Artigo

Rasgada a concessão de Confins

Paulo Cesar de Oliveira
203 - 01/11/2017

Que credibilidade terá o país para bancar um programa de concessões se coloca a perder um grande investimento privado em troca de votos para evitar que o presidente da República seja processado? Se defender a reabertura do aeroporto da Pampulha a voos comerciais de maior porte já era uma irresponsabilidade com a cidade, por todos os problemas que isto vai gerar, a efetivação do ato, como lembra o senador Antonio Anastasia, é rasgar o contrato de concessão do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, inviabilizando-o financeiramente.
Quem frequenta Confins sabe perfeitamente o que significou sua concessão. Os investimentos ali realizados, de forma planejada e com a seriedade de uma empresa privada, fizeram de nosso aeroporto internacional um dos melhores do mundo dentro de sua categoria. Dividir a demanda significa reduzir a receita, inviabilizando o investimento, sem resolver o propalado prejuízo da Infraero.
Ao anunciar que vai colocar uma estatal concorrendo com uma empresa privada, o governo rasgou um contrato e, para comprar votos, vendeu o futuro de um necessário e urgente programa de privatizações. E que não se culpe apenas Temer por este gesto tresloucado. Tão culpado quanto quem compra é quem vende. Tão culpado quanto os que compram e vendem são os que propagam a ideia do negócio. Por falar em negócio, o que há por detrás de todo este processo de retomada do Pampulha?
Confesso que, no início do processo de transferência dos voos da Pampulha para Confins, fui crítico feroz da medida. O que me fez mudar de opinião foi uma conversa com o comandante José Afonso Assumpção, que me mostrou ser a medida essencial para Minas. De uma só vez estão acabando com uma solução técnica para a aviação e inviabilizando um programa fundamental para a economia brasileira. Esse retrocesso é, realmente, o absurdo dos absurdos. Torço para que o bom-senso da maioria possa reverter a insanidade de poucos.




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