Os cânceres relacionados ao HPV provocam cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil internações por ano no Brasil, segundo levantamento publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics. A análise, baseada em dados do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, indica que 85% dos casos atingem mulheres e aponta que a maior parte dessas ocorrências poderia ser evitada com vacinação e rastreamento precoce, informa a Agência Brasil.
Embora o câncer do colo do útero concentre a maioria das hospitalizações e mortes registradas no período, os pesquisadores alertam para o crescimento de outros tipos de tumores ligados ao vírus. De acordo com o estudo, o HPV está associado a oito tipos de câncer, entre eles os de vagina, vulva, ânus, pênis e também os tumores de cabeça e pescoço, como os de orofaringe, laringe e cavidade oral.
O câncer anal foi o que apresentou o maior aumento proporcional durante o período analisado. As hospitalizações cresceram 3,1%, enquanto a mortalidade subiu 10,9%.
Crescimento entre homens preocupa especialistas
A diretora executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real da farmacêutica MSD e líder do estudo, Cintia Parellada, afirma que ainda existe a percepção equivocada de que apenas mulheres devem se vacinar contra o HPV. Segundo ela, os cânceres de cabeça e pescoço associados ao vírus atingem homens em proporção quatro vezes maior do que mulheres.
A pesquisadora destaca ainda que, diferentemente do câncer de colo do útero, os tumores de cabeça e pescoço não possuem lesões precursoras identificáveis para tratamento antecipado. Nesses casos, a vacinação é considerada a principal forma de prevenção.
Os dados também mostram uma mudança na tendência do câncer de colo do útero. Entre 2011 e 2016, as internações caíram 4,7%, mas voltaram a crescer entre 2016 e 2019, período em que houve alta de 3,9%. A mortalidade acompanhou o mesmo movimento, passando de queda de 0,7% para aumento de 1,5%.
Outro ponto observado pelos pesquisadores é a incidência mais precoce desse tipo de câncer. As hospitalizações já se tornam expressivas a partir dos 30 anos, com média de idade das pacientes em 47 anos. Entre as mortes registradas, a média foi de 56 anos, faixa inferior à observada nos demais tumores associados ao HPV.
SUS ampliou rastreamento e mantém campanha de vacinação
O estudo aponta ainda que apenas 40% das mulheres realizam o exame preventivo, o papanicolau, na frequência recomendada. O procedimento permite identificar lesões precursoras e acompanhar pacientes antes que o quadro evolua para câncer invasivo.
No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes de rastreamento e passou a recomendar o teste DNA-HPV oncogênico para pessoas com útero entre 25 e 64 anos. O exame identifica a presença do vírus e os tipos com potencial cancerígeno. Em casos negativos, a repetição só é necessária após cinco anos.
A vacina contra o HPV está disponível no SUS desde 2014 e é indicada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde mantém uma campanha de resgate vacinal para jovens de até 19 anos que não receberam a dose na idade recomendada. Pessoas imunodeprimidas, usuários de PrEP, vítimas de violência sexual e pacientes com histórico de lesões pré-cancerosas também fazem parte do público prioritário.
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