Ter dor de cabeça constantemente pode ser mais do que um desconforto passageiro. Médicos e entidades de saúde têm reforçado o alerta para casos em que a cefaleia se repete ao longo do mês, especialmente quando os episódios persistem por três meses seguidos. Segundo a Agência Brasil, a orientação é procurar atendimento especializado para investigar possíveis causas e evitar o agravamento do quadro.
A campanha “3 é Demais”, promovida pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, chama atenção para pessoas que enfrentam três ou mais crises mensais, condição que pode indicar doenças como enxaqueca crônica, sinusite e até alterações neurológicas mais graves.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, os transtornos relacionados à dor de cabeça estão entre os problemas neurológicos mais comuns do planeta. A estimativa é de que cerca de 40% da população mundial, o equivalente a 3,1 bilhões de pessoas, conviva regularmente com o problema. Entre crianças, adultos e idosos, as cefaleias figuram entre as principais causas de incapacidade.
Quando a dor deixa de ser comum
A enxaqueca aparece entre os quadros mais incapacitantes. De acordo com dados citados por especialistas, ela afeta aproximadamente 15% da população mundial e atinge as mulheres com maior frequência, devido à influência hormonal. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca crônica.
O neurocirurgião Orlando Maia afirma que dores persistentes não devem ser tratadas como algo normal do cotidiano. Segundo ele, crises que ocorrem em 15 dias ou mais por mês podem indicar enxaqueca crônica, geralmente acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som.
O especialista também alerta para sintomas considerados sinais de atenção, como mudança repentina no padrão da dor, crises muito intensas, alterações na fala ou na visão, perda de força, confusão mental, desmaios e desequilíbrio. Nesses casos, a recomendação é buscar investigação médica imediata.
Estilo de vida e automedicação agravam o problema
A Sociedade Brasileira de Cefaleia aponta que hábitos cotidianos influenciam diretamente no surgimento das crises. Estresse, alimentação inadequada, jejum prolongado, sedentarismo, obesidade, tabagismo, ansiedade e depressão estão entre os fatores associados ao agravamento das dores.
A entidade destaca ainda que o tratamento costuma envolver diferentes áreas da saúde, incluindo neurologia, fisioterapia, odontologia, psicologia e nutrição. A proposta é adaptar a abordagem conforme o perfil de cada paciente e a intensidade dos sintomas.
Outro ponto de alerta é a automedicação. Segundo a SBC, o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios sem acompanhamento médico pode aumentar tanto a frequência quanto a intensidade das crises. A entidade afirma ainda que cerca de 90% das pessoas com cefaleia relatam prejuízos no trabalho, nos estudos, no lazer e na vida pessoal em decorrência do problema.
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