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NA LINHA DE FRENTE DA PROTEÇÃO

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Do suporte e planejamento das eleições ao desenvolvimento industrial, ministro da Defesa fala sobre desafios em um país continental

Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, o fortalecimento da Defesa Nacional ganha novas dimensões. A proteção das fronteiras de um país com 4.394 km e o combate ao crime organizado, principalmente nestes territórios de limite, são um desafio e estão na ordem do dia. Da mesma forma, a realização das eleições: em um país de dimensões continentais – com eleitores em cerca de 1.200 locais isolados, principalmente no Pará e Amazonas – depende de planejamento e logística coordenada pelo Ministério da Defesa. A pasta, a cargo do ministro José Múcio Monteiro de Melo, aponta, ainda, que o país precisa desenvolver mais sua indústria de defesa para ampliar a autonomia tecnológica do país e garantir que a soberania nacional esteja, também, resguardada.

AS ELEIÇÕES SE APROXIMAM E SABEMOS QUE OS ÓRGÃOS DE ESTADO SÃO MOBILIZADOS PARA ESTA FINALIDADE. QUAL DEVE SER O PAPEL DO MINISTÉRIO DA DEFESA NAS ELEIÇÕES?

As Forças Armadas colaboram com a realização das eleições brasileiras prestando apoio à Justiça Eleitoral para garantir que o processo ocorra de forma segura e alcance todas as regiões do país. Para esse fim, o Ministério da Defesa coordena a atuação entre o Tribunal Superior Eleitoral e as Forças Armadas, especialmente nas atividades de apoio logístico e na chamada Garantia da Votação e Apuração (GVA).

EM QUE CONSISTE ESTE APOIO LOGÍSTICO?

Transporte de urnas eletrônicas, equipamentos e equipes da Justiça Eleitoral para localidades de difícil acesso, com o emprego de aeronaves, embarcações e viaturas militares. Nas eleições de 2022, as Forças Armadas apoiaram o transporte de cerca de 4,8 mil urnas para regiões remotas, especialmente na Amazônia Legal. Para a GVA, Marinha, Exército e Aeronáutica atuam em locais indicados pela Justiça Eleitoral para reforçar a segurança pública e contribuir para a votação e apuração. Em 2022 a GVA atuou em aproximadamente 570 municípios e 4,6 mil locais de votação.

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Ministro José Múcio Monteiro de Melo

QUAIS PROJETOS O SR. CONSIDERA PRIORITÁRIOS PARA AMPLIAR A AUTONOMIA TECNOLÓGICA DO PAÍS?

Entre os projetos estratégicos, destacam-se o desenvolvimento de sistemas de comando e controle, comunicações seguras, radares, sensores, sistemas espaciais, tecnologias cibernéticas e plataformas navais, terrestres e aeronáuticas, além de soluções em inteligência artificial, autonomia de sistemas e proteção de infraestruturas críticas. São estratégicos os investimentos em energias alternativas, armazenamento e eficiência energética, essenciais para a resiliência operacional. Esses projetos reduzem a dependência externa, fortalecem a Base Industrial de Defesa, estimulam a pesquisa e a inovação, contribuindo para a soberania, o desenvolvimento tecnológico e a competitividade do Brasil.

A INDÚSTRIA NACIONAL DE DEFESA TEM POTENCIAL PARA GERAR EMPREGOS, INOVAÇÃO E EXPORTAÇÕES?

A Base Industrial de Defesa gera mais de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos, responde por cerca de 3,58% do Produto Interno Bruto e, em 2025, alcançou o recorde de US$ 3,4 bilhões em autorizações de exportação. Além de impulsionar a economia, o setor desenvolve tecnologias civil e militar que fortalecem a soberania tecnológica e beneficiam diferentes áreas da sociedade.

O QUE FALTA PARA QUE O SETOR, NO BRASIL, SEJA MAIS COMPETITIVO INTERNACIONALMENTE?

É essencial garantir demanda estável por meio das compras governamentais, assegurando previsibilidade para investimentos, pesquisa, desenvolvimento e inovação. A continuidade dos programas estratégicos, aliada ao financiamento e à promoção internacional dos produtos brasileiros, amplia exportações, gera empregos qualificados e reforça a autonomia do país.

SOBRE A PROTEÇÃO DAS FRONTEIRAS NACIONAIS E O ENFRENTAMENTO AO CRIME NESTES ESPAÇOS, COMO O MINISTÉRIO DA DEFESA ESTRUTURA ESTA ATUAÇÃO?

As Forças Armadas mantêm organizações militares na região amazônica; Pelotões Especiais de Fronteira em áreas remotas e sensíveis. O monitoramento e a proteção das fronteiras da Amazônia estão estruturados no âmbito do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras, que orienta a atuação integrada e coordenada entre órgãos federais, estaduais e municipais, com foco na prevenção, controle, fiscalização e repressão de crimes. São exemplos as Operações Ágata – de caráter preventivo e que ampliam a eficiência no combate ao tráfico de drogas – contrabando e delitos ambientais.

QUAIS SÃO NOSSAS FRAGILIDADES E COMO PODEM SER SANADAS?

O desafio está na dimensão continental do Brasil e na extensão de suas fronteiras. É fundamental investir em tecnologia, inteligência, pessoal qualificado e integração entre as Forças Armadas, os órgãos de segurança pública e as agências de fiscalização. O Ministério da Defesa trabalha para fortalecer essas capacidades, ampliando a vigilância e a integração entre os órgãos.

O BRASIL TEM TRADIÇÃO DE EQUILÍBRIO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS. COMO ESSA POSTURA INFLUENCIA A COOPERAÇÃO COM ESTADOS UNIDOS, CHINA, EUROPA E PAÍSES DO BRICS?

A política externa e de defesa brasileira é pautada pela autonomia, diálogo e respeito ao direito internacional. Essa tradição de equilíbrio permite ao Brasil manter relações construtivas com diferentes parceiros internacionais, orientadas pelos interesses nacionais. Nossa atuação busca construir pontes e contribuir para a estabilidade internacional, preservando a independência de nossas decisões. Isso se traduz em uma cooperação diversificada. Mantemos programas de intercâmbio, treinamento, exercícios conjuntos e parcerias tecnológicas com os Estados Unidos. Com países europeus, desenvolvemos projetos voltados à Indústria de Defesa, inovação e capacitação de recursos humanos. Com a China, ampliamos o diálogo institucional e as oportunidades de cooperação em áreas de interesse comum, especialmente em tecnologia e monitoramento. Já no âmbito dos Brics buscamos fortalecer a confiança, o intercâmbio de experiências e a cooperação em temas como segurança internacional, defesa cibernética e operações de paz.

O CENÁRIO INTERNACIONAL VIVE INSTABILIDADES, GUERRAS E TENSÕES EM DIFERENTES REGIÕES. ESSE CONTEXTO ALTERA AS PRIORIDADES DA POLÍTICA DE DEFESA BRASILEIRA?

O cenário internacional é acompanhado com atenção permanente. Os conflitos em diferentes regiões do mundo reforçam a importância de Forças Armadas preparadas, modernas e capazes de responder aos desafios do presente e do futuro. As prioridades estratégicas da Defesa Nacional permanecem consistentes: a soberania do país, a garantia da integridade do território nacional, defender nossos interesses estratégicos e contribuir para a paz e a estabilidade regional.

O RECRUTAMENTO MILITAR OBRIGATÓRIO AINDA ATENDE ÀS NECESSIDADES DAS FORÇAS ARMADAS OU O BRASIL DEVERIA DISCUTIR NOVOS MODELOS DE INCORPORAÇÃO?

O Ministério da Defesa acompanha a evolução das demandas da área de Defesa, mas, no cenário atual, o modelo vigente segue adequado para o cumprimento das missões constitucionais das Forças Armadas, assegurando a renovação dos efetivos e a formação de uma reserva mobilizável para a Defesa Nacional. Além disso, o serviço militar oferece oportunidades de capacitação profissional e desenvolvimento pessoal para milhares de jovens brasileiros.

AO OLHAR PARA OS PRÓXIMOS DEZ ANOS, QUAL DEVE SER A PRIORIDADE DA DEFESA BRASILEIRA?

A Defesa deve fortalecer a capacidade de dissuasão e a prontidão das Forças Armadas, assegurando a proteção da soberania nacional em um cenário internacional mais complexo e imprevisível. Para isso, será fundamental avançar na modernização dos meios militares, no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e na incorporação de tecnologias estratégicas, como defesa cibernética, inteligência artificial, sistemas espaciais e sistemas avançados de monitoramento. Esse esforço requer investimentos compatíveis com as necessidades do setor, de modo a preservar a autonomia nacional, proteger os interesses estratégicos do país e manter a capacidade de resposta diante dos desafios do ambiente internacional.

O GOVERNO FEDERAL CONSIDERA ALGUMA PARTICIPAÇÃO NA AVIBRAS?

É uma empresa estratégica, condição que lhe garante tratamento diferenciado na política de incentivos. O Ministério da Defesa reconhece a importância dela para o desenvolvimento e a manutenção de capacidades tecnológicas nacionais.

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