Especial

Perito em insulina

À frente da fábrica brasileira da Novo Nordisk, Marcelo Zuculin coloca Montes Claros na rota de 25% das exportações farmacêuticas
Fernando Torres
200 - 04/08/2017

3 Antes de ser administrador, Marcelo Zuculin Júnior é farmacêutico. Há pouco mais de uma década na vice-presidência corporativa da fábrica brasileira do laboratório dinamarquês Novo Nordisk, em Montes Claros, ele se especializou na fabricação de insulina – inclusive em territórios além-mar. Entre 2013 e 2016, o boticário-executivo trocou de país e de cadeira com o vice-presidente da unidade chinesa, em Tianjin. Missão: usar sua experiência em tecnologia e gestão para levar o parque fabril à capacidade de produção máxima.

Para atingir este ramp up, Zuculin levou para a China um time seleto de profissionais de Minas, entre operadores, engenheiros e gestores. Só em 2014, a produção do hormônio aumentou em 400% em relação ao ano anterior; em 2015, o número dobrou. “Foi uma experiência ímpar. Encontrei um país onde a palavra ‘progresso’ pode ser vista e sentida em todo canto”, diz ele.

A relação de Zuculin com a insulina vem de longo tempo. No mesmo ano em que se formou na UFMG, em 1983, ele começou a trabalhar como supervisor de laboratório na antiga Biobras, que, na época, detinha a hegemonia do mercado brasileiro de insulina. Nas décadas seguintes, o farmacêutico ocupou vários cargos de liderança. “Com a aquisição da planta pela Novo Nordisk, em 2003, fui convidado a conhecer a sede da empresa na Dinamarca, onde passei um ano. Ao voltar, assumi a função de gerente-geral e, dois anos depois, a vice-presidência, o posto mais alto em Montes Claros”, conta.

fr Expandida para 53 mil m², a unidade mineira responde atualmente por 25% de toda a exportação farmacêutica do país. É a maior planta de produção de insulina da América Latina, a única do Brasil e a principal exportadora do Norte de Minas – toda a produção do hormônio, em frascos de 3 ml, vai para fora, enquanto o mercado nacional consome frascos de 10 ml, importados também da Novo Nordisk (veja quadro). A fábrica ainda detém o posto de mais moderna instalação e maior produtora em volume da multinacional fora da Dinamarca, gerando em torno de mil empregos locais.

Para chegar a esse patamar, a companhia investiu aproximadamente US$ 280 milhões em solo mineiro e, a cada ano, aplica US$ 30 milhões em melhorias de equipamentos, novas tecnologias, capacitação e otimização do processo. “Produzir insulina nos volumes necessários exige rigorosos processos de produção, já que ela é uma molécula grande e complexa. Manuseá-la requer grandes investimentos em biotecnologia, instalações de produção estéreis e compreensão do trabalho com células vivas”, explica. Em 2016, a fábrica de Montes Claros potencializou a expansão dos negócios da América Latina, o crescimento mais rápido em toda a estrutura comercial da empresa. “Até o fim de 2018, esperamos aumentar a produção em mais de 10% e manter a hegemonia”, adianta o vice-presidente.

Market share

O Brasil figura entre os dez principais mercados internacionais de diabetes. Segundo a consultoria IMS Health, o país movimentou R$ 2,5 bilhões em 2015 em medicamentos no controle da doença, sendo que R$ 900 milhões foram apenas para insulina. Diante desses números, a Novo Nordisk alcançou a liderança nacional no tratamento para diabetes em junho de 2016, com 13,6% do market share. “Estima-se que haja 14 milhões de brasileiros com diabetes, sendo que apenas metade deles foi diagnosticado e somente um quarto recebe cuidados profissionais”, enumera Marcelo Zuculin Júnior.

O tratamento da obesidade também se tornou um nicho importante para o laboratório a partir de 2016, quando a Anvisa aprovou a comercialização do princípio ativo liraglutida para este fim. Desde setembro, a Novo Nordisk passou a importá-la como emagrecedor, com o rótulo de Saxenda. Já usada para o tratamento de diabetes desde 2010, a droga imita a ação do hormônio GLP1, aumentando a saciedade e o retardo no esvaziamento do estômago. Primeiro lançamento em 16 anos no Brasil para essa indicação, o remédio atingiu a expressiva fatia de 26% do mercado nacional em janeiro.




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