Especial

Educação como chave do progresso

Conheça Fátima Turano, a pedagoga e empresária que aposta nas inovações por meio da educação e ainda prefere ser chamada de professora
Gustavo de Castro
200 - 04/08/2017

87 Desde a época em que cursava pedagogia em BH, Maria de Fátima Turano já percebia que o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas não tinha a mesma qualidade das instituições particulares. O objetivo da ainda acadêmica era fazer a diferença se aproximando do aluno. “Pelo trabalho desenvolvido e a melhoria do aproveitamento de alunos mais carentes, passei a pegar turmas mais avançadas e dar aulas na primeira sala – como chamava naquele tempo.”

Logo a educadora percebeu a necessidade de mudança da metodologia de ensino em Montes Claros. Levou para o Norte de Minas seus padrões de trabalho e notou que a forma de implantar educação já não era mais a mesma. Foi necessário inovar. “Montamos o Colégio Padrão, no início apenas com o ensino médio. Ao longo dos anos, abrimos as turmas do ensino fundamental e, em pouco tempo, não tínhamos espaço para tantos alunos”, conta.

O Colégio Padrão foi pioneiro em utilizar o material da Rede Pitágoras. Havia coordenações das diversas áreas de ensino e a metodologia era “aprendizagem para domínio” – coisa de outro mundo para a cidade. “No final da década de 1980, dobramos o número de alunos, e foi um desafio muito grande proporcionar a mesma qualidade a todos. Daí veio a necessidade da mudança de prédio”, explica.

Com prédio próprio, em novo endereço, Fátima sentia que devia subir outro degrau. E o mercado apontava que era hora de apostar no ensino superior. Em sociedade firmada com a Rede Pitágoras, o Norte de Minas ganhou força universitária. Inicialmente, turismo e fisioterapia deram pontapé no sonho. “Em negociação com o diretor administrativo, Eliziário Rezende, ofereci o prédio nessa sociedade, era tudo o que eu tinha”, lembra. O crescimento foi proporcional ao sucesso. Logo, surgiram cursos nas áreas de saúde, ciências exatas e sociais aplicadas. “Neste período, surgiram várias instituições oferecendo cursos superiores, o que abriu brecha para a concorrência”, pondera o professor Eliziário Rezende.

8 Dificuldades e desafios se misturam em combustível para a agora diretora executiva Fátima Turano. “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”, como dizia Cora Coralina, Fátima buscou experiência nos berços das inovações tecnológicas. “Com base nos estudos e conhecimentos adquiridos nas mais conceituadas universidades dos Estados Unidos, Portugal e Inglaterra, ela criou uma metodologia inovadora, que atrela teoria e prática”, afirma Eliziário Rezende. “O que impressionou os avaliadores do mestrado em Vila Real, em Portugal”, conta.

“Sou adepta às inovações. Por isso trouxe algumas tendências nas áreas da tecnologia”, ressalta Fátima. Os núcleos de práticas para os cursos das áreas da saúde, ciências exatas e sociais aplicadas sugerem que os acadêmicos desenvolvam soluções de uma problematização real. Todos eles com aspecto diferenciado e novos propósitos. "Nada aqui é por acaso, tudo está ligado a algo, esse é o nosso diferencial: interdisciplinaridade e transdisciplinaridade."

Em 2016, foi inaugurado o mais inovador complexo de produções tecnológicas. O Centro de Prática de Engenharia, Arquitetura e Gestão (Cepeage) é reflexo do futuro na formação profissional. “Nossos acadêmicos saem realmente preparados para enfrentar e se destacar no mercado. O Cepeage é um shopping de serviços, pesquisas, estudos e inovação. Um diferencial em nossa região, onde o aluno tem possibilidade de desenvolver projetos inovadores”.

Em paralelo às engenharias, recentemente os cursos de saúde ganharam a maior e mais completa Unidade Avançada de Simulações da região. Para a empresária, é nesta ciranda que outros projetos saem do papel. “Estamos em processo de transformar as Faculdades Integradas Pitágoras em centro universitário. Já atendemos todas as exigências do MEC”, revela. Outro sonho que está prestes a ser realizado é a implantação da FIP Guanambi, no sudoeste da Bahia, com o curso de medicina.

“Em tempos de crise, busco a solução. Portanto, a cada novo projeto, procuro fazer meu melhor. Assim será em Guanambi”, vislumbra Fátima. “Tenho força de vontade, capacidade de trabalhar, relacionamento com as pessoas. Tenho convicção de que vamos contribuir com o crescimento de Guanambi e mudar a cultura daquela região. É o mesmo sentimento que tive quando comecei aqui em Montes Claros”.




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