Praça criada com demolição de anexo dos edifícios: vista para o viaduto restaurada
Requalificação da região aposta em moradia, incentivos e retomada da vida urbana em BH
O Centro de Belo Horizonte, território que concentra história, memória e parte significativa da dinâmica urbana da capital, volta ao centro das estratégias de desenvolvimento da cidade. Em tramitação na Câmara Municipal, um novo projeto de requalificação aposta em incentivos urbanos e fiscais para atrair investimentos privados, estimular o retrofit de prédios ociosos e ampliar a oferta de moradia na região central.
A proposta integra o Programa de Requalificação do Centro, o Centro de Todo Mundo, iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte que busca reposicionar a área como um espaço mais habitado, acessível e integrado à vida cotidiana da cidade. Segundo a administração municipal, o objetivo é tornar o Centro mais bonito, amigável e aprazível, ampliando e qualificando as oportunidades de moradia, trabalho e lazer, com melhorias na acessibilidade e na mobilidade urbana.
O programa reúne dez eixos estratégicos que orientam as ações do poder público, incluindo requalificação urbana, mobilidade, inclusão produtiva, segurança, mobiliário urbano, políticas voltadas à população em situação de rua, arborização e ocupação de prédios ociosos. Entre as intervenções previstas e já em andamento estão a requalificação da rua Sapucaí, a implantação de vias exclusivas para pedestres, novas ciclovias, faixas exclusivas de ônibus, revitalização de calçadas, instalação de banheiros públicos e a reconstituição da praça da Independência.

Essas ações se somam a intervenções realizadas nos últimos anos pelo município, como a demolição do anexo dos edifícios Sulacap e Sulamérica, que possibilitou a criação da praça Fuad Noman, além da reforma da praça da Estação e da implantação do novo espaço multiuso no Parque Municipal. No âmbito do Centro de Todo Mundo, essas iniciativas integram o eixo de cultura, lazer e turismo e reforçam o papel do espaço público como elemento estruturante da política de requalificação.
De acordo com o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, o projeto cria as condições necessárias para a ampliação dos investimentos privados na área central. “Este projeto cria um pacote de incentivos urbanos e fiscais robustos para a área central, que viabilizará novos investimentos na região, em especial nos retrofits dos prédios ociosos e na substituição de imóveis subutilizados, como galpões e estacionamentos”, afirma.
Segundo ele, esses incentivos permitirão a construção de mais moradias no Centro, criando oportunidades para que as pessoas morem mais perto do trabalho, da principal infraestrutura de transporte e da rede de comércio e serviços públicos e privados existentes na cidade.
A ampliação da oferta habitacional é apontada como um dos principais impactos esperados do projeto. A prefeitura aposta que o aumento do número de moradores contribua para reduzir o esvazia mento noturno do Centro, uma das principais queixas de quem circula pela região fora do horário comercial. “O projeto permitirá maior vitalidade da área central no período noturno, em função da presença de mais moradores. Isso permitirá que o Centro se torne mais seguro e habitado”, afirma Leonardo Castro.

Segundo o secretário, a presença permanente de moradores também tende a fortalecer a economia local. “O aumento do número de moradores será positivo para os negócios existentes, que poderão contar com novos clientes, inclusive no período noturno, quando o Centro fica mais vazio”, completa. A expectativa é que a ocupação mais equilibrada estimule usos mistos do território e contribua para uma dinâmica urbana mais contínua ao longo do dia.
As transformações devem ocorrer de forma gradual, mas com reflexos visíveis na paisagem urbana. O projeto prevê a re qualificação de edifícios subutilizados, a substituição de galpões e usos semelhantes por empreendimentos com impacto positivo no espaço público e uma melhora geral das condições urbanísticas da área central. “Gradativamente, haverá a requalificação de edifícios subutilizados e uma melhora geral da condição urbanística da área central”, destaca o secretário.
Para a gestão municipal, o projeto reafirma a importância estratégica do Centro para toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte. “O Centro de Belo Horizonte é fundamental para toda a região metropolitana. O principal papel do Centro será gerar oportunidade de moradia para quem deseja se localizar mais próximo do trabalho”, afirma Leonardo Castro. A expectativa, segundo ele, é que a região retome não apenas sua função urbana, mas também seu papel simbólico e afetivo na vida de moradores e visitantes.
