Meio Ambiente

Projeto vai mapear o potencial de transformação de materiais descartados em matéria-prima 

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Um estudo pioneiro no Brasil busca mapear os resíduos gerados nas residências e apontar quais podem retornar à economia como matéria-prima. A iniciativa é conduzida por uma empresa privada, que pretende identificar o valor contido no que hoje vai para aterros e lixões, oferecendo uma base concreta para novas oportunidades de aproveitamento. As informações são da Agência Brasil. 

Segundo Hugo Nery, diretor-presidente da Marquise Ambiental, o país produz cerca de 215 mil toneladas de lixo por dia, das quais apenas 5% são reaproveitadas. “Reaproveitar tanta matéria-prima é mais do que uma necessidade ambiental, é evitar desperdício real”, afirma.

Amostras de resíduos

Na primeira fase, o estudo coletou amostras de resíduos em diferentes cidades, realizando análises gravimétricas que mostraram que mais de 50% do lixo é composto por alimentos. Plásticos correspondem a 13%, papel e papelão a 17%, vidro a 9%, além de outros materiais presentes no descarte urbano.

Nery explica que conhecer a composição é apenas o primeiro passo. “É necessário entender onde há demanda por esses materiais e quais já possuem mercado estabelecido. Muitos produtos descartados ainda não retornam para a economia formal”, detalha.

Projeto

O projeto recebeu R$ 84 milhões em crédito do Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Além da pesquisa, os recursos vão financiar um Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos em Aquiraz, no Ceará, que terá compostagem, triagem, separação de resíduos e tratamento de chorume para produção de água destilada.

De acordo com Paulo José Resende, gerente de Transição Energética da Finep, o financiamento oferece às empresas competitividade e eficiência, incentivando a inovação tecnológica com benefícios socioambientais. O programa Mais Inovação Brasil também disponibiliza recursos não reembolsáveis para o desenvolvimento de tecnologias mais ousadas, com uma segunda rodada de seleção aberta até 31 de agosto, oferecendo R$ 150 milhões para novos projetos.

Créditos: Pixabay

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