Mário Campos e Robert Lyra: criar ambiente para aumentar produção de biocombustíveis
Reeleitos, líderes da Siamig apostam em protagonismo de Minas na bioenergia
A reeleição, por unanimidade, de Mário Campos à presidência da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia) e de Robert Lyra ao comando do Conselho Deliberativo, para o triênio 2026-2029, vai além de um gesto de continuidade. Em um setor atravessado por transformações profundas, a escolha indica a aposta em uma agenda já estruturada, agora com foco em expansão e protagonismo.
À frente da entidade desde 2014, Campos inicia o novo mandato sustentado por um trabalho que ajudou a impulsionar o setor no estado. “A gente tem um trabalho já longo, que possibilitou o setor a ter um excelente momento aqui em Minas, a crescer no esta do”, afirma. A partir dessa base, a nova gestão mira o fortalecimento do ambiente de negócios e a ampliação da produção.
Um dos principais eixos é o avanço dos biocombustíveis em Minas Gerais. “Nós temos o objetivo de criar aqui no estado um ambiente em que a gente consiga aumentar a produção dos biocombustíveis”, explica. Esse movimento envolve tanto o crescimento do etanol quanto a diversificação da matriz produtiva, com a entrada de novas soluções energéticas. “É um produto com grande potencial, que pode ser produzido a partir de resíduos que nós temos dentro da nossa produção”, diz, ao destacar o biometano como uma das apostas do setor.
Mais do que crescer, a estratégia busca reposicionar o estado no cenário nacional. “Nosso grande objetivo nesse próximo período é fazer com que realmente Minas Gerais tenha protagonismo nesta área do etanol”, afirma Campos. Para isso, será necessário articular o avanço produtivo com políticas públicas e criar condições de competitividade. “A gente tem o desafio de aliar esse crescimento com as políticas públicas e criar um ambiente de competitividade do produto aqui dentro de Minas”, completa.
Nesse contexto, iniciativas recentes tendem a ganhar ainda mais tração. A chamada lei do “combustível do futuro” abre espaço para o aumento da mistura de etanol na gasolina e incentiva frentes como o biometano e a captura de carbono. Outro pilar é o RenovaBio. “O fortalecimento desse programa gera excelentes oportunidades para que a gente consiga melhorar cada vez mais a nossa pegada de carbono”, destaca. Soma-se a isso uma mudança de perspectiva regulatória, que passa a considerar todo o ciclo de vida das emissões. “É um ciclo de vida ampliado que a gente chama de berço ao túmulo”, explica.
Se a agenda é ambiciosa, a estratégia passa pela atuação conjunta do setor. É nesse ponto que a permanência de Robert Lyra no Conselho Deliberativo ganha relevância. “Ele é uma grande liderança, um grande empresário com história muito forte no setor e ajuda muito a fazer essa interação entre todos”, afirma Campos. Em um segmento marcado pela produção de commodities, essa integração facilita o diálogo e a construção de soluções compartilhadas. “A gente consegue sentar à mesa e pensar de forma coletiva os problemas setoriais”, diz.
A continuidade dessa governança, baseada na articulação e na busca por interesses comuns, é vista como um diferencial para o avanço das pautas estratégicas. “Esse é um dos grandes segredos que faz com que a gente consiga avançar nas diversas pautas estratégicas que nós temos no setor”, resume.
Diante de um cenário em que a transição energética ganha centralidade, a Siamig aposta na combinação entre experiência acumulada, alinhamento institucional e inovação para projetar Minas Gerais como protagonista em um setor que se reinventa sem perder suas raízes.
