Comportamento

Intercâmbio em destinos exóticos

Mais do que o idioma, estudantes buscam vivências diferentes
Jaqueline da Mata
205 - 05/01/2018

Arquivo pessoalQuando se pensa em intercâmbio, automaticamente países como Inglaterra, Austrália, Irlanda, Estados Unidos e Canadá aparecem em nossas mentes, certo? Não mais. A procura por lugares exóticos tem aumentado, garante a Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta). De acordo com pesquisa encomendada neste ano pela instituição, o mercado de intercâmbio movimentou US$ 2 bilhões em 2016. O documento indica que o brasileiro passou a investir em média US$ 8,9 mil em uma viagem educacional, 82% a mais que em 2015.
Pois a procura por lugares diferentes, alguns até mesmo insólitos, se dá pelo fato dos estudantes (e também profissionais liberais) estarem mais maduros e, com isso, não buscarem apenas cursos de idiomas, mas também de nível superior e que combinem com oportunidades de trabalho, além da vivência com culturas bem diferentes. Entram no ranking lugares como Japão, Dubai, África do Sul, Malta e Coreia do Sul. De acordo com a Belta, os cursos de idioma se mantêm em primeiro lugar, mas houve algumas mudanças: curso de idioma com trabalho temporário subiu da quarta para a segunda posição; graduação também subiu duas posições no ranking e, agora, está em décimo. Enquanto isso, o high school caiu da segunda para a quinta.
Agências de intercâmbio já sentem o aquecimento deste mercado. “Se há pouco mais de três anos, a escola de intercâmbio não tinha nenhuma procura, hoje manda até dois alunos por ano para um destino asiático”, comenta Paulo César da Silva, diretor da World Study, no Anchieta. Segundo o empresário, há ainda uma mudança no perfil do intercambista. Em 2013, o público era formado por jovens de 18 a 24 anos. Nos últimos quatro anos, a faixa etária oscilou entre 25 e 35 anos, sendo que mulheres se tornaram maioria.
Arquivo pessoalEntre essas viajantes, está Isadora Cezarine, de 17 anos. A estudante participou de um programa de high school em Tóquio e Yokohama, cidades vizinhas no Japão. “Meu pai sugeriu que eu me arriscasse a aprender o japonês, e, no fim das contas, a decisão de fazer intercâmbio foi mais impulsionada pelo desejo de aprender a língua do que qualquer outra coisa. Lá, me apaixonei pela cultura e pelo modo de vida deles”, conta a jovem. Ela chegou ao país do Sol nascente apenas com habilidade necessária para pedir informações ou para se localizar. “Felizmente, aprendi rápido com a ajuda de professores e colegas. Não me considero fluente e ainda tenho algumas dúvidas, mas entendo o bastante para ler um livro para públicos infantis ou adolescentes e manter uma conversa normal”, diz. O intercâmbio durou dez meses, o suficiente para Isadora planejar o retorno, já que pensa em fazer faculdade por lá. “Amadureci, aprendi a ver o mundo com um olhar diferente, me soltei muito mais”, salienta.
Mais maduros e mais fluentes no inglês, os estudantes procuram, além do idioma, o aprimoramento em suas respectivas áreas e vivências com culturas bem diferentes da brasileira/latina. Victor Andrade, diretor da CI Intercâmbio e Viagem do Buritis diz que a agência tem sido bem procurada para trabalhos voluntários no exterior. “São programas para cuidar de animais, ajudar na conservação de reservas e meio ambiente e desenvolver ações humanitárias em países como África do Sul, Peru, Sri Lanka, Tailândia e Índia. Por meio deles, é possível tornar a viagem ainda mais interessante”, relata.
DivulgaçãoO público-alvo são estudantes que já passaram pelo intercâmbio tradicional e que desejam ganhar experiência atuando em prol de uma causa especial. É o caso da estudante de administração Renata Motta, 20 anos. Recém-chegada da África do Sul, ela já pensa em voltar no próximo ano. Renata participou de dois tipos de projetos sendo um voltado para o social (Ubuntu) e outro na parte ambiental. No primeiro, ela passou 22 dias em uma comunidade chamada de Masiphumelele. Lá, ajudava no dia a dia com crianças de 1 a 4 anos portadoras do vírus HIV. “Sempre gostei de crianças e sempre tive contato, já que minha mãe tem uma escola infantil. Tive que exercer muita criatividade já que ninguém falava inglês e sim uma espécie de dialeto", conta.
O segundo projeto foi em outra parte do país onde ajudava com animais selvagens debilitados por atropelamento ou que eram resgatados do comércio ilegal. “Nunca vou conseguir explicar em palavras o que essa experiência significou. É como se um sentimento novo tivesse nascido no coração, além de um amor gigante pelas crianças, pelo país, pela cultura, por ajudar e por doar amor. Foi na África do Sul que senti as melhores energias, que presenciei demonstrações de afeto mais puras e sinceras e, ao mesmo tempo, os sentimentos mais intensos de tristeza pela realidade das pessoas com que eu convivia o dia inteiro”, revela Renata. vb




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