Política

BEM ESTÁ O QUE BEM ACABA

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Vista aérea da cidade de Juiz de Fora

Créditos:www.pjf.mg.gov.br

Prefeita de Juiz de Fora aposta em Patrus e foca na reconstrução da cidade devastada pelas chuvas

 

Em seu segundo mandato como prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, enfrentou o mês mais chuvoso da história da cidade: 270% a mais do que o esperado. Seis meses depois, os impactos ainda estão presentes: 65 mortos e uma cidade a ser reconstruída; de bairros carentes aos de classe média e alta. “Eventos sinistros”, nas palavras da prefeita. Liderar a reconstrução da cidade é sua prioridade e legado de seu mandato, sem a possibilidade de candidatar-se a qualquer outra posição – apesar de ter sido cogitada por Lula para o governo de Minas.

 Margarida mostra-se confiante na disputa tendo Patrus Ananias como candidato petista ao governo de Minas. Além de o considerar extremamente qualificado, ele não tem “esqueletos no armário”, o que considera um ativo político raro. Já a atuação do governo estadual em relação à Zona da Mata merece críticas da prefeita: falta de obras, más condições das estradas estaduais e ausência de investimentos no desenvolvimento regional.

A SRA. USOU A FRASE BEM ESTÁ O QUE BEM ACABA, DE SHAKESPEARE, PARA FALAR DA ESCOLHA DE PATRUS ANANIAS PARA DISPUTAR O GOVERNO DE MINAS PELO PT. POR QUE ESTA FRASE ?

Porque apresentamos uma das mais dignas e respeitáveis lideranças políticas de que o estado dispõe, que é o Patrus Ananias. Ele foi prefeito de Belo Horizonte, extremamente bem sucedido; tanto que fez o sucessor, o Célio de Castro. Patrus foi o ministro do Desenvolvimento Social que implantou o Bolsa Família, reconhecido nacional e internacionalmente. Fomos identificados como o país que encontrou uma solução bem sucedida para eliminar a miséria e reduzir a pobreza absoluta. Patrus é super qualificado para governar Minas Gerais, além de ser uma pessoa muito culta, amante da literatura, com quem compartilho muitos gostos. Acho que ele vai fazer uma bela campanha e espero que seja governador de Minas Gerais.

NA SUA AVALIAÇÃO, POR QUE O PARTIDO DEMOROU A CHEGAR A UM NOME?

Existe uma estratégia nacional de construção de candidatura do presidente Lula; a outra alternativa é a barbárie. Então, em defesa da democracia, da consolidação do nosso processo de desenvolvimento, é uma prioridade a eleição do presidente Lula. Foram aventados quadros em que alargaríamos esta aliança, considerando a perspectiva nacional. Então, levamos mais tempo do que se tivéssemos definido, desde cedo, que a eleição teria um confinamento local.

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prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão

HOUVE DIFICULDADE PARA ENCONTRAR UM NOME COMPETITIVO ?

Não acho que houve dificuldade. O PT de Minas tem muitos bons nomes. É o partido que tem a maior bancada federal, a maior bancada estadual, tinha até recentemente duas das maiores prefeituras do estado: Contagem e Juiz de Fora. Outras prefeituras no interior do estado. Então, não acho que haja nenhum problema com o PT.

A SRA. MENCIONOU QUE NÃO HÁ OBRAS ESTADUAIS EM JUIZ DE FORA.

 Não tem obra do estado aqui, nada. O hospital regional foi prometido e não foi entregue. Estamos, por via de uma ação judicial movida pelo Ministério Público, obtendo recursos para que a prefeitura complete aquilo que é uma ferida aberta: uma grande obra estadual incompleta para estabelecermos o Hospital de Pronto-Socorro no bairro São Dimas.

Poderia ter havido, também, empenho maior do governo do estado no estabelecimento, na região, de empresas de maior porte. Porque isso depende de negociações tributárias com o estado e nós não tivemos nada nestes últimos oito anos. As estradas estão muito mal. Aqui é a área do Ibitipoca (Parque Estadual do Ibitipoca), do parque da Serra Negra, em Juiz de Fora, temos o Museu Mariano Procópio. A região é de tradição gastronômica e produção de cervejas artesanais de muita qualidade. Toda uma estrutura turística que poderia ser potencializada por melhores condições logísticas para chegar até Juiz de Fora, afinal, as estradas são de competência estadual.

QUAL PAPEL DO AEROPORTO ITAMAR FRANCO COMO PARTE DESTA INFRAESTRUTURA?

O aeroporto Itamar Franco tem condições precárias de acesso porque depende de estra das estaduais. Muitas vezes apelamos para que se fizessem intervenções de vulto, mas não conseguimos sensibilizar o governo do estado para nosso aeroporto regional da Zona da Mata; a tal ponto que o meu aeroporto é o Galeão (RJ), tendo um aqui, a 40 km. Mas não é só Juiz de Fora que fica prejudicada. Há uma série de cidades, como Ubá, com áreas de negócio muito ativas que muito se beneficiariam com transporte aéreo adequado.

FALANDO ESPECIFICAMENTE DE JUIZ DE FORA, QUAIS SÃO OS DESAFIOS DA CIDADE, QUE EM FEVEREIRO DESTE ANO FOI ATINGIDA POR CHUVAS QUE RESULTARAM EM 65 MORTOS?

Estamos há quase cinco meses em um trabalho duríssimo! Meu mandato sofreu uma inflexão a partir dos dias 23 e 25 de fevereiro, quando aconteceram episódios sinistros e a cidade inteira ficou muito abalada. Aproximadamente 30% da população sofreu algum efeito. Foi um desastre de proporções gigantescas. Talvez o maior da história da cidade. Já vivemos situações muito complicadas no passado, como as enchentes da década de 40 em que o rio Paraibuna chegou ao centro, mas a cidade era menor, não havia tantas pessoas morando em lugares impossíveis.

EXISTE UMA ESTIMATIVA DE QUANTAS PESSOAS MORAM NESSES LOCAIS ?

35% da cidade vive em situações de risco classificado como 3 e 25% dos moradores vivem – ou viviam – em lugares classifica dos como de risco geológico 4: de desabamento, deslizamentos. E 10% vivem em várzeas que costumam ser inundadas na época das cheias. Então a cidade enfrenta condições muito desafiadoras.

SABENDO DESTAS CONDIÇÕES, O QUE TEM SIDO FEITO PARA EVITAR NOVAS TRAGÉDIAS?

 Já tínhamos recursos vultosos do PAC contratados e estamos, neste momento, em curso de implementar obras de macrodrenagem nas bacias de Santa Luzia, do córrego São Pedro e córrego Humaitá. O risco hidrológico está sendo fortemente minimizado. Em relação ao trabalho de prevenção, temos uma Sala de Situação, da Defesa Civil, que é uma das melhores do Brasil. Temos 300 câmeras pela cidade inteira acompanhando estas áreas de maior risco hidrológico.

Entre as ações prioritárias, uma foi devolver a moradia para as pessoas, apoiados pelo governo federal, que desenvolveu, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, a modalidade Compra Assistida. As pessoas que perderam suas casas, identificadas pela Defesa Civil local e nacional, vão receber moradias à sua escolha no valor de até R$ 200 mil. Os critérios obedecem ao corte de renda do programa habitacional. Neste momento, temos mais de 600 famílias procurando suas casas. Conseguimos reagir com velocidade devido ao apoio do governo federal. Outro grande problema é a reconstrução de encostas; as obras do PAC já estão em andamento. O foco da minha atenção é ter estas situações equacionadas.

COMO A SENHORA QUER SER LEMBRADA QUANDO SEU MANDATO TERMINAR?

Busquei, sempre, o desenvolvimento social entendido como melhoria da qualidade de vida das pessoas. Neste momento, por circunstâncias que não foram da minha escolha, eu estou liderando o processo de reconstrução da cidade. Então, acho que este é um legado considerável.

QUANDO TERMINAR SEU MANDATO, QUER CONTINUAR NA VIDA PÚBLICA?

A vida pública é uma grande paixão, mas eu não a tenho como carreira. Minha carreira é acadêmica. Nas circunstâncias vividas pelo nosso país, aconteceu de eu vir a exercer funções públicas importantes com a reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora, depois disso o Congresso Nacional por dois mandatos como deputada federal e, agora, estou no meu segundo mandato como prefeita. Mas neste momento, toda minha energia e concentração mental estão dedicadas à reconstrução da cidade depois da calamidade que ela sofreu.

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