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Gabriel Azevedo, filiado ao MDB
PRÉ-CANDIDATO AO GOVERNO DE MINAS, EX-VEREADOR LISTA EDUCAÇÃO, SEGURANÇA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL COMO PRIORIDADES
Enquanto uns e outros não se decidem – ou fingem que não decidem – o ex-vereador de BH por dois mandatos – de 2017 a 2024 – Gabriel Azevedo, filiado ao MDB, não titubeia. É pré-candidato ao governo de Minas Gerais, mesmo estando sem mandato. Advogado e jornalista de formação, quem conversa com Gabriel Azevedo observa que ele tem clareza de ideias e fala objetiva para se apresentar e às suas propostas. “As pessoas estão cansadas de discurso e improviso. Querem previsibilidade, resultado e governo que funcione.” Defensor das ferrovias, ele quer colocar Minas e as pessoas “nos trilhos.”
O QUE VOCÊ APRENDEU COMO VEREADOR?
Aprendi que política só faz sentido quando vira resultado concreto. Fiscalizar importa tanto quanto propor. Método, dados e escuta da ponta fazem diferença. Improviso custa caro. Governar é organizar sistemas, não fazer espetáculo.
COMO SE POSICIONA NO PLEITO AO GO VERNO DE MINAS GERAIS?
Me posiciono como uma alternativa democrática, programática e responsável. Não acredito que Minas Gerais ganhe algo com a reprodução da polarização nacional. Meu com promisso é com o Estado, com suas instituições e com a inteligência do eleitor mineiro. Minha candidatura nasce da convicção de que Minas Gerais precisa voltar a ter projeto, método e horizonte.
MAS O QUE É ISTO, NA PRÁTICA E O QUE TE FAZ AFIRMAR QUE MINAS NÃO TEM UM PROJETO?
Não temos projeto porque os indicadores sensíveis estão piorando. Quando há projeto, os indicadores melhoram. Nossos resultados em matemática hoje são piores do que há 20 anos. Quando vemos um aulão no Mineirão com crianças se engalfinhando, isso é propaganda, não é política pública. Uma das nossas principais fontes de riqueza são os minerais críticos. O problema é que estão saindo do estado como commodities, quase do mesmo jeito que o ouro, o diamante, o café e o minério saíram no passa do. Países que deram salto de desenvolvimento transformaram riqueza natural em capacidade produtiva, educação, inovação e bem-estar para a população. Minas perdeu vários ciclos históricos por não ter feito isso. Não existe desenvolvimento sem logística, sem energia, sem planejamento territorial.
Por isso insisto tanto em ferrovias. Minas precisa ser o Estado que coloca bens e pessoas nos trilhos. Isso não é saudosismo, é estratégia. Ainda mais quando sabemos que, a partir de 2033, o ICMS deixa de existir como conhecemos hoje. Se Minas não construir vantagem competitiva agora, ficará ainda mais dependente no futuro. Estamos vi vendo uma disputa geopolítica e uma transição econômica global ligada à energia, à tecnologia e aos minerais críticos. Minas está no centro disso. Vamos apenas fornecer matéria-prima ou vamos participar das cadeias de valor, da industrialização, da inovação?
O QUE O CIDADÃO ESTÁ DEMANDANDO?
O cidadão está pedindo o básico bem feito. Segurança pública, educação de qualidade, saúde que funcione, Estado organizado e economia que gere oportunidades. Minha campanha se estrutura em alguns eixos centrais: reconstrução da segurança pública com inteligência e coordenação, valorização da educação básica e dos professores, equilíbrio fiscal com desenvolvimento regional, fortalecimento das instituições e presença real do Estado nos territórios. As pessoas estão cansadas de discurso e improviso. Querem previsibilidade, resultado e governo que funcione.
POR QUE A SEGURANÇA PÚBLICA PASSOU A OCUPAR LUGAR DE DESTAQUE NAS PAUTAS ELEITORAIS?
A realidade se impôs. Minas Gerais vive uma deterioração dos indicadores de segurança. Facções cresceram, crimes violentos aumentaram, a violência contra a mulher se agravou, o crime digital explodiu. Ao mesmo tempo, houve uma ruptura grave de confiança entre o governo e as forças de segurança. O eleitor sente isso no cotidiano, na rua, em casa, no celular. Segurança deixou de ser abstração e virou experiência concreta. As forças de segurança de Minas têm profissionais qualificados e comprometidos. O problema não está na base, está no topo. Defendo a integração plena entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos, com base de dados única, inteligência territorial e uso intensivo de tecnologia.

VOCÊ ESCREVEU O LIVRO FEDERALISMO. POR QUE DEFENDE ESSE MODELO? COMO ELE TRAZ VANTAGENS PARA O CIDADÃO?
Defendo o federalismo porque ele aproxima o poder das pessoas, com decisões tomadas mais perto da realidade local. O federalismo permite soluções diferentes para realidades diferentes, com mais autonomia, mais responsabilidade e mais controle social. Hoje, vivemos um federalismo desequilibrado, com concentração de recursos e decisões em Brasília. Fortalecer o federalismo significa fortalecer a escola local, o hospital regional, a segurança do bairro e a economia da cidade. Descentralizar não é fragmentar. Descentralizar é civilizar.
POR QUE DESCENTRALIZAR É CIVILIZAR?
Porque o poder funciona melhor quando está perto das pessoas. Decisões tomadas longe da realidade tendem a errar mais. Descentra lizar é tornar o governo mais humano, responsável e eficiente. Quanto mais próximo o poder está do cidadão, maior é o controle social. Em Brasília, o dinheiro se perde no caminho. A descentralização aumenta a transparência, a responsabilidade e a fiscalização direta.
SOBRE A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA, VOCÊ TRAZ POSICIONAMENTOS EM SUAS REDES SOCIAIS E UM DELES É A NECESSIDADE DE PROVER MORADIA ANTES DE VIABILIZAR O EMPREGO. POR QUE NÃO AVANÇAMOS NA QUESTÃO; O QUE FALTA?
Falta coordenação e decisão política. Moradia vem antes de qualquer outra exigência. Sem casa, não há tratamento, trabalho nem reinserção. O problema cresce porque as políticas são fragmentadas, descontínuas e tratadas como slogan.
COMO ESTAS MORADIAS SERIAM CUSTEADAS?
Com uma combinação de fontes e foco em resultado. Primeiro, reorganização do orça mento, priorizando moradia como política estruturante, não como ação assistencial dispersa. Segundo, uso articulado de recursos federais, especialmente do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, que hoje é subutilizado. Terceiro, parcerias com municípios, imóveis públicos ociosos e retrofit de prédios vazios em áreas centrais. E, quando fizer sentido, parcerias com o setor privado e organizações sociais, com metas claras. Mora dia custa dinheiro. Manter gente na rua custa mais, social e fiscalmente.
AS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES SÃO UMA SOLUÇÃO PARA A CRISE DA EDUCAÇÃO?
Eu fui aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte e sei do que estou falando. É um modelo sério, de qualidade. O ponto é que o custo e a estrutura não são escalonáveis para toda a rede pública. Não foi a farda que fez a diferença na minha formação. Foram professores valoriza dos, currículo claro e acompanhamento per manente da aprendizagem. Modelos cívico-militares funcionam em contextos específicos. Falamos muito de educação e investimos pouco em quem ensina. Nenhuma reforma funciona sem o professor no centro.
SE ELEITO GOVERNADOR, QUAIS SERÃO SUAS PRIORIDADES?
Três prioridades claras. Educação antes de tudo. Educação básica com foco em aprendizagem, professor valorizado e método baseado em evidência. Na sequência, segurança pública, com inteligência, integração entre as forças e reconstrução da confiança institucional. E a terceira prioridade é organizar o Estado para planejar e investir no desenvolvimento regional, com infraestrutura como eixo. O maior ativo do Estado são as pessoas. O desenvolvi mento começa conectando territórios, oportunidades e gente.
