Da redação

BODAS DE OURO

Setor de transporte e logística é carro-chefe do grupo

 

Grupo Sada completa 50 anos com ampliação da atuação para outros segmentos

 

Um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil, o Grupo Sada completa 50 anos em 2026 com forte presença no setor de transporte e logística, responsável por movimentar 2,7 milhões de veículos só em 2025. O feito, através de 3,5 mil cegonheiras de sua frota e de terceiros, posiciona a marca como líder de mercado no segmento para a América Latina. Com mais de 30 em presas e nove mil funcionários, o grupo vislumbra explorar novos mercados além dos que já atua, que são: fundição, componentes automotivos, reflorestamento, comunicação, esporte, terceiro setor e concessionárias de automóveis de passeio e de carga.

Em breve, estenderá sua atuação para novos segmentos, como os de postos de combustíveis da marca Sada e a entrada na gestão de aeroportos inteligentes, devendo ser o de Betim o primeiro deles, focado, principalmente, no transporte de cargas nacionais e internacionais. E não para por aí, pois, planeja expandir a atual produção de etanol de cana, além de introduzir o etanol através do milho e produzir biodiesel a partir de 2027. “Nós entramos no merca do de energias limpas em 2002. A partir daí, elaboramos um plano para sequestrar o carbono que jogamos na atmosfera com a queima de diesel da nossa frota de caminhões”, justifica o presidente do Grupo Sada, Vittorio Medioli.

Os projetos para tornar as operações sustentáveis tiveram início com o reflorestamento. Hoje, são 29.297 hectares nos municípios mineiros de Carbonita, Itamarandiba, Montes Claros, Bocaiúva e Taiobeiras; 9.128 hectares em Jussara, interior de Goiás, com mais 14.587 hectares de florestas plantadas. Até o ano passado, a Sada Reflorestamento sequestrou um total de três milhões de toneladas de CO². “Estamos, também, produzindo muita energia elétrica, um pouco de fotovoltaica, mas o grosso é com biomassa que sobra do trabalho com a cana. Nós temos, hoje, cerca de 100 mil megawatts produzidos por ano, com a meta de chegar a 600 mil até 2028”, comemora Vittorio Medioli.

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Neste ano de seu cinquentenário, o Grupo Sada inaugurou, há dois meses, uma usina de reciclagem, a Igar (Igarapé Reciclagem), na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela é, segundo Medioli, a maior recicladora integrada de veículos do Brasil, com capacidade de processamento de cerca de 300 mil veículos/ano, 500 carros/ dia e geração de volume de 100 a 120 toneladas/hora de sucata geral, com estrutura de descontaminação, desmonte e trituração. Também está capacitada para operar no processamento de sucata metálica para o segmento siderúrgico. “A ArcelorMittal é uma das nossas clientes”, exemplifica o presidente da Sada.

Além da reciclagem, a produção e distribuição de biocombustíveis também ganham força no grupo. Na última safra, foram produzidos 131 milhões de litros de etanol. “Não é que o etanol será queimado em nossos motores porque são a diesel, mas é uma compensação”, prevê o presidente do Grupo Sada.

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Para expandir a produção de biocombustíveis, as empresas do grupo, Eber Bioenergia e Sada Bioenergia, vão transformar as duas plantas para a produção de etanol para frotas leves em usinas flex. Uma no Norte de Minas, em Jaíba, outra em Montes Claros de Goiás. “Vamos produzir tanto o etanol de cana como o etanol de milho. O grupo vislumbra algumas aquisições para aumentar a nossa representatividade no setor”, destaca a vice-presidente de Áreas Corporativas do Grupo Sada, Daniela Medioli.

O projeto de expansão da Eber, em Montes Claros de Goiás (GO), teve o início de suas obras no primeiro semestre de 2025. Além do combustível, a operação prevê a geração de coprodutos da produção de etanol de milho que são estratégicos para o setor de nutrição animal, os DDGS (Grãos Secos de Destilaria). A previsão de início das operações é o segundo semestre de 2026. Em Jaíba, o projeto similar da Sada em bioenergia se encontra em fase de licencia mento.

“Em 2027, começaremos a produção própria de biodiesel porque vão entrar em funcionamento as nossas usinas de milho e o subproduto do milho é óleo, que servi rá para a produção de biodiesel. Nós temos como meta vender 30 milhões de litros de biodiesel em 2027”, anuncia Medioli. “A nossa distribuidora de combustíveis ainda não usa marca, mas, daqui a pouco vai aparecer posto de combustível com a marca Sada. Nós, hoje, estamos presentes em 15 estados, distribuindo etanol ao varejo. Vendemos cerca de 30 milhões de litros por mês, cerca de um milhão de litros por dia”, contabiliza Vittorio Medioli.

Quanto à gestão de aeroportos, uma atividade que deve começar com a conclusão do aeroporto de Betim, Medioli antecipa o foco: “Vamos atender a indústria aeronáutica e de movimentação de cargas. É um mercado que também está crescendo muito com as vendas pela internet. É para operar com agilidade e baixo custo”, justifica. O Grupo Sada também adquiriu empresas que fazem preparo de ambulância, Samu e outras adaptações. “Prestamos serviços a locadoras também da gestão de estoques imensos que elas têm”, pontua o presidente do grupo.

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O setor de transportes e logística é o carro–chefe da Sada, sendo responsável por cerca de 50% das receitas do grupo. “Temos operações no Brasil inteiro, na Argentina, Uruguai e Chile também. Nós temos um capital humano muito bom e tecnologias capazes de sustentar o nosso crescimento. Boa parte dos sistemas operacionais nossos, são nativos. Não é produto de prateleira, nós tivemos que desenvolver”, orgulha-se Daniela Medioli.

Além das bodas de ouro do Grupo Sada, a família Medioli comemora, neste ano, os 30 anos do jornal O Tempo, que tem como presidente Marina Medioli, outra das filhas de Vittorio Medioli. O portal O Tempo é, segundo Daniela, líder de audiência em quatro anos consecutivos entre os principais sites de Minas Gerais. E está entre os 15 sites de notícias mais acessados no Brasil.

Começou com os impressos em 1989, lançados pela Editora Sempre, braço editorial do grupo, trazendo a marca O Tempo Betim. No final de 1996, lançou o jornal impresso O Tempo, com projeto de abrangência nacional e mergulhou em um modelo digital. “Nós não abandonamos o impresso porque entendemos como uma estratégia reputacional. Mas fortalecemos muito todos os nossos canais digitais.

Fizemos o estúdio, agora transferimos os principais programas para a webtv. Temos essa versatilidade, que é muito estimulante”, aponta Daniela Medioli.

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Para além das atividades descritas, está no radar do Grupo Sada o agro. “A gente segue fazendo investimentos constantes em verticais que a gente acredita para o futuro, atreladas em pilares de sustentabilidade e responsabilidade pelo crescimento da indústria”, sinaliza Daniela Medioli. “Temos muito orgulho da trajetória que nos levou aos 50 anos. Um grupo familiar, que começou com um imigrante que veio desbravar essas terras mineiras. Uma empresa que nasceu pequena e que se tornou um dos maiores grupos econômicos do Brasil. Para o futuro, a gente espera não perder esse espírito de coragem, de perseverança, de senso de responsabilidade”, conclui a filha do fundador e vice-presidente do grupo empresarial.

Aos 36 anos, Daniela é formada em ciências sociais e pós-graduada em gestão e finanças, pela Fundação Dom Cabral e está no grupo há 15 anos. “Muita gente diz que fui preparada, mas não. Um dos valores mais caros para o meu pai é a liberdade de escolha. Ele sempre nos deu muita liberdade para tomar decisões nas nossas vidas. Mas, é óbvio que o exemplo dele é muito forte”, relata. “Entrei por uma circunstância de saúde do meu pai, que precisou de um transplante de fígado, de senso de responsabilidade naquele momento, mas eu me encontrei, me realizei dentro do grupo. Gosto de empreender e liderar pessoas, gosto de destravar novos investimentos. Acabei me identificando muito”, confessa.

Foto pátio do sada

DA ITÁLIA A MINAS

Vittorio Medioli nasceu em Parma, na Itália, há 75 anos. Ele veio de uma família de empreendedores e veio para o Brasil em 1976 com uma missão. “Cheguei justamente para montar uma empresa de transporte e logística como a que existia na Itália, na qual eu estagiei e me preparei por uns sete anos. Me comprometi para um período de dois anos. Mas gostei muito daqui e acabei ficando”, narra.

“Vim em um momento em que a indústria mais complexa, de alta tecnologia, começou a chegar aqui em Minas, com a Fiat, e peguei essa onda, aportando minha experiência”, destaca. “Quando chegamos, o setor automotivo produzia cerca de 500 mil carros por ano. Agora, está produzindo mais de três milhões. Para atender às demandas das montadoras, o grupo cresceu comprando várias outras empresas e formamos um conglomerado. Hoje, cerca de 50% do setor de logística automotiva é concentrado no Grupo Sada”, segundo seu fundador. “Atendemos 19 marcas, mas nós expandimos muito na parte industrial automotiva. Hoje, temos empresas em Sete Lagoas, Várzea da Palma, que produzem aço fundido e alumínio, fazem trabalhos mecânicos e usinagem em grande volume para o setor”, descreve.

Fora do meio empresarial, Medioli foi deputado federal pelo PSDB por quatro mandatos, entre 1991 e 2006. Em 2016, foi eleito prefeito de Betim e reeleito em 2020. Em março, filiou-se ao PL. “Eu me filiei para ser candidato a deputado estadual porque acho que posso contribuir muito com os municípios a ter mais um estímulo para que o Estado seja mais competitivo, mais justo. Nosso Estado está muito fraco. Se eu estiver na Assembleia, vou ajudar a ter uma Casa mais crítica, mais atuante, menos partidária e sem interesses pessoais. O Estado precisa de mais desenvolvimento, mais emprego, renda circulando, mais arrecadação e serviços públicos de melhor qualidade”, planeja.