Da redação

Fissura labiopalatina exige acompanhamento desde os primeiros meses de vida

O Brasil registra aproximadamente 5 mil nascimentos por ano de crianças com fissura labiopalatina, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição é a malformação craniofacial congênita mais frequente no país e demanda diagnóstico precoce e acompanhamento especializado desde os primeiros meses de vida para reduzir impactos na saúde e no desenvolvimento. 

Segundo a Agência Brasil, a fissura labiopalatina ocorre durante a gestação, quando há desenvolvimento incompleto do lábio, do céu da boca ou de ambos, resultando em uma abertura que pode atingir diferentes regiões da face. Embora afete a aparência física, a condição também pode comprometer a alimentação, a fala, a audição, a respiração e o desenvolvimento dentário, além de provocar consequências emocionais e sociais ao longo da vida.

Tratamento envolve diferentes especialidades

Ainda não existe uma causa única estabelecida para a fissura labiopalatina. De acordo com o cirurgião craniofacial Cristiano Tonello, responsável pelo Departamento de Atenção às Fissuras Labiopalatinas e Anomalias Craniofaciais do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP), alguns casos podem estar associados a síndromes ou à hereditariedade. Em muitos pacientes, o diagnóstico pode ser identificado durante a gestação por meio de exames de ultrassonografia.

O tratamento costuma se estender por muitos anos e reúne profissionais de diversas áreas. A reabilitação inclui cirurgias reparadoras, atendimento fonoaudiológico, odontológico, psicológico, pediátrico e otorrinolaringológico, acompanhando o crescimento do paciente até o restabelecimento das funções comprometidas. Segundo o especialista, quando iniciado no momento adequado e realizado por equipes especializadas, o tratamento proporciona excelente qualidade de vida.

Apesar da existência de centros especializados, o acesso ao atendimento ainda é desigual. Tonello afirma que as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram maior oferta de serviços, enquanto parte do Norte e do Nordeste enfrenta dificuldades para garantir o acompanhamento contínuo, o que pode comprometer a reabilitação de muitas crianças.

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