Tecnologia

Empresas priorizam IA para 2026, mas investimento ainda não sai do discurso

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Mesmo apontada como principal aposta para 2026, a inteligência artificial ainda ocupa um espaço restrito na prática das empresas brasileiras. Um levantamento inédito revela que 77% das organizações no país não investem ou destinam menos de 2% do orçamento à área, o que ajuda a explicar por que apenas uma parcela mínima conseguiu transformar a tecnologia em geração de receita.

A pesquisa Panorama 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, ouviu 629 executivos e mostra que a maioria das companhias ainda não colhe resultados relevantes com IA. Para 61% dos líderes, os efeitos observados até agora foram pontuais ou pouco significativos, indicando baixa maturidade estratégica no uso da ferramenta.

Entre os principais obstáculos estão limitações financeiras, dificuldade de execução e carência de mão de obra especializada. A falta de orçamento foi citada por 77% dos entrevistados, enquanto 52% apontaram entraves para tirar projetos do papel. A escassez de profissionais qualificados aparece para 43% dos executivos, e 35% admitem que suas organizações não estão preparadas para uma transformação digital mais profunda.

Apesar do cenário, o estudo identifica um aumento no otimismo empresarial. A proporção de executivos que avaliam o desempenho dos próprios negócios com notas altas cresceu de 20% em 2025 para 30% em 2026. Ainda assim, o relatório indica que a tecnologia, isoladamente, não tem sido suficiente para promover mudanças estruturais.

Execução e liderança ganham espaço nas estratégias

Para avançar em 2026, os líderes apostam menos em promessas tecnológicas e mais em gestão. O alinhamento entre estratégia e operação foi citado por 66% dos executivos como fator decisivo, seguido pela capacidade de executar projetos, mencionada por 60% dos respondentes.

Nesse contexto, o desenvolvimento de lideranças surge como a segunda maior prioridade geral do empresariado, com 53,3% das menções. A avaliação é de que formar gestores preparados para tomar decisões baseadas em dados e conduzir equipes é essencial para ampliar a maturidade organizacional e viabilizar o uso efetivo da IA.

O levantamento também chama atenção para um descompasso entre discurso e prática. Embora 29,5% dos executivos priorizem o alinhamento de propósito, temas como bem-estar e saúde mental aparecem com apenas 18,2% das menções, enquanto diversidade e inclusão somam 12%, indicando possíveis riscos para a retenção de talentos no médio e longo prazo.

As prioridades variam conforme o setor econômico. Na indústria, o foco principal está no desenvolvimento de lideranças. Em serviços e tecnologia, a inteligência artificial é vista como motor central. O varejo concentra esforços na formação de líderes e na experiência do cliente, enquanto o agronegócio aposta na IA e na automação de processos.

O estudo ouviu executivos de empresas que, juntas, empregam mais de 592 mil pessoas em todo o país. Do total de participantes, 60% ocupam cargos de alta liderança, e 72% das organizações são de médio e grande porte. A margem de erro da pesquisa é de cinco pontos percentuais.

Créditos: Divulgação

 

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