Da redação

Em novo livro, Rodrigo Duarte coloca Adorno e Flusser em diálogo sobre os desafios do presente

Questões como o avanço da extrema direita, os efeitos dos meios tecnológicos, a cultura contemporânea e a comunicação estão no centro do novo livro do filósofo Rodrigo Duarte. A obra propõe uma aproximação entre Theodor Adorno e Vilém Flusser, dois pensadores do século XX que tiveram trajetórias distintas, mas produziram reflexões sobre problemas que permanecem presentes na sociedade.

“Teoria Crítica e Pós-História. Diálogos Possíveis Entre Theodor Adorno e Vilém Flusser” será lançado no dia 29 de agosto, às 11 horas, na Livraria Quixote, na Savassi, em Belo Horizonte. Publicado pela EDUERJ, o livro tem 288 páginas e preço de capa de R$ 87.

A ideia para a obra surgiu a partir de um encontro ocorrido em Frankfurt, em 1966, entre Adorno e Flusser. A conversa foi registrada em pelo menos quatro cartas escritas por Flusser, que classificou o encontro como “importante e instrutivo”. Rodrigo Duarte passou a imaginar quais poderiam ter sido os temas discutidos entre os dois e começou a desenvolver o livro há seis anos.

Sete temas aproximam os filósofos

Em vez de transformar o encontro em uma narrativa ficcional, Duarte optou por uma análise teórica e filosófica. O resultado foi dividido em sete capítulos, dedicados a Auschwitz, Autenticidade, Comunicação, Cultura, Educação, Kafka e Música. Segundo o autor, são temas sobre os quais Adorno e Flusser produziram trabalhos e que permitem colocar suas ideias em diálogo.

Apesar das diferenças entre os dois, há pontos de aproximação em suas trajetórias e pensamentos. Ambos estavam ligados ao contexto judaico da cultura alemã e tinham origem na Europa Central. Suas filosofias também se dedicaram a questões relacionadas à cultura contemporânea, à sociedade de massas, à arte e ao desenvolvimento de meios audiovisuais e tecnológicos.

A atualidade das ideias dos dois pensadores é um dos pontos centrais da publicação. Flusser, conhecido por suas análises sobre os meios de comunicação, antecipou discussões relacionadas às redes sociais e aos efeitos provocados por elas. Adorno, um dos principais representantes da Escola de Frankfurt, estudou o funcionamento da indústria cultural e sua influência sobre a sociedade de massas.

As experiências diante do nazismo também aproximam os filósofos. Os dois foram vítimas do contexto político que levou à ascensão do regime alemão, embora tenham seguido caminhos diferentes no exílio. Adorno emigrou para os Estados Unidos, enquanto Flusser veio para o Brasil, onde viveu durante 30 anos.

Para Rodrigo Duarte, a dimensão política dessa aproximação ganhou importância diante do crescimento da extrema direita no mundo. O primeiro capítulo do livro, dedicado a Auschwitz, estabelece uma relação entre a experiência histórica dos campos de concentração e extermínio nazistas e os riscos associados ao avanço de movimentos extremistas na atualidade. O autor também menciona as mortes por Covid-19 que, segundo sua avaliação, poderiam ter sido evitadas no Brasil durante a pandemia.

O livro busca apresentar essas discussões de maneira acessível ao público interessado em compreender criticamente questões contemporâneas. Gustavo Bernardo, responsável pela primeira orelha da obra, afirma que a escrita de Duarte apresenta os pensamentos de Adorno e Flusser “com clareza e elegância” para a chamada “língua de gente”, expressão que, segundo o autor, também carrega uma dose de humor.

Sobre os filósofos

Adorno foi filósofo e sociólogo alemão e se tornou uma referência da Escola de Frankfurt. Sua crítica à indústria cultural e à sociedade de massa analisou a cultura popular também como mecanismo capaz de contribuir para formas de controle social.

Flusser, filósofo tcheco naturalizado brasileiro, dedicou-se à reflexão sobre os meios de comunicação e sobre a relação entre seres humanos e aparelhos tecnológicos. Em sua concepção de pós-história, a invenção da fotografia marca uma transformação na produção das imagens e na relação das pessoas com as máquinas.

Rodrigo Duarte é graduado e mestre em Filosofia pela UFMG e doutor pela Universidade de Kassel, além de ter realizado pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley. Professor do Departamento de Filosofia da UFMG desde 1990, aposentou-se em 2023 e atualmente é docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da universidade. Entre seus livros estão “Adornos. Nove ensaios sobre o filósofo frankfurtiano”, “Teoria crítica da indústria cultural” e “Pós-história de Vilém Flusser: gênese-anatomia-desdobramentos”.

Serviço

Lançamento de “Teoria Crítica e Pós-História. Diálogos Possíveis Entre Theodor Adorno e Vilém Flusser”

Data: 29 de agosto
Horário: 11 horas
Local: Livraria Quixote
Endereço: Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, Belo Horizonte
Editora: EDUERJ
Páginas: 288
Preço de capa: R$ 87

Créditos da imagem: Divulgação