Secretário de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, reforça que setor é motor econômico, e não despesa
De volta ao cargo de secretário de Estado da Cultura e Turismo de Minas Gerais a convite do governador Mateus Simões, Leônidas José de Oliveira retorna para cumprir uma missão: “consolidar avanços, corrigir rotas e transformar projetos em legado”, usando a mineiridade como uma estratégia de competitividade para Minas Gerais. Para o secretário, consolidar não é repetir: é dar permanência ao que foi bem construído e abrir novas frentes.
“Ainda há quem veja cultura e turismo como áreas acessórias. Os números mostram o contrário. A cultura representa cerca de 2% do PIB mineiro, algo em torno de R$ 21 bilhões. Somada ao turismo, chega a 9% da economia do Estado, aproximadamente R$ 95 bilhões — o equivalente a um terço da indústria mineira. Cultura e turismo são desenvolvimento, mercado, emprego, identidade e futuro”.

Esta continuidade é fundamental na política pública de Minas, que não pode, segundo ele, viver de projetos interrompidos a cada ciclo. “É preciso fortalecer, ampliar e transformar o que deu certo em política permanente, como é o caso do projeto Descentra Cultura, que amplia o acesso ao fomento e reconhece que Minas é profundamente interiorana”.
De acordo com a Secult-MG, em 2026, Minas chega como o segundo estado que mais investe em fomento à cultura no Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro. Somando PNAB, Fundo Estadual de Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura e ICMS Patrimônio Cultural, são quase R$ 500 milhões mobilizados em um único ano para artistas, produtores, instituições, municípios, patrimônio cultural e novas linguagens em todo o Estado.
Outro estudo, desta vez da Fundação Getúlio Vargas sobre a Lei Federal de Incentivo à Cultura, mostrou que, a cada R$ 1 investido, R$ 7,59 retornam para a economia e para a sociedade, confirmando que “cultura não é despesa: é motor econômico, social e simbólico”.
“Esse investimento tem servido como motor de propulsão da mineiridade e do reconhecimento de Minas no Brasil e no mundo. Estamos falando de uma cultura que vai das artes à cozinha mineira, da arquitetura ao patrimônio histórico, das festas populares aos saberes tradicionais, da religiosidade à indústria criativa. É esse conjunto que dá força simbólica, econômica e competitiva a Minas Gerais”, afirma Leônidas Oliveira.
NOVOS PROGRAMAS
Entre os novos programas da Secult-MG, destaque para o Minas Essencial e o Minas Hospeda. O primeiro organiza essa potência, preserva o que nos funda, fortalece quem cria hoje e projeta Minas para o futuro. “Quando falo que a mineiridade é uma estratégia de competitividade, quero dizer que identidade também gera valor. O grande plano é consolidar Minas como potência da cultura, do turismo e da indústria criativa”, explica Leônidas.
Uma paisagem cultural de mineiridade formada por cidades históricas, igrejas, cachoeiras, montanhas, vales, festas populares, romarias, congados, mercados, cozinhas, queijos, vinhos, cafés, saberes tradicionais, arquitetura, arte, hospitalidade e modos de vida. Ou seja, o que se vê, o que se sente, o que se come, o que se celebra, o que se preserva e o modo como o mineiro recebe o outro.
Leônidas Oliveira chama a atenção para um projeto simbólico da nova gestão: a parceria com a CNBB para o inventário da religiosidade mineira envolvendo os bispos de Minas. Ele tem um caráter pessoal para o secretário, que sempre se dedicou ao estudo do patrimônio, da arte sacra, das igrejas, dos ritos e dos caminhos da fé. “O papel do Estado é reconhecer, inventariar, preservar e valorizar o patrimônio cultural que nasce dessas expressões”.
Já o projeto Minas Hospeda nasce da ideia de que a hospitalidade mineira é patrimônio. “Isso passa pelo queijo mineiro reconhecido como patrimônio da humanidade pela Unesco, pela doçaria, pelas quitandas, pelos cafés, vinhos, cachaças, ingredientes locais e pela cozinha mineira clássica e contemporânea. O hóspede não deve apenas dormir em Minas. Deve acordar em Minas, tomar café em Minas e reconhecer Minas nos detalhes”, afirma Leônidas Oliveira.
DESAFIO PARA O TURISMO MINEIRO
Para o secretário, Minas ainda enfrenta o de safio de transformar reconhecimento em permanência: falta integrar melhor a experiência da hospedagem, fazer com que o turista fique mais tempo, circule por mais municípios, consuma produtos locais, conheça os territórios e leve Minas com ele. “Turismo mais rentável não é necessariamente turismo de massa. É turismo com identidade, permanência, qualidade e verdade. É transformar patrimônio em experiência, experiência em valor e valor em desenvolvimento local. A missão desta nova temporada é revelar Minas com inteligência, cuidado e ambição”, concluiu.
VENDA DE BENS TOMBADOS
Leônidas Oliveira falou também sobre a questão dos bens tombados do Estado, que são inalienáveis por natureza “A preservação do patrimônio cultural é uma competência compartilhada entre União, Estado e municípios. Minha posição é clara: bens culturais devem ser preservados, protegidos e mantidos a serviço de seus proprietários e da sociedade, cumprindo sempre sua função social”. Equipamentos culturais estratégicos, como o Palácio das Artes, permanecem vinculados à política cultural do Estado. “O foco agora é preservar, qualificar o uso público e fortalecer esses espaços como patrimônio vivo da sociedade mineira”.

