Política

NÃO VOU PROMETER NADA QUE NÃO POSSA CUMPRIR

vb ed301 marco 26b 2 capa NÃO VOU PROMETER NADA

À frente nas pesquisas eleitorais, o pré-candidato ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo, diz que infraestrutura será prioridade se for eleito

 

A campanha para o governo de Minas Gerais ainda não foi lançada, o nome dos candidatos não foi oficializado, mas ele já aparece, de acordo com pesquisas, como o favorito ao Executivo mineiro. O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, lidera as intenções de voto, com 45,5% contra 18,4% para o também senador Rodrigo Pacheco, nome que aparece como segundo colocado segundo o instituto Paraná Pesquisas. O vice-governador Mateus Simões – que nos próximos dias deverá assumir o governo por conta da campanha presidencial do governador Romeu Zema – aparece com 8,7%, e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), com 6,2%. Brancos e nulos somam 13%, enquanto 8% não souberam responder. Entre suas pautas estão a atuação em favor da transparência e custos do Estado e demandas populares.

Cleitinho Azevedo tornou-se uma das figuras mais populares da política mineira, construindo sua carreira com forte presença nas redes sociais e um discurso direto voltado para temas como combate a privilégios, redução de gastos públicos e fiscalização do poder público. Natural de Divinópolis, ele ganhou projeção como vereador e como deputado estadual. Em 2016, foi eleito para seu primeiro mandato como vereador na cidade. Já em 2019 teve início o seu primeiro mandato como deputado esta dual. Em 2022, foi eleito senador por Minas Gerais com 4.268.193 votos, impulsionado por sua comunicação direta com o eleitorado e pela imagem de político antissistema. No Senado, mantém o estilo que o projetou, com vídeos frequentes nas redes e posicionamentos voltados a pautas de transparência, segurança pública e críticas a benefícios considerados excessivos no setor público.

Cleitinho costuma se apresentar como in dependente. Votou a favor do programa Gás do Povo, do governo Lula, a quem faz oposição. Cleitinho Azevedo é um expert nas redes sociais, onde adota o bordão: “vão pra cima, tamo junto”. Seus vídeos respondendo a quem insinuou que ele não estaria preparado para ser governador são enfáticos. “Não estou preparado para roubar, não estou preparado para fazer nada errado”, rebateu o senador.

VOCÊ É CANDIDATO AO GOVERNO DE MINAS GERAIS ?

Se tudo correr bem, quero ser candidato, sim. Meu nome está à disposição.

O QUE É ESTE CORRER BEM?

Algumas questões pessoais, mas, principalmente, eu vou escutar o povo. Eu quero o apoio de todo mundo, mas quero estar de braço dado com o povo.

CIRCULOU NAS REDES SOCIAIS A VERSÃO DE QUE VOCÊ PODERIA DESISTIR DA SUA CANDIDATURA AO GOVERNO DE MINAS GERAIS EM FAVOR DE OUTROS NOMES. É VERDADE, VOCÊ PODE DESISTIR ?

Eu não vou desistir em favor de ninguém, não. Se eu fosse desistir, seria por questão minha. Não tenho sede de poder.

UMA EVENTUAL DESISTÊNCIA POR QUESTÕES PESSOAIS SE RELACIONA COM A LEUCEMIA DO SEU IRMÃO ?

Prefiro não falar nada sobre a minha vida pessoal, mas eu estou aqui em Brasília, estou tranquilo, trabalhando. A eleição é ainda em outubro. Mas tem os que estão desesperados. Eu não preciso disso, não.

A SUA CANDIDATURA NÃO FOI OFICIALIZADA, MAS, DE ACORDO COM AS PESQUISAS DO INSTITUTO PARANÁ PESQUISAS, VOCÊ LIDERA AS INTENÇÕES DE VOTO: 45% DA PREFERÊNCIA DO ELEITOR; O SEGUNDO NOME APARECE COM CERCA DE 18% DAS PREFERÊNCIAS. A QUE VOCÊ ATRIBUI ESSES NÚMEROS?

Trabalho intenso. Se você perguntar, andar na rua aí em Belo Horizonte, ninguém sabe quais foram os três últimos senadores em que votou. Senador é um cargo distante. Eu trouxe o Senado para perto do povo. Chego em Brasília, fico de segunda-feira a quinta-feira, atendo prefeito e vereador. Volto para Divinópolis e, muitas vezes, sexta e sábado atendo também lá, pois pode ser mais prático ir até Divinópolis do que Brasília.

O QUE POSSIBILITOU A APROXIMAÇÃO ENTRE O SENADO E O POVO?

Mostrar os problemas. Teve um projeto meu, sobre o pagamento de IPVA (PEC 72/2023), que recebo até hoje mensagem no meu celular, de pessoas agradecendo. Carros com mais de 20 anos de fabricação não pagam mais IPVA. A medida vale para carros de passeio. Uma pessoa me falou que, com a economia dos R$ 800,00 do IPVA, agora poderia comprar fraldas para a filha. As redes sociais nos conectaram com pessoas do outro lado do Brasil. Eu não consigo visitar os 853 municípios de Minas, mas pelas redes eu converso com a pessoa que está lá no Vale do Jequitinhonha.

QUAIS PROPOSTAS VOCÊ TEM PARA MINAS GERAIS, CASO SEJA ELEITO GOVERNADOR?

Eu não vou prometer nada que não possa cumprir. Primeiramente, quero falar que vou dar continuidade ao que é bom, ao que funciona, não importa se é do governo Zema. Infraestrutura é um tema prioritário para mim. Não há como falar em saúde sem falar em infraestrutura. Quero trazer as parcerias privadas para participação nas questões públicas. Por exemplo, adotando um bem público. Tenho certeza que tendo projetos sérios os empresários de Minas vão ajudar. A saúde também precisa ser mais humanizada. Não tem condições de uma pessoa ficar dois, três meses em uma fila esperando por uma cirurgia.

COMO A SAÚDE PODE SER MAIS HUMANIZADA E AS FILAS DOS HOSPITAIS PÚBLICOS, REDUZIDAS?

Por meio das emendas de base, que podem ser um recurso que pode ser usado para este tipo de problema.

VOCÊ CONFIRMA O LUÍS EDUARDO FALCÃO, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE MUNICÍPIOS E PREFEITO DE PATOS DE MINAS COMO VICE-GOVERNADOR EM SUA CHAPA? QUEM SÃO SEUS APOIOS?

Sobre o Falcão, estamos conversando. O senador Carlos Viana é um nome com quem estou sempre falando, é um amigo, tem meu apoio. Mas eu quero conversar com todo mundo, quero falar com a oposição. Está faltando isso no Brasil em todas as camadas do Executivo: municipal, estadual e federal.

VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FALTANDO DIÁLOGO ENTRE O PODER EXECUTIVO E O PARLAMENTO?

Em todo o Brasil. Mas na política é preciso saber que a oposição existe e ela é democrática. Todo mundo tem que saber disso e viver nisso. Neste ponto quero que Minas seja exemplo de pacificação. Eu não apoio o Lula, minha opção é o Flávio Bolsonaro. Mas se o Lula ganhar, sou o primeiro a estar lá, porque isso é republicano, é o institucionalmente esperado.

NA SUA AVALIAÇÃO, COMO A SEGURANÇA PÚBLICA TORNOU-SE UM TEMA TÃO PREOCUPANTE PARA A POPULAÇÃO?

Esta é uma questão importante. As leis no Brasil são muito brandas. Precisam ser mais severas. A pessoa sai de casa, é roubada. Já o bandido sai de casa achando que não tem nada a perder. No Estado, cabe a nós valorizarmos o policial e orçamento para isso, tem. O governo Zema deixou de arrecadar, por exemplo, R$ 130 bilhões em incentivos fiscais. Mas qual a contrapartida o estado está recebendo? Está gerando emprego? Quanto? Para a melhoria de todos os segmentos vale o uso maciço da tecnologia.

CASO VOCÊ NÃO SEJA ELEITO GOVERNADOR, TEM AINDA UM MANDATO DE SENADOR A CUMPRIR. E AO FINAL DESTE MANDATO DO SENADO, O QUE VIRÁ?

Ah, não sei, meu coração não definiu isso, ainda.

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