Entrevista

Carlos Marun: Em busca de apoio

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência dialoga com vários setores da economia, diz que situação do país ficará incerta sem aprovação da reforma da Previdência e que o Brasil não tem chance de futuro se as mudanças não forem implementadas
Sueli Cotta
206 - 05/02/2018

SECRETARIA-GERAL DO GOVERNOOs argumentos usados pelo governo na busca de apoio para a reforma da Previdência têm sensibilizado o setor produtivo. A população, no entanto, não tem referendado essas mudanças, e é essa dificuldade em chegar até o eleitor que está sendo usada como justificativa pelos congressistas para se recusarem a garantir os votos necessários para aprovar a reforma. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Carlos Marun (PMDB), passou boa parte do recesso dialogando com vários setores em busca de apoio. Ele esteve na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais, onde constatou a receptividade dos empresários. Mas também ouviu a manifestação de deputados contra a reforma, como deixou claro o vice-presidente da Câmara, o deputado mineiro Fábio Ramalho (PMDB). Apesar das resistências, Marun mantém-se otimista e afirma que não há outro caminho para o desenvolvimento do país.

Essas conversas que o senhor teve antes do fim do recesso parlamentar podem alterar os votos dos deputados?
Nós tentamos esclarecer as pessoas para que elas possam ter um entendimento maior da aprovação da reforma da Previdência e, obviamente, impactar na disposição dos deputados em votar. Temos manifestações da sociedade, como aconteceu no encontro que tivemos na sede da Fiemg. São empresários que criam empregos, têm intenção de investir e que estão certos de que nós precisamos fazer essa reforma para que o Brasil continue crescendo. O crescimento econômico vai trazer melhoria na qualidade de vida para todos os brasileiros. Praticamente não ocorreram dúvidas nas conversas com os empresários. O que nós tivemos foi um retorno do que eles poderiam fazer para ajudar. A população está muito interessada em discutir essa questão, que começa a se esclarecer e aumenta, por isso, o apoio à reforma da Previdência.

O governo tem falado em cortes de privilégios. O que vai ser cortado?
Os privilégios de quem se aposenta precocemente e os que recebem altos valores de aposentadoria. São pessoas que se aposentam com 48 anos e recebem R$ 40 mil. Mesmo sendo legal, é um privilégio que o Brasil não pode mais pagar.

Sem a reforma, o Que o governo prevê para a economia do país?
Tenho certeza de que a situação ficará mais difícil. Aliás, todos os cidadãos lúcidos têm essa certeza. Alguns podem até fingir que não sabem, por outros interesses. Mas é evidente que, sem a reforma, o futuro do Brasil é completamente incerto e o rebaixamento da nossa nota pela agência Standard & Poor’s, de Nova Iorque, é só um sinal disso.

O que se percebe é que os partidos da base e os que estão negociando com o governo querem sempre alguma coisa em troca. São cargos, como na Caixa. Como o governo está trabalhando com essas demandas?
São várias pendências que estão sendo solucionadas, cada uma a seu tempo. As indicações na Caixa estão dentro da nova linha de governança decidida pelo próprio governo e aprovada em lei pelo Congresso Nacional.

como está sendo equacionado O loteamento de cargos no governo?
Não existe loteamento no governo. Você pensa que um presidente da República tem condição de sozinho montar todo um governo? Ninguém tem essa condição. Só Deus teria uma condição como esta. Temos que aceitar sugestões e fazê-lo de forma organizada. Se a pessoa vai procurar um professor particular para o filho, pede conselho para um inimigo ou para um amigo em relação a quem contratar? Pedimos sugestões e recebemos sugestões. Isso é um fato corriqueiro na política. O governo está montado. Essa questão de ocupação de espaço não faz parte do processo de aprovação da reforma da Previdência. Pode haver uma mudança aqui, uma mudança ali, mas o governo está montado.

E A liberação das emendas parlamentares. O governo tem recursos para liberá-las e acalmar a base?
As emendas parlamentares são impositivas e serão pagas como manda a lei no decorrer do ano de 2018.

SECRETARIA-GERAL DO GOVERNOEm alguns estados, o PMDB quer se alinhar ao PT, como em Minas. Como o partido vai tratar essa questão?
Acho que as alianças políticas devem se estabelecer em torno de princípios. Não sou simpático à ideia de uma união entre PMDB e PT em Minas e em lugar nenhum. O Rodrigo Pacheco, por exemplo, é excelente nome no partido. Torço para que, tanto em Minas como em todos os estados da União, o PMDB lance candidato próprio ou faça aliança com partidos do nosso campo político.

Nacionalmente, O PMDB vai desistir do lançamento de candidatura própria?
Não. Estamos nesse projeto de lançar candidatura própria ou apoiarmos uma candidatura que represente esse campo no qual nós estamos inseridos. Esse campo político que apoia as reformas que nós estamos implementando no Brasil.

Inclusive com a possibilidade de buscar a reeleição do presidente Michel Temer?
Vamos respeitar as outras candidaturas que já estão postas, como a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a do ministro Henrique Meirelles, inclusive a candidatura do governador Geraldo Alckmin. Mesmo o PSDB não sendo um partido que compõe a base do governo, pode ser sim uma opção. Não afastando a possibilidade de que o nome do presidente Michel Temer seja incluído nas discussões, se ele assim o desejar. Mas só vamos avaliar a eleição à Presidência depois da votação da reforma da Previdência.

O senhor acredita que a economia brasileira vai melhorar a ponto de viabilizar a reeleição de Temer?
Tenho certeza de que a aprovação da reforma da Previdência vai provocar uma melhora tão efetiva na economia que vai possibilitar, sim, o surgimento de uma candidatura lúcida, que se coloque entre os radicalismos inconsequentes de Bolsonaro e de Lula. Essa candidatura lúcida vai representar nosso projeto e tem tudo para vencer as eleições.

Depois de tudo o que aconteceu no país, o senhor acredita que o brasileiro adquiriu maturidade política e vai saber diferenciar os projetos dos candidatos?
Sim. As pessoas subestimam os brasileiros.
A população tem maturidade política para, no momento certo, fazer a escolha certa. O que ele não pode é ser enganado por candidatos que buscam se eleger mentindo para a população, falando que a reforma da Previdência não é necessária, quando qualquer pessoa, com um mínimo de racionalidade sabe que o Brasil não tem a mínima chance de futuro sem que a reforma seja rápida e efetivamente implementada. 




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