Política

Nome de peso

Salim Mattar, fundador da Localiza, é um dos nomes para disputar o governo estadual em 2018
Sueli Cotta
200 - 04/08/2017

FOTO  PEDRO VILELA  AGÊNCIA I 7As eleições do ano que vem serão um teste de fogo para os grandes partidos políticos no Brasil. Envolvidos nas denúncias de corrupção, caixa dois e uma série de irregularidades envolvendo desvio de recursos públicos, eles terão que encontrar uma fórmula para atrair o eleitor. As principais lideranças políticas do estado estão fragilizadas ou tiveram a imagem destruída nos últimos meses. Novas legendas, que rejeitam a forma tradicional de fazer política, têm ganhado a preferência do eleitorado.


De olho nessa movimentação, a ideia de ter empresários disputando as eleições em todo o país vem sendo estimulada pelas entidades ligadas à classe empresarial. O Partido Novo é um dos que vêm ganhando espaço, como nas eleições municipais, quando conseguiu emplacar alguns nomes, a exemplo do vereador Mateus Simões, em Belo Horizonte. O partido tem sobrevivido com doações e trabalha para se estruturar e ter condições de lançar chapas de deputado estadual, federal e, quem sabe, um nome ao governo do estado. Nomes para a disputa não faltam, a começar pelo empresário Salim Mattar, fundador da Localiza, uma das maiores empresas de locação de automóveis da América Latina.


Entretanto, o empresário desconversa quando o tema é eleição e não esconde a decepção com os políticos e com os partidos tradicionais. “A política é uma coisa bonita. Os atores da política é que, às vezes, destroem a sua imagem. Quando alguém vai para a política, ele vai com espírito de doação, para contribuir com as suas ideias, com seu trabalho e sua inteligência em prol de toda essa comunidade. Só que inverteram o papel, não neste governo ou no governo do PT. Há muitos anos, lenta e gradualmente, vem sendo modificado o papel do político. Essa corrupção descoberta pela Lava Jato não é uma coisa de agora”, lamenta.


Outro fator que contribui para o quadro político partidário que se formou no país, segundo Mattar, diz respeito às regras eleitorais. Se elas não foram modificadas, teremos, no ano que vem, um pouco mais do mesmo que vemos agora. “Está tudo caminhando para isso. Olha o que acontece com a verba partidária: eles estão aumentando o valor para algo em torno de R$ 5 bilhões ao ano, divididos entre os partidos, de acordo com o número de cadeiras no Congresso Nacional. Quem vai levar essa grande quantidade de dinheiro? O PT, o PSDB, o PMDB, PSD e PP. Os partidos que estão na lista da Odebrecht, os partidos que estão envolvidos nas falcatruas, na Lava Jato”, diz.


Um dos fatores que o identificam com o Partido Novo é justamente o de buscar uma outra forma de financiamento partidário, sem a utilização de recursos públicos e das grandes empresas. Para Salim Mattar, a legislação sobre a verba governamental para os partidos foi feita para perpetuar no poder os mesmos que estão aí. "O Novo, que recebeu a verba, mas não concorda com a existência do Fundo Partidário, deixa o dinheiro depositado no Banco do Brasil.” O partido estuda como usar esse recurso, para que o dinheiro não seja rateado. Uma das possibilidades, segundo Mattar, seria o de destiná-lo a campanhas publicitárias educativas explicando como o Fundo Partidário é gasto.


Apesar do seu envolvimento com o Partido Novo, Mattar ainda não assinou a ficha de filiação e seu nome terá de ser aprovado pela legenda. Outros nomes são analisados pelo partido, como o de Modesto Araujo, da Drogaria Araujo, uma das maiores redes do país, e o de Vicente Falconi e Romeu Zema, do Grupo Zema. Todos com as mesmas características de João Doria Jr.: são empresários de sucesso.




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