O número de empreendedores brasileiros formalizados com CNPJ atingiu o maior nível da série histórica em 2025. Segundo edição especial da Pnad Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23), eram 10,7 milhões de pessoas nessa condição, o equivalente a 35% dos 30,6 milhões de empreendedores do país. Entre os 103 milhões de ocupados, quase 20 milhões de empreendedores ainda não tinham registro empresarial.
Segundo a Agência Brasil, a proporção de empreendedores com CNPJ era de 24% em 2012 e chegou a 29,3% em 2019, último ano antes da pandemia. Em 2022, passou para 34,1%, caiu para 33% em 2023 e voltou a subir para 33,6% em 2024, até alcançar os 35% no ano passado. O registro permite ao trabalhador emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários empresariais, contratar funcionários formalmente e ter acesso a benefícios previdenciários, além de contribuir com tributos.
Diferença entre empregadores e autônomos
A formalização é mais elevada entre os empregadores, categoria formada por quem trabalha em seu próprio empreendimento e possui pelo menos um funcionário. Em 2025, 81,1% deles tinham CNPJ, índice que permanece acima de 80% desde 2019. Entre os trabalhadores por conta própria, o percentual chegou a 27,1%, também recorde da série, diante de 15% em 2012.
O analista do IBGE William Kratochwill relaciona o ritmo menor desse grupo ao nível de instrução. Entre os autônomos com ensino superior, 50,8% tinham CNPJ, enquanto a taxa era de 29,7% entre aqueles com ensino médio completo ou superior incompleto, 18,6% entre os que tinham fundamental completo ou médio incompleto e 11% entre pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto. Programas como o Microempreendedor Individual (MEI), segundo o pesquisador, facilitaram a formalização ao reduzir burocracia e custos.
Comércio e serviços lideram
Entre os setores analisados, comércio e reparação de veículos apresentaram 36,7% de empreendedores com CNPJ, seguidos pelos serviços, com 33,5%. A taxa ficou em 22,8% na indústria geral, 14,8% na construção e 6,5% na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. A participação de empreendedores associados a cooperativas caiu de 6,3% em 2012 para 4,7% em 2025.
A pesquisa também apontou estabilidade na sindicalização: 8,8% dos ocupados, cerca de 9,1 milhões de pessoas, tinham vínculo com sindicatos no ano passado, contra 8,9% em 2024 e 8,4% em 2023. O índice era de 16,1% em 2012. Segundo Kratochwill, a queda observada desde 2017 pode estar relacionada à reforma trabalhista daquele ano e à avaliação dos trabalhadores sobre os serviços oferecidos pelos sindicatos. O levantamento também aponta baixa adesão dos jovens e saída dos trabalhadores mais velhos.
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