Carlos Eduardo Moura: “Estamos vivendo a era da saudabilidade”
Fotos/Divulgação
Congresso em BH aborda mercado com espaço para crescer apoiado em conceitos de longevidade e experiências personalizadas
Texto: Raquel Ayres
O futuro do fitness não está mais apenas na sala de musculação. Ele pode estar em um estúdio para quem tem meia hora disponível, no espaço que combina exercício e fisioterapia, no centro especializado em recuperação de corredores e ciclistas ou em um clube que reúne treinamento, massagem, beleza e bem-estar. A academia, como se conhecia, está mudando, e o consumidor também.
Essa transformação esteve no centro do 18º Congresso Brasileiro de Personal Trainers, realizado de 24 a 26 de julho, em Belo Horizonte. Organizado pela Sociedade Brasileira de Personal Trainer, o encontro reuniu centenas de profissionais e combinou palestras técnicas, gestão e experiências práticas.
O encontro mostrou um mercado mais próximo dos conceitos de saúde. À frente da entidade está o educador físico e empreendedor Carlos Eduardo Moura, há 15 anos no mercado de estúdios de personal trainer. Para ele, uma das principais mudanças é a percepção de que o exercício deixou de estar associado exclusivamente à estética.
“Estamos vivendo a era da saudabilidade.”
O conceito ganhou força após a pandemia. O sedentarismo, que era tratado como escolha individual, passou a ser percebido como fator de risco. O resultado, segundo Moura, foi uma mudança de comportamento.

Segundo ele, o número de brasileiros que praticam atividade física regularmente cresceu cerca de 3% desde a pandemia. “São aproximadamente sete milhões de novos praticantes. Ainda é pouco diante do tamanho da população, mas representa uma expansão importante em um país em que a adesão ao exercício permanece baixa”, explica ele.
A expectativa, de acordo com Moura, é de que o Brasil chegue a 10% da população frequentando academias, estúdios ou outros espaços regularmente, em um ano e meio.
“O desafio é fazer com que cada pessoa encontre uma atividade compatível com seus objetivos e permaneça nela.”
É na constância que se constrói saúde e resultados duradouros.
UM EXERCÍCIO PARA CADA PESSOA
O congresso levou os participantes a visitarem cinco modelos de negócios durante o Personal Tour. O roteiro incluiu estúdios para quem tem pouco tempo, espaços que integram personal trainer e fisioterapia, modelos com gamificação, centros de treinamento focados na recuperação física para quem não é atleta, mas pratica atividades de alto impacto e clubes de alto padrão com musculação, aulas coletivas, massagens e serviços de beleza.
As academias de baixo custo, com preços girando em torno dos R$ 140,00 a R$ 150,00, ajudaram a democratizar o acesso, mas a tendência são soluções personalizadas.
“O consumidor já não procura simplesmente uma academia, mas solução para uma necessidade específica: emagrecer, ganhar massa muscular, correr uma maratona, recuperar-se de uma lesão, melhorar a performance ou envelhecer com autonomia”, explica Carlos Eduardo Moura.

MUSCULAÇÃO E LONGEVIDADE
Entre as transformações de comportamento mais significativas abordadas no congresso está a chegada de um público que durante muito tempo ficou fora das estratégias do setor: as pessoas maduras.
Mulheres na menopausa, homens acima dos 60 anos procuram a musculação para preservar força e massa magra. No congresso, uma palestra sobre envelhecimento reuniu relatos de profissionais que trabalham com pessoas de 80 e até 90 anos.
O corpo que envelhece também precisa ser treinado.
Moura contou que a medicina tem ajudado a acelerar a mudança de perfil dos praticantes de atividades físicas a partir da recomendação de exercícios, especialmente musculação, aparecendo cada vez mais nas consultas.
“O objetivo é chegar aos anos seguintes com mobilidade, força e autonomia.”
EMAGRECER SEM PERDER MASSA MUSCULAR
A popularização dos medicamentos para emagrecimento também alterou o comportamento das pessoas e os efeitos das canetas emagrecedoras chegaram às academias e, segundo Moura, mudaram os objetivos de quem procura os serviços.
No passado, ele estima que cerca de 90% dos clientes de estúdios de personal trainer chegavam interessados em emagrecer. Hoje, o cenário mostra-se alterado: cerca de 80% buscam ganho de massa muscular, enquanto 20% têm o emagrecimento como prioridade.
“Com a perda de peso, preservar a massa muscular passa a ser uma preocupação maior. A musculação, nesse contexto, ganha outro significado”, ele explica.
A atividade física volta a ocupar papel central: o peso pode cair rapidamente, mas força e massa muscular exigem tempo.
As canetas podem ser uma ferramenta importante quando indicadas adequadamente, mas precisam estar associadas à mudança de hábitos.
Saiba mais: @sbpersonaltrainers
