Vilela/Agência i7" src="http://assets.izap.com.br/revistaviverbrasil.com.br/uploads/img55bfe61ebce2f.jpg" alt="Pedro Vilela/Agência i7" width="200" />Jéssica é das viajantes que não faz planejamentos. Ela chega à cidade com algumas informações básicas. A primeira compra é a de um mapa. Hospeda-se em hostels e, mesmo em terras estrangeiras, gosta de sair à noite, voltar de madrugada. Mas, antes, ela faz um raio X do local através dos olhos de moradores locais e visitantes. “Procuro sempre conversar com as pessoas, saber das histórias, e tomo os cuidados básicos que tomaria se estivesse em minha cidade. Fico atenta com os meus pertences até os cuidados básicos como não andar em lugares desertos à noite”, conta.</p> <p style="text-align: justify;"><img style="float: left; margin: 10px;" title="Fred Magno/Agência i7" src="http://assets.izap.com.br/revistaviverbrasil.com.br/uploads/img55bfed88a7c33.jpg" alt="Fred Magno/Agência i7" width="300" />Jéssica e a química Lindiomara Celis Santos, 37, integram o Couchsurfing das Minas, um grupo no Facebook que tem dicas para mulheres que viajam sozinhas. Lindiomara, por exemplo, já viaja sozinha há 19 anos e suas viagens são pelo Brasil. Conhece inúmeras cidades em diferentes regiões. Diz que adora a independência de poder escolher onde comer, se hospedar. Viajar sozinha passou a ser o seu lema já que sempre detestou viagens por pacote. “Mas viajar sozinha não significa que ficarei só nos lugares. Gosto de companhia, de conhecer pessoas, de interagir, sempre encontro diversos amigos.”</p> <p style="text-align: justify;">O que incomoda à química é o preconceito de conhecidos que reagem negativamente quando ela conta história que denota, principalmente, sua independência. “As pessoas sempre criticam. Em uma das minhas viagens, conheci 2 rapazes que estavam hospedados no mesmo hostel e fui com eles visitar uma cachoeira. Eram pessoas ótimas, mas nos perdermos e ficamos 4 horas sem achar um caminho. Quando fui contar minha aventura, os colegas ficaram horrorizados, perguntando se não tive medo de ser violentada, enganada. Tomo todas as precauções para me sentir segura”, diz.</p> <p style="text-align: justify;"><img style="float: left; margin: 10px;" title="Arquivo pessoal" src="http://assets.izap.com.br/revistaviverbrasil.com.br/uploads/img55bfe69adf128.jpg" alt="Arquivo pessoal" width="150" />A blogueira Flávia Mariano, 34, do Viagem para Mulheres, também adora viajar sozinha. O mais interessante é que um pouco antes de completar 30 anos, o desejo era o de conhecer 30 países até o próximo aniversário. Até então só havia visitado 23. Viajou 7 países sozinha e diz que houve momentos bons e ruins, como toda viagem. “O lado positivo é não ter que ficar negociando com as pessoas. Podia visitar os lugares que quisesse, no horário desejado. O negativo é que não saio sozinha à noite. Então perdia nesse ponto.”</p> <p style="text-align: justify;">Flávia conta que o medo pode ser um impeditivo para as mulheres que viajam sozinhas. Muitas vezes é ter de lidar com o maior pesadelo. Há pessoas que têm medo de passar pela imigração, mesmo estando com todos os documentos em dia, e também aquelas cujo pavor é se perder nos lugares. “Eu, por exemplo, sou péssima com mapas, mas isso não impediu de viajar porque tenho uma memória visual muito boa. Tenho pavor de entrarem no meu quarto à noite, mas ponho diversas cadeiras. Há sempre uma maneira de contornar o medo e ser muito feliz viajando sozinha.”</p> <p style="text-align: justify;">&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;">&nbsp;</p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><strong>Perfil de quem viaja sozinha (*)</strong></span></p> <p>1 em cada 4 mulheres no Brasil</p> <p><strong>Principais motivos para pegar a estrada sem companhia:</strong></p> <p>65% liberdade de escolher o que querem fazer</p> <p>30% falta de tempo e/ou recursos financeiros de amigos e familiares para embarcarem com elas</p> <p><strong>Conceito de viajar sozinha para a brasileira</strong></p> <p>50% dizem que ajuda a ganhar mais independência<br />52% mais confiança<br />51% para aprender sobre outras culturas</p> <p><strong>Mulheres que mais viajam desacompanhadas no mundo</strong></p> <p>Mais de&nbsp;80%&nbsp;das australianas e britânicas afirmam que planejam viajar sozinhas neste ano</p> <p><strong>Precauções que tomam:</strong></p> <p>61% evitam lugares desertos<br />45% procuram não se comportar como uma turista típica</p> <p><strong>Dicas:</strong></p> <p>Respeite a cultura e hábitos locais<br />Evite locais desertos tanto de dia quanto à noite<br />Não beba com estranhos e cuide do seu copo para que nenhum tipo de substância possa ser colocado na sua bebida<br />Cuide bem dos seus pertences pessoais e só ande com a cópia do passaporte quando sair a passeio<br />Não use joias ou semijoias<br />Tenha sempre à mão o endereço do hotel ou&nbsp;hostel em que está hospedado</p> <p><em>(*) Pesquisa TripAdvisor</em></p> <p>&nbsp;</p>