No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado nesta sexta-feira (19), especialistas chamam atenção para os impactos de uma condição genética que vai muito além da anemia. Estimada em até 100 mil casos no Brasil, a doença pode provocar dores intensas, internações frequentes e danos progressivos a diversos órgãos do corpo, segundo a Agência Brasil.
Embora a anemia seja uma de suas manifestações mais conhecidas, os efeitos da doença atingem diferentes sistemas e podem comprometer funções cardíacas, pulmonares, renais e até a visão ao longo da vida.
Alteração nas células sanguíneas
A origem do problema está em uma mudança na forma das hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue. Em vez do formato habitual, elas assumem uma aparência alongada, semelhante a uma foice. Além de terem vida útil reduzida, essas células se rompem com mais facilidade e podem obstruir vasos sanguíneos.
Com isso, o fluxo de oxigênio para tecidos e órgãos fica prejudicado. A falta de irrigação adequada provoca pequenas áreas de infarto em diferentes partes do corpo, o que pode resultar em perda gradual de funções orgânicas e agravamento do quadro clínico ao longo dos anos.
O diagnóstico pode ser feito ainda nos primeiros dias de vida por meio do Teste do Pezinho. Há 25 anos, o exame passou a incluir a pesquisa de hemoglobina capaz de identificar a doença. De acordo com especialistas, a detecção precoce permite iniciar o acompanhamento médico rapidamente, reduzindo riscos de complicações graves, especialmente infecções na infância.
Crises dolorosas e desafios no tratamento
Entre os sintomas mais marcantes estão as crises de dor causadas pelo bloqueio de pequenos vasos sanguíneos pelas hemácias deformadas. As manifestações costumam atingir ossos e articulações, mas podem ocorrer em qualquer região do corpo. Em crianças pequenas, é comum haver inchaço, vermelhidão e dor nas mãos e nos pés.
Em casos mais severos, os pacientes precisam de internação para controle da dor com medicamentos potentes, como a morfina. A hematologista Marimília Pita alerta que muitos profissionais de saúde ainda não estão preparados para lidar com essas crises, o que pode dificultar o atendimento adequado e aumentar o sofrimento dos pacientes.
A médica também destaca que pessoas com doença falciforme enfrentam barreiras sociais além das limitações físicas. Como a condição é mais frequente entre a população negra, questões relacionadas ao racismo estrutural e às desigualdades socioeconômicas acabam influenciando o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados de saúde.
Apesar dos desafios, pacientes como Agner Eduardo da Silva e Lucas Henrique Gama Nascimento mostram que é possível construir trajetórias acadêmicas, profissionais e familiares, convivendo com a doença e buscando qualidade de vida.
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